Pra começar, essa discussão é posta nos termos errados. Como o Android é um sistema operacional instalado em uma grande variedade de aparelhos e o iPhone é um aparelho, tal comparação é, de largada, sem sentido. Ah, mas a fanboyzada insiste nela.
Nesse delírio desenfreado, tem doido capaz de dizer que um aparelho com Android xing ling é melhor que o iPhone 4. Basta ter o Android instalado e pronto, mesmo que o sistema rode pesado no tal aparelho, que ele possua instabilidades geradas por má qualidade do hardware e por um trabalho porco de adaptação do sistema operacional, mas claro, é melhor que o iPhone que passa na Apple por um rigoroso controle de qualidade.
Ah, mas por que eu resolvi chutar cachorro morto e criticar algo que é tão evidentemente absurdo? Simplesmente porque o difundido blablablá de fanboy confunde as pessoas na hora de adquirir um smartphone. Ao comprar um Android "baratinho", modelo de entrada, seja um Samsung Galaxy 5, seja um LG Optimus One, o que for, você está adquirindo um modelo de entrada e, consequentemente, não terá acesso a tudo o que a plataforma tem a oferecer.
Esses dias troquei algumas ideias no Twitter com um usuário inconformado com o fato de um Samsung Galaxy 5 não rodar o Firefox Mobile. Acontece que o Galaxy 5, apesar de ser um bom aparelhinho, é um modelo e entrada e, como tal, possui um hardware modesto, contando ali com sua CPU de 600Mhz, com seus 256Mb de memória RAM, entre outras limitações. O Firefox Mobile, por sua vez, possui requisitos de hardware exigentes e chega a rodar pesado até mesmo em aparelhos com especificações mais robustas.
Acredito que esse besteirol difundido por fanboys deslumbrados seja o principal responsável por essa confusão na cabeça de quem adquire um smartphone Android num modelo mais econômico. O Android barato existe e isso é muito bom, afinal o iPhone barato ainda não existe. A questão é que é preciso, além de saber escolher seu aparelho, saber também o que esperar dele.
Uma coisa que acontece no Android Market é que, se você tem um modelo de entrada, os apps e jogos mais pesados não serão nem sequer listados nas suas buscas. Isso causa aquela impressão de que o seu Android roda tudo o que está disponível, afinal você nem fica sabendo da existência dos que são incompatíveis, ótimo. O problema é quando um app é muito comentado, como o Firefox Mobile. Aí você fica sabendo, quer instalar, e vem a frustração.
É preciso, portanto, além de saber escolher um Android "barato", saber também o que esperar dele e tirar da cabeça essa estupidez de que "Android é melhor que iPhone", que faz você pensar que um Android num modelo de entrada oferece tudo o oferece um iPhone 4. O iPhone é um produto baseado num único modelo, sempre hi-end. Esse tipo de comparação não faz qualquer sentido.
E o que esperar, então, de um Android adquirido num modelo mais econômico? Bom, ele será um aparelho capaz de conectá-lo confortavelmente à internet para navegação, irá dispor de diversos aplicativos para interação com redes sociais, além dos serviços da própria Google e mais uma infinidade de apps. A quantidade de aplicações à sua disposição num Android dos mais baratinhos é infinitamente superior à encontrada para Blackberry ou para aparelhos baseados no Symbian.
Com toda essa variedade de apps e com disposição para fuçar e aprender a mexer na plataforma, você poderá deixar o smartphone com a sua cara e ele servirá para mantê-lo conectado em todo e qualquer lugar, auxiliar em tarefas de organização pessoal, aumentar sua produtividade e até, eventualmente, diverti-lo um pouco.
É bom lembrar que, nesse quesito diversão, modelos mais baratos começam a mostrar suas limitações. Obviamente, você não pode esperar que eles rodem jogos 3D desenvolvidos para os modelos hi-end. Essa limitação não é uma sacanagem do mundo que conspira contra os proprietários de modelos econômicos. É uma limitação de hardware, pura e simples, e você deverá se conformar com ela ou ter vontade de trocar de aparelho o tempo inteiro. Você ainda poderá rodar os jogos mais simples, ouvir música, assistir a vídeos, etc. Apenas não espere rodar os games mais elaborados para não se frustrar cada vez que vier um lançamento.
O fundamental para quem está adquirindo um Android num modelo de entrada, como primeiro smartphone ou vindo de um cansado Symbian, é esquecer o iPhone como referencial. Por mais que você tenha lido por aí em blogs de fanboys alucinados, essa comparação é completamente absurda.
Os smartphones Android que podem ser comparados ombro a ombro com o iPhone estão entre os modelos que, por razões óbvias, situam-se na mesma faixa de preço do iPhone. Entre esses, a escolha por uma plataforma ou pela outra deve passar por uma análise do perfil de usuário, nunca por argumentos baseados num tipo de dogmática fanboyzista.