John Herrman, um dos nossos camaradas do Gizmodo US, escreveu um post polêmico onde decreta a morte - lenta, mas inexorável - dos PCs de mesa, incluíndo os seus jogos.
Para John e muita gente, não existe qualquer motivo para um consumidor médio escolher um desktop ao invés de um laptop. E os números da indústria mostram sinais dessa tendência. Tenha em mente que sempre vai haver gente querendo cortar o dedo e montar por conta própria uma caixa matadora, pelo prazer do hobby ou simplesmente para rodar Crysis bem; ou governos que comprarão milhares de Semprons em licitação. Mas e para o resto do mundo (o que dá, pelas minhas contas, a maioria das pessoas)? O Desktop morreu?
Sim, existem muitos laptops potentes por aí. E você não paga muito a mais por
isso. Mas que tal comprar um computador barato, que satisfaz suas necessidades e é portátil? Para que ter um trambolho que fica encostado em algum lugar na sua casa, que não pode ser levado para o banheiro (não na banheira, que fique claro), quando você poderia comprar um notebook tão bom quanto e que custa quase a mesma coisa?
Muita gente me pergunta se vale a pena montar um computador matador para jogar no PC. Normalmente eu (Pedro) digo para as pessoas comprarem um Xbox 360 ou um PS3, especialmente para dar conta da "capacidade ociosa" das TVs de LCD e Plasma. Ano após ano tem aumentado a participação dos videogames nas vendas de jogos. Veja ano passado: segundo a consultoria NPD, as vendas de "software de jogo" totalizou US$ 8,5 bilhões nos EUA, e os games de PC representaram apenas US$ 700 milhões. Ã bem verdade que a estatística do NPD não conta distribuição digital (como a Steam) nem assinaturas (como os 12 milhões que jogam WoW). E a própria NPD reconhece, em outro estudo, que a maior plataforma de jogos online é o PC. Mas isso, na verdade, reforça o nosso ponto.
Basta ver o tipo de jogo sendo vendido nos PCs, um bom medidor de que potência não é fundamental. World of Warcraft, o maior hit "exclusivo" dos computadores, pode ser jogado em virtualmente qualquer bom notebook hoje.
Resumindo: dizer "roda Crysis?" é cada vez mais apenas uma piada. Os últimos jogos do ano, aqueles com gráficos bonitos, como Fallout 3 ou GTA IV, foram lançados simultaneamente em consoles e PCs (ou até antes nos consoles), o que quase elimina o velho argumento dos "melhores jogos só no computador". Foi-se o tempo em que alguém podia falar "fique aí com seu Alex Kid que eu vou jogar Doom". As coisas estão niveladas. Ã claro que ainda virão Starcraft II ou Diablo 3, mas se você é um consumidor médio, você vai continuar sendo um cara cool e atualizado em jogos sem precisar ter uma placa de vídeo que custa o preço de um Xbox 360.
O desktop é hoje uma escolha quase irracional para quem quer comprar um computador, e terá uma morte lenta. Mas não deve sumir da face da Terra: não só os (cada vez menos) gamers que usam o PC para jogar, mas também empresas, escolas e pessoas pouco familiarizadas com tecnologia devem continuar comprando desktops. Sempre vai ter algum desinformado comprando aquele Celeron com 1 GB de RAM e monitor de 15'' na "oferta relâmpago" do Extra, achando que é um bom negócio.
Mas a tendência é clara: desktops se tornarão um formato morto-vivo, cada vez mais abandonados em favor da praticidade, mobilidade e " como esperamos para o futuro " desempenho dos notebooks.