Quem cresceu nos anos 80 pode ter ouvido incessantes pedidos dos pais: "saia já do videogame e vá estudar!". Com o tempo, os benefícios dos jogos eletrônicos aos seus fãs têm sido pesquisados, e como o avanço deste ramo do entretenimento já rendeu experiências bem diferentes, os resultados também variam.
Esse tipo de comportamento é desculpa, ainda hoje, para uma certa vilanização dos games, que vez por outra dá as caras... Mas saiba que, nos últimos tempos, alguns jogos mais recentes acabaram se tornando referência em cursos superiores. Somente neste mês de agosto, dois games foram escolhidos como tema e "leitura obrigatória" em faculdades nos EUA: "Portal" e "StarCraft". Nada mau.
Lançado em 2007, "Portal" é um premiado título da Valve que combina ação em primeira pessoa e a resolução de quebra-cabeças envolvendo teletransporte - o jogador é munido de uma arma que cria até dois portais que podem ser projetados no chão, teto e paredes - e física. Prestar atenção em forças como gravidade e inércia são essenciais para solucionar as salas de testes... No entanto, "Portal" foi escolhido na Wabash College como complemento a uma aula de sociologia.
O jogador é guiado pelas imaculadas salas do laboratório por GLaDOS, inteligência artificial de voz suave e feminina que vai lentamente se revelando não tão benevolente assim - e por trás das salas, há construções em ruínas. Este aspecto da trama foi relacionado pelo professor Michael Abbott a "A apresentação do Eu na vida cotidiana", livro do sociólogo Erving Goffman. A obra trata de como as pessoas se portam para serem percebidas por terceiros, ocultando elementos nos bastidores do eu, como se estivesse em um palco.
O outro jogo escolhido é um clássico da estratégia em tempo real. A University of Florida lançou a matéria "Habilidades do século XXI em StarCraft", usando o título da Blizzard para promover o "raciocínio crítico, resolução de problemas, gerenciamento de recursos e tomada de decisões adaptiva". Cada aluno joga, analisa replays e comenta aplicações das partidas no mundo real. E isso vale nota!
Não custa lembrar que os micros da iniciativa One Laptop Per Child vêm com "SimCity", o simulador de cidade de Will Wright.