Na companhia de Yoshi, o encanador Mario e seu irmão Luigi desbravaram um mundo inesquecível na memória gamer
Todo console tem seu carro-chefe, o que a informática chama de "killer-app", o SNES também teve o seu: "Super Mario World", lançado junto com o console (21 de novembro de 1990, no Japão). Muito além de pertencer à franquia do - todo poderoso - Mario Bros o título fala por si, com suas características singulares e padrão de jogo que influenciaria as próximas aparições da série desde então.
Em "Super Mario World", Shigeru Miyamoto (designer-visionário-lendário-inovador-empregado do mês na Big N) criou uma nova experiência que ultrapassa as fronteiras do simples e nobre ato de salvar a Princesa Peach, que caiu novamente nas garras do Rei Koopa (Bowser para os mais chegados) durante umas férias na Ilha dos Dinossauros. O local é um gigantesco mapa, cheio de cavernas, castelos e mansões mal-assombradas.
Agora Mario conta com a ajuda de Yoshi, um dos mais simpáticos dinossauros da história dos games. Além de ser meio de transporte pelas plataformas, o jurássico verde também contribui na soma de forças que dá ao italiano bigodudo a capacidade de pular mais alto e correr mais rápido, assim como simplesmente devorar cascos de tartaruga e cuspi-los contra a horda de inimigos logo à frente. Os Koopa Tropa não são os únicos "alimentos" de Yoshi, que pode comer os frutos das árvores no decorrer de cada tela, assim como outros inimigos. A simpatia do dinossauro é tanta que ele ganhou seu próprio game em 1995 ('Super Mario World 2: Yoshi"s Island').
No game foi incluso um multiplayer cooperativo. Jogar em dois jogadores é divertido, mas não oferece tantas mudanças na concepção do jogo, o que pode ser bom ou ruim dependendo da situação. Basicamente os jogadores se alternam na mesma tela, um controlando Mario e outro Luigi jogando em turnos. Os desafios e objetivos continuam os mesmos, mas a partida ganha um aspecto de jogos de tabuleiro.
Outro quesito excepcional é a música marcante e, por que não, histórica, já que oito entre dez gamers saberão cantarolar ao menos umas três composições presentes em "Super Mario World". Um dos grandes trabalhos da carreira de Koji Kondo, a trilha sonora é a proposta perfeita para um universo tão variado e imersivo quanto o do mundo de Mario. Mais interessante ainda é o fato de as melodias serem reinterpretadas com novos arranjos dependendo da tela em questão, sendo mais cavernosa nas profundezas, fantasmagórica nas casas mal assombradas, desafiadoras nos castelos, e assim por diante.
Com mais de 20 milhões de cópias vendidas, "Super Mario World" se tornou a referência da franquia, inclusive para o enfadonho filme que seria lançado três anos depois ("Super Mario Bros. O Filme"). O game ganhou uma série animada para TV, que contava com a trilha sonora e seguia o enredo original do cartucho. No Brasil a série era conhecida como "Super Mario Brothers", distribuída pela Mundo Mágico Produções e dublada pela Herbert Richers.
Nos primeiros passos da "Guerra de Consoles" entre Sega e Nintendo, o cart também ficou popular quando foi incluso nas caixas dos Super Nintendo (SNES) fabricados a partir de 1991. O bundle da Big N foi uma tentativa de derrubar o ganho de mercado da rival, que lançou "Sonic The Hedgehog" para o Mega Drive (Genesis) e vendeu o dobro de consoles no Natal daquele ano.
Mas se sua fita e seu SNES estiverem empoeirados demais, é possível jogar as versões lançadas para Game Boy Advance (no "Super Mario Advance") ou para o Virtual Console do Wii, que está disponível desde 2007. Além de ser um ato de nostalgia pura, jogar "Super Mario World" é obrigatório para qualquer fã da franquia e, claro, é altamente recomendável para os outros também.