No post passado nós contamos a história do Atari, que foi o primeiro videogame campeão de vendas, se tornando o brinquedo mais cobiçado dos anos 70 e início dos 80. Porém, depois de muitos erros, a empresa foi perdendo força, enquanto do outro lado do mundo surgia uma das maiores empresas do ramo: a Nintendo, uma líder mundial até os dias de hoje.
A Nintendo surgiu em 1889, fundada por Fusajiro Yamauchi. Nessa época a empresa produzia cartões e um baralho típico japonês. No ano de 1950, o bisneto do fundador, assinou um acordo com a Disney para que pudesse produzir cartões com os personagens da empresa americana.
Na década de 60, a Nintendo viveu seus piores momentos, pois seu presidente Hiroshi Yamauchi, perdeu o foco dos negócios, investindo em muitas áreas ao mesmo tempo, o que quase ocasionou a falência total da empresa.
Em 1970, devido as pressões do mercado dominado pela Atari, a Nintendo acabou também investindo em jogos eletrônicos. No ano de 1980 a empresa lançou seu primeiro "brinquedo eletrônico" chamado de Game & Watch, que se tornou um sucesso de vendas. Além disso, ela também produzia fliperamas.
Já em 1981, a empresa lança um dos jogos mais marcantes da história: Donkey Kong. Esse game revelou dois dos maiores personagens que a empresa criou: Mario e o próprio Donkey Kong.
Confira o gameplay desse clássico:
Com o enorme sucesso, a Nintendo decide produzir seu primeiro console doméstico, que recebeu o nome de Famicom. Ele foi lançado em 1983 no Japão e dois anos mais tarde nos E.U.A com o nome de NES (Nintendo Entertainment System). Esse console vendeu incríveis 60 milhões de unidades.
No ano de 1989, a empresa lançou outro super-sucesso de vendas: o Gameboy. Nesse mesmo ano a Nintendo vê seu primeiro inimigo surgir: a Sega, com o Mega Drive. Rapidamente a empresa dá uma bela resposta, lançando o Super Nintendo. Mesmo assim ela acabou perdendo grande fatia do mercado, mas isso foi por pouco tempo, pois com Super Mario World, Final Fantasy e Donkey Kong, rapidamente ela recuperou o domínio.
Conheça um jogo de Gameboy:
Masayuki Uemura o mesmo homem por trás do desenvolvimento do Famicom anos atrás, foi chamado para encabeçar a equipe que deveria desenvolver o videogame da próxima geração. E assim, no final de 1990, seria lançado no Japão o Super Famicom, que logo se tornou um sucesso. O console, por ser quase 2 anos mais novo que o concorrente, possuía gráficos e feitos audiovisuais bem mais sofisticados que o rival. Ele conseguia colocar até 256 cores simultaneamente na tela, de uma paleta de mais de 32.000 cores; movimentava sprites com efeitos de rotação, zoom e transparência; seu controle, apesar de não ser tão anatômico (parecia um osso) como o do Mega Drive, tinha 8 botões. Mas o poderoso videogame tinha um calcanhar de aquiles: o seu processador era muito lento, que rodava a apenas 3,57 MHz. Perdia de feio para o Mega Drive, que rodava a 7,67 MHz. Pode parecer pouca coisa, mas isso faria a diferença para o tipo de jogos lançado para cada console. O Super Famicom rodaria os RPGs (o gênero preferido dos japoneses, por isso o grande sucesso no Japão) com maior facilidade, pois são jogos "lentos" que não necessitavam tanto do processador. Já o Mega Drive se daria bem com jogos de esporte e plataforma. E assim, com o monopólio das melhores softhouses fazendo jogos exclusivos para o seu poderoso videogame (coisa que acontecia desde a época do Famicom), o Super Famicom rapidamente foi um sucesso estrondoso no Japão.
Mas a Nintendo cometeu um erro estratégico, e demorou a lançar o videogame no mercado americano. Apenas no final de 1991 é que o então Super Nintendo Entertainment System chegaria as lojas americanas, com um novo visual lembrando uma caixa de sapatos (é, a Nintendo nunca foi muito boa com o design de seus consoles) e na cor branca, seguindo o padrão do antecessor. Foi inicialmente vendido por US$ 200 e vinha acompanhado do jogo Super Mario World. Na Europa foi lançado algumas semanas depois e aqui na América do Sul só importando, hehe (só em 1993 ele viria para o Brasil pela Playtronic).
Porém, o domínio da Nintendo no mercado japonês não se repetiu nos mercados americano e europeu. Com a demora do lançamento do seu Super Nintendo, deu tempo de sobra para a Sega consolidar firmemente o Mega Drive/Genesis na Europa e EUA, com preços atrativos do console e games e uma agressiva campanha de marketing nos EUA. O Super Nintendo vendeu bem, mas como a Nintendo dominava o mercado de 8 Bits com o Nes, agora era a Sega que dominava o mercado de 16 Bits.
Foi então que a Nintendo levou o golpe mais duro da Sega, na forma de um ouriço azul: Sonic The Hedgehoc. Sega joga pesado e coloca o carismático personagem para competir com o Super Nintendo. E não é que o ouriço deu um cacete no Snes e no velho Mário? A Sonic-mania espalhou-se pelo mundo com o jogo de ação supremo, ajudando a Sega a continuar a vender seu 16 Bits com uma larga vantagem. Daquele jeito, nem com 500 Super Marios o Super Nintendo podia chegar perto.
Confira alguns clássicos do Super Nitendo
Somente em 1995 a Nintendo encontra um inimigo a altura: a Sony com seu poderoso PlayStation. Infelizmente o novo console da centenária empresa, o Nintendo 64, não era páreo para o lançamento da Sony, que usava um tecnologia muito superior na época: o CD.
O Maior Sucessso no N64:
Outro grande trunfo do PS1 foi o Memory Card, que permitia salvar o jogo e continuar do ponto em que havia parado. Claro que outros consoles mais antigos possuíam esse processo, porém era muito falho e em alguns jogos essa opção não existia.
O declínio desse potente console se iniciou em 2000, quando a Sony lançou uma versão menor dele, chamada de PSone. Nesse mesmo ano a Sony lançou o PlayStation 2, outro sucesso imbatível, dessa forma a empresa continuou ditando as regras no mercado de games.
Em 2006 o PlayStation 1 teve sue fim decretado, quando a Sony parou de produzi-lo.
Uma coisa que ainda sobrevive desse ícone é o controle, utilizado até hoje nos consoles da Sony, sendo considerado por muitos o melhor e mais versátil joystick já inventado.
O PlayStation 1 vendeu incríveis 100 milhões de unidades, sendo superado apenas por seu irmão mais novo.
No próximo post da série contaremos a história dos dois consoles que viveram a sombra dele, o Nintendo 64 e o DreamCast.