Greve nos correios atrasam mais e mais a vida do cidadão
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta segunda-feira que cerca de 18% dos trabalhadores dos Correios permanecem em greve. "Lamentamos. Fizemos uma proposta que a categoria aceitaria (desde que fossem feitas algumas alterações), mas eles querem que paguemos os dias parados e isso nós não temos condições de fazer", afirmou. Já a entidade que representa os funcionários em todo o País, contudo, garante que, de acordo com o último balanço, pelos menos 75% dos 107.940 trabalhadores aderiram à paralisação, iniciada no dia 14.
Segundo o ministro, a direção dos Correios pode descontar os dias parados de forma parcelada a fim de amenizar a situação dos grevistas. Ele, no entanto, garantiu estar fora de cogitação anistiar os trabalhadores que aderiram à paralisação. "Não temos condições de acatar essa sugestão. Não podemos fazer um acordo para pagar os dias parados. Até porque, mais de 80% dos trabalhadores estão na ativa, fazendo as coisas funcionar normalmente", disse.
De acordo com Bernardo, a entrega das correspondências e os serviços serão normalizados rapidamente tão logo a greve chegue ao fim. "Não vai demorar muito porque, nos dois últimos finais de semana, foi feito um mutirão. Muita gente trabalhou, de maneira que a triagem e preparação para a entrega (das correspondências) estão prontas. Assim que a situação se normalizar, nós vamos dar conta de resolver bem rapidamente."
Na sexta-feia, os Correios rejeitaram a contraproposta apresentada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect). A entidade negocia um aumento linear de R$ 200, a reposição da inflação de 7,16% e o aumento do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635. A categoria também exige a contratação imediata de todos os aprovados no último concurso público dos Correios. A empresa, por sua vez, manteve a proposta apresentada antes do início da greve: reajuste salarial de 6,87%, mais aumento real de R$ 50 e abono de R$ 800.
De acordo com Maximiliano Velasquez, da Fentect, o movimento grevista tem ganhado força e, somente hoje, ganhou a adesão de mais de 1,5 mil funcionários das regiões Sul e Sudeste. "Até a sexta-feira, nós estávamos com cerca de 70% da categoria parada. Hoje, a paralisação chega a 75% dos trabalhadores e o movimento é crescente", disse ele.
O sindicalista assegurou que os funcionários em greve não se negam a pagar os dias não trabalhados, mas querem fazê-lo na forma de reposição das horas paradas. "Não queremos que a empresa seja prejudicada. Queremos pagar esses dias, mas na forma de horas extras, de mutirões, trabalhando aos finais de semana. Só não queremos que o desconto seja feito em dinheiro, em nossos salários. E isso é vantajoso também para a empresa que, para normalizar os serviços, teria que nos pagar horas extras", afirmou.
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Born to Kill, fonte:
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