Games voltados para o setor da saúde, como auxiliares em tratamentos diversos e
em sessões de fisioterapia, vêm ganhando espaço no mercado e se transformando em
importante ferramenta para recuperação de pacientes. E jogos produzidos em Santa
Catarina já começarão a ser testados em clínicas de Florianópolis a partir desta
semana.
Antes considerados verdadeiros "inimigos" para o desenvolvimento das crianças e
até mesmo como brinquedos "prejudiciais" à saúde, os games estão conseguindo
mostrar sua outra faceta. Os jogos temáticos ou chamados de "sérios" pelos
próprios especialistas já começam inclusive a ser produzidos no Brasil. Uma
empresa com sede no Polo de Games de Santa Catarina é a primeira do País a
desenvolver jogos específicos para a recuperação de vítimas de acidentes ou com
limitações físicas nos membros inferiores e superiores.
Os catarinenses desenvolveram uma plataforma específica para a utilização junto
a fisioterapeutas. O jogo faz com que os pacientes realizem os movimentos
típicos do tratamento de uma maneira mais divertida e lúdica. No desenho, os
movimentos realizados para encher um balão ou trabalhar numa máquina de sorvete
são reproduzidos através dos joysticks usados pelo Wii. O nível de limitação
física do paciente pode ser calibrado antes do jogo ter início.
A Fisiogames, empresa responsável pelos jogos, está localizada dentro de uma
incubadora mantida pelo governo do Estado que tem como objetivo desenvolver o
segmento de jogos eletrônicos. O grupo conta, além de programadores e designers,
com especialistas na área de psicologia e fisioterapia. "Existem games que são
adaptados para o uso em terapias médicas", explica o diretor Daniel San Martin.
"No nosso caso, estamos produzindo games com a finalidade específica de atender
aos profissionais da medicina".
De acordo com o gamedesigner Alessandro Vieira dos Reis, que também é formado em
Psicologia, os jogos eletrônicos de qualquer tipo são capazes de elevar a
autoestima das pessoas, distrair e oferecer diversão. Por isso, deveriam ser
desenvolvidos, com a ajuda de profissionais do setor, para atender as demandas
clínicas. "Jogos podem ser usados no contexto clínico como forma de sensibilizar
e informar as pessoas sobre as doenças e tratamentos. Ã uma forma de humanizar o
tratamento através da tecnologia", disse. "Isso traz efeitos sensíveis nos
aspectos emocionais do paciente, aumenta a aderência ao tratamento e tem um
efeito psicológico muito positivo".
Reis conta o caso de pesquisadores americanos que desenvolveram um jogo de tiro
para crianças portadoras de câncer. No game, elas entram no corpo humano e
destroem as células doentes. "Depois de começarem a usar o jogo, essas crianças
começaram a conversar mais sobre o câncer e se sentiram fortes para lutar contra
a doença", disse. "Existem exemplos fartamente documentados de como os games
podem ser usados para auxiliar tratamentos de saúde".
Os games específicos para a saúde já são utilizados com muita repercussão na
América do Norte. A Universidade McGill, no Canadá, lançou pela web três jogos
desenvolvidos para trabalhar a autoestima de pacientes. O tema ganhou uma série
em emissoras de TV locais.
Em todo o mundo, existem cerca de 300 games desenvolvidos para a utilização por
profissionais médicos em várias áreas. Exemplos são o Brain Games, usados para
desenvolver a atenção e habilidades psico-motoras e o Exergames, usados
inclusive com o WiiFit.