Segundo Deputado do PDT, a proibição de jogos violentos em Lan-houses
contribuirá para redução da violência
e melhoria da educação.
Com o objetivo de adentrar as instalações inimigas, Nathan de 9 anos faz uso de
um fuzil militar e segue
disparando com sua equipe na direção dos inimigos. Pode parecer surreal uma
criança de 9 anos usando um
fuzil, mas esta é uma cena rotineira dentro das Lan-houses do Rio de Janeiro.
" Gosto de jogar CS (Counter Striker) porque é legal, minha mãe me dá dinheiro
pra eu vir jogar na Lan. Ela
não liga, não. Diz que prefere eu jogando video-game do que nas ruas roubando
ou usando drogas.
" Aqui na Lan-house a criança só joga com um documento assinado pelos pais
autorizando. Eles gostam da
iniciativa porque meu estabelecimento é regularizado, seguro. Como não deixo
que alguns garotos usem o
espaço pra vender drogas, eles têm total confiança em mim e ainda perguntam se
o filho está se comportando
bem ou se está tendo alguma atitude violenta. Tem até alguns meninos formando
um Time pra jogar CS online.
Acho um absurdo essa proibição, principalmente porque afetará o meu comércio.
Muitos deputados são donos de
casa de jogos ilegais e ninguém fala nada, eu que sou trabalhador, pago meus
impostos vou ser obrigado a
seguir uma lei de um cara que nem perguntou a minha opinião sobre o assunto.
Com essa opinião, José Carlos Pinheiros, de 32 anos e dono de uma Lan-house no
interior do Rio de Janeiro,
se coloca contra a lei criada pelo Deputado Kalil Sehbe (PDT) e afirma que a
proibição afetará não somente
o seu comércio, mas também a responsabilidade dos pais quanto aos seus filhos.
" Quem tem o dever de fiscalizar os passos dos filhos são os pais. Sou da
geração Super Nintendo
(referência aos consoles de 16bits, famosos na década de 90) jogava horas sem
parar depois que saia da
escola e nem por isso me tornei um assassino ou tive práticas violentas. Me
tornei sim um pai de família
formado em administração e que está levantando o primeiro negócio.
Em contraponto, a Câmara dos Deputados aprovaram na quinta-feira uma lei
proibindo menores de 18 anos de
jogar games considerados violentos em lan houses ou mesmo de serem
comercializados em qualquer
estabelecimento comercial. A proposta ainda precisa ser sancionada pela
governadora Yeda Crusius para ser
colocada em prática.
O temor de que esses games violentos levem o menor a valorizar uma competição
que priorize a eliminação de
militares, formação de reféns ou de atos terroristas, é o argumento principal
dos simpatizantes da lei.
" Ã impossível, no entanto, dizer se os jogos deixam crianças e adolescentes
mais violentos. Digo apenas
que seria melhor se os jogos apresentassem desafios, como os do esporte,
trazendo outras emoções para os
usuários não relacionadas à violência " diz a pedagoga Clary Sapiro,
pesquisadora do Instituto de
Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Autor da proposta diz que objetivo é ajudar na educação
Temendo que alguns usuários não consigam discernir entre o fictício e o real e
que tal comportamento possa
gerar uma cultura de conivência com violência urbana tornando-a como algo
aceitável por parte dos menores,
a psicóloga Denise Ziliotto, do Conselho Regional de Psicologia, afirma que
este tema é passivo de um
profundo debate, Mas faz ressalvas à lei. Na opinião de Denise, a lei pode não
combater a violência de modo
expressivo, mas sim em casos isolados e inócuos.
" Na vida, ainda há maior exposição à violência, seja ela simbólica ou real, ao
contrário dos games, em que
o controle está nas mãos do jogador " diz.
Para o deputado Kalil Sehbe (PDT), autor do projeto, a proposta tem objetivos
de ajudar na educação
contribuir para a redução da violência. Para ele a ideia não é radical e está
limitada a proibir que
menores tenham acesso a jogos violentos quando quiserem, onde quiserem e por
quanto tempo quiserem.
" A lei proíbe apenas que eles joguem sozinhos em lan houses ou comprem nas
lojas. Ã como a bebida
alcoólica, que não pode ser vendida para menores. Se os pais quiserem, no
entanto, podem deixar os filhos
jogar em casa ou acompanhá-los nas lan houses " explica.
O que é
> Segundo o autor do projeto, o jogo é violento quando há cenas que simulam
crime ou uma agressão existente
no mundo real. Por exemplo, matar reféns de um sequestro.
(Se verificar em uma lista de jogos, são raros os games que fazem uso de tal
ato. Ao contrário de muitos
filmes de ação e de inúmeras novelas brasileiras que comummente fazem uso desse
tipo de violência sem
restrições de faixa etária)
> Não se encaixariam na lei games de fantasias, como lutas entre homens e
monstros lendários.
(Fica a pergunta: Porque Everquest foi considerado jogo violento em se tratando
de um conto fantástico?)
> Especialistas, porém, defendem que qualquer demonstração de violência, mesmo
fantasiosa, é suficiente
para que o jogo seja considerado violento.
Quem fiscaliza
> O projeto não define quem será responsável pela fiscalização.
> O texto diz apenas que a lei poderá ser regulamentada pelo Executivo (o que
incluiria definição de quem
fiscalizaria a venda ou o uso dos games).
> O Executivo não quis comentar o assunto, porque ainda não recebeu
oficialmente o projeto da Assembleia
Legislativa.
Onde é jogado
> Em console, ou seja, em um aparelho de video game tradicional (como
PlayStation), acoplado a uma
televisão, ou em computador.
> Pode-se jogar em rede pela internet, com jogadores espalhados pelo mundo, ou
por uma rede interna de
alguns computadores, normalmente, em uma lan house.
O que está proibido
> Se a lei for sancionada pela governadora Yeda Crusius, as lan houses não
poderão mais permitir que
menores de 18 anos usem o estabelecimento para jogar games considerados
violentos.
> Além disso, as lojas também estarão proibidas de vender esses jogos para
crianças e adolescentes.
Vale ressaltar que tal lei não fará diferença nenhuma na cultura dos usuários
de games violentos, pois em
grande parte, esses consumidores têm acesso ao conteúdo disponibilizado na
internet, com os download e
torrents.
Ao que parece, a luta política brasileira está chegando ao mundo dos games.
Enquanto que a Câmara dos
Deputados procura fechar cerco contra jogos considerados violentos (sabe-se lá
por quem)
o MINISTÃRIO DA CULTURA, em uma matéria colocada no site
(
http://www.cultura.gov.br/site/2008/05/10/livro-
diz-que-games-violentos-nao-criam-assassinos/), afirma o contrário quando diz
que Games violentos não criam
assassinos.
"...se você não tem tempo pra participar da criação de seus filhos, pode deixar
que GTA toma conta e
desenvolve. tenho certeza de que é bem menos violento do que o noticiário que
você já os deixa ver na tv???
sem se lembrar de que nem toda mídia é boa pra saúde mental."
O que resta saber é se a lei funciona para fechar o cerco contra games
violentos ou contra Lan-houses, pois
em momento algum cita fliperamas violentos disponibilizados nos bares e casas
de laser.
Enquanto muita gente procura elevar o nível de conhecimento e acesso ao mundo
digital, como visto no plano
do Governo de Inclusão Digital, muitos dos deputados, "eleitos pelo povo",
procuram uma posição polêmica
diante de um assunto que poderia ser resolvido com os simples rigor na censura
por faixa etária de idade.