O DirectX 11 é a melhor coisa que apareceu nos últimos tempos, mas não se pense que esta tecnologia gráfica se destina exclusivamente aos donos de carteiras recheadas. A PCGuia mostra-lhe como construir uma máquina económica e preparada para os jogos da próxima geração
Esta não é a primeira vez que nos dispomos a construir um computador para jogos económico. Há aproximadamente dois anos, conseguimos montar uma máquina DX10 baseada na 8600GT que ficou quase pelo orçamento máximo que agora nos dispomos a gastar. Há cerca de um ano, precisamente antes de a economia se atirar de um penhasco, quase reduzimos para metade esse preço quando montámos uma máquina que mostrava o que era possível fazer se optássemos por todas as pechinchas disponíveis.
Para sermos justos, a segunda máquina que construímos não era nada de especial para jogos; tratava-se mais de mostrar o que era possível fazer com o mais apertado dos orçamentos. Desta vez queremos que o resultado final seja um PC capaz de correr jogos DX11. Queremos que esteja vocacionada para orçamentos reduzidos, mas acima de tudo tem de ser utilizável e versátil. Queremos construir uma máquina que qualquer um gostaria de ter em casa.
Desta vez não nos contentamos em encontrar o disco rígido mais barato que os seus euros podem comprar ? por exemplo, precisamos de espaço suficiente para instalar jogos DirectX 11, guardar alguns vídeos seleccionados e que ofereça uma extensão suficientemente grande para as nossas tropelias na Internet. Queremos igualmente alguma margem de manobra para actualizações. Recuámos também perante as sensações fáceis de cabeça-de-cartaz; não optámos pelo processador quad core Athlon II X4 do costume para podermos afirmar que somos capazes de construir uma máquina DX11 de quatro núcleos, pois a verdade é que um chip rápido de dois núcleos oferece um desempenho melhor em termos de jogos do mundo real.
Para lhe dar um cheirinho do que temos preparado para si, estamos a falar de 60 fps com resoluções de 22 polegadas. E sim, estamos a falar dos jogos mais recentes. Iremos mostrar-lhe como construímos esta máquina e quais são as dicas e truques que podemos transmitir em função das nossas experiências. Vire a página para descobrir o que pode construir com o mais rigoroso dos orçamentos, como é uma máquina de jogos diabólica e como é fácil montá-la.
Como verá já a seguir, vamos guiá-lo passo a passo ao longo de todo o processo de montagem efectiva da sua máquina, o que deixa a selecção dos componentes como a parte mais difícil da operação. A escolha dos componentes para um sistema dito económico nunca é fácil, mas, nestes tempos de vacas magras em que vivemos, o mercado está particularmente apinhado. Talvez haja um grande número de pretendentes para o seu dinheiro suado, mas saber qual deles vale de facto a pena procurar pode ser difícil.
Analisámos a custo as propostas actuais das principais marcas e de alguns dos fabricantes menos conhecidos para elaborar uma lista que pode utilizar como ponto de partida. Note que não são as únicas especificações para construir uma máquina DX11 económica, por isso esteja à vontade para gastar mais ou menos onde acha que faz sentido, porém temos a certeza de que este grupo de componentes funciona e podemos apresentar valores de desempenho que atestam a sua qualidade.
Neste caso queremos construir propositadamente uma máquina DX11, o que significa que irá precisar da placa gráfica DX11 mais acessível, a Radeon HD 5750. Não está, no entanto, limitado a construir uma máquina em torno desta placa: pagando um pouco mais, tem acesso à notoriamente mais potente 5770. Em alternativa, se quiser seguir o caminho do DX10, uma 4850 oferece um desempenho fantástico e abate 20 euros ou mais ao preço total do sistema. Testámos a nossa máquina com a 5750 e a 4850 para lhe dar uma ideia do tipo de desempenho que pode esperar de ambas.
PROCESSADOR E MOTHERBOARD
Considerámos estes dois componentes em conjunto porque estão interligados. Não faz sentido considerar um processador a preço de saldo se a placa acompanhante custa uma fortuna. Houve uma altura em que era necessário ficar de olho no custo da memória, mas embora a DDR2 continue mais barata do que a DDR3, esta já não está reservada aos ricos. A DDR3 é a escolha certa para nós.
A questão está em saber quem oferece o melhor desempenho em troca do seu dinheiro. Apesar de ser difícil argumentar contra o desempenho bruto dos chips da Intel, a AMD continua forte em termos de relação preço/qualidade. Isto, aliado ao baixo preço das motherboards que acompanham os CPU, resulta num claro vencedor que ainda oferece um potencial de actualização no futuro.
Tal como dissemos na introdução, ponderámos a ideia de construir uma máquina em torno do Athlon II X4, mas a falta de cache e a frequência de funcionamento inferior tornam-no menos apelativo para os jogadores, e são precisamente os jogos a razão pela qual estamos a construir esta máquina. O vencedor é, pois, o AMD Phenom II X2 545. Quanto à motherboard, são muitas as propostas disponíveis no mercado, mas por uma questão de fiabilidade e desempenho concentrámo-nos num fabricante de nome gordo e procurámos uma motherboard baseada no 785G. Este chipset oferece um desempenho sólido, mas sem o preço do 790. As motherboards baseadas no 785G também vêm nas configurações com suporte de AM3 e DDR3, o que é igualmente perfeito para permitir um potencial de actualização futura. Uma vez decidido isto, resta apenas procurar o exemplar mais barato disponível no mercado. Neste caso, é possível conseguir o Asus M4A785TD-MEVO por tuta-e-meia.
RAM E ARMAZENAMENTO
Tal como acabámos de dizer, a DDR3 desceu finalmente para níveis de preço sensatos, mas se procura uma verdadeira pechincha, não se limite a conjuntos duplos: a compra de módulos simples pode ficar mais barata, e desde que os compre ao mesmo tempo, não deverá ter quaisquer problemas de compatibilidade. Quanta memória deve arranjar? Embora seja tentador optar por 4 GB, não precisa de tanto para jogos normais, como tal, e apesar de os preços da RAM terem descido, fique-se pelos 2 GB para abater mais alguns euros ao preço final. Escolha um fabricante bem conhecido e está feito.
No que toca ao disco rígido, recomendamos que escolha o maior ao alcance da sua carteira. Os discos rígidos são muitas vezes incluídos em ofertas diárias a preços aliciantes, por isso veja o que está disponível no dia da compra e simplesmente arranje o maior que conseguir pelo preço mais baixo possível. Quanto à capacidade, recomendamos no mínimo 320 GB; conseguimos escolher um disco desses por 36,50 euros, o que se traduz em 11 cêntimos por gigabyte. Se optar por um disco de 1 TB, esse valor pode descer até aos 7 cêntimos por gigabyte.
Já que está com a mão na massa, escolha uma unidade de DVD. No passado recomendámos a compra de uma unidade de DVD-ROM, pois são mais baratas. Desta vez decidimo-nos por uma unidade de DVD-RW, muito mais útil, para que possa também criar cópias de segurança dos seus dados. Os 30 euros que custa também não são um preço pesado a pagar em troca da versatilidade que acrescenta ao sistema. Note que o LG GH22LS50 é igualmente uma unidade SATA, pelo que não há grandes cabos de retenção do ar.
CAIXA, FONTE DE ALIMENTAÃÃO E O RESTO
A haver uma área na qual recomendaríamos que gastasse mais, seria a do chassis e da fonte de alimentação. No entanto, também poderá poupar no custo sem com isso cortar na qualidade. Foi precisamente isso que encontrámos na solução 2HIX Clone, que inclui já uma fonte ATX com 450 W de potência. Ã claro que o facto de gastar mais algum dinheiro no chassis também lhe permite conseguir uma máquina mais robusta e atraente.
Fizemos aqui algumas suposições: não incluímos o preço de um sistema operativo, pois partimos do princípio de que vai efectuar a migração a partir do sistema actual e levar consigo a sua licença do Windows, ou pode apanhar o comboio do Linux que parte de quando em vez sempre que a irritação com a Microsoft atinge o ponto máximo. Se quiser tirar partido do máximo potencial da sua placa DirectX 11, necessita do Windows 7 ou Windows Vista. O preço a pagar pelo sistema operativo depende do que está actualmente disponível (ou, por outras palavras, se necessita ou não de uma versão de actualização) e onde o compra. Tal como sucede com os outros componentes da sua máquina, vale a pena comparar preços no caso de ter de comprar o sistema operativo, tendo em conta que variam muito.
O sistema operativo não é a única coisa que supusemos que levará para a sua nova máquina económica: irá precisar igualmente de algum tipo de ecrã (se bem que nada o impede de ligá-la ao televisor para uns momentos bem passados de entretenimento com a Xbox). Também irá precisar de um rato e de um teclado, embora tais coisas possam custar desde alguns euros a várias centenas de euros, dependendo das suas necessidades.
Note também que não incluímos os custos de entrega neste total ? no caso de optar por comprar a vários fornecedores, isto pode aumentar o preço final. Irá precisar aqui de alguma flexibilidade para conseguir a melhor relação preço/qualidade: é possível que descubra que a entrega é gratuita se gastar o suficiente num revendedor, por isso compare preços em vários sites e veja o que oferecem.
FALSA ECONOMIA?
Existem sempre alguns velhos do Restelo que se mostram relutantes perante o próprio conceito de uma máquina DX11 económica, incapaz de verem que apontar para o preço mais baixo possível era um ponto de partida válido para qualquer construção. Os valores do desempenho, no entanto, contam outra história, e embora seja sempre possível gastar mais dinheiro em praticamente todos os componentes, como ponto de partida trata-se de um sistema incrível em troca do dinheiro investido. Os jogos têmbom aspecto, correm bem e não precisa de fazer uma segunda hipoteca da casa para poder usufruir desta experiência.
Não precisa de fazer uma segunda hipoteca da casa para conseguir um desempenho excelente
Se tem de facto mais algum dinheiro para gastar, recomendamos que actualize primeiro a placa gráfica para a 5770, quanto mais não seja para lhe dar alguma margem de manobra contra os planos diabólicos dos desenvolvedores de jogos na sua busca incessante por maior realismo. No caso de ter ainda mais dinheiro, a opção seguinte seria a memória, em particular se gosta de correr vários programas ao mesmo tempo. O espaço no disco rígido é algo que nunca se acha demais, como tal seria o próximo item da lista a receber uma injecção de dinheiro. Há sempre a possibilidade de optar igualmente por um processador mais potente, apesar de chegar uma altura no seu frenesim de compras que fica melhor se der o salto para a Intel e a sua plataforma Core i5, que ronda a marca dos 600 euros.