Quando a meio da tarde do primeiro dia da Games Convention no centro Leipzig Messe chegámos ao stand da Bethesda para o contacto com o jogo Fallout 3 foi impossível deixar de sentir um particular nervosismo miúdo. Afinal, a obra há muito esperada, depois de tantas imagens e vídeos, estava ali pronta para ser desfrutada pela imprensa. Numa sala pejada de monitores ligados a consolas 360 fomos convidados a escolher uma cadeira vaga e desencadear os primeiros passos a partir da mítica Vault 101.
Depois do assinalável êxito em The Elder Scrolls IV: Oblivion, através da ampla escala de liberdade de exploração, opções de desenvolvimento da personagem, interactividade com os NPC"s e respectivas consequências, a Bethesda arrancou para o universo Fallout e apresentou um cenário pós-apocalíptico da capital norte-americana DC, onde a nossa personagem terá de lutar pela sua sobrevivência; explorando áreas totalmente devastadas, cheias de radiação e onde a cada canto e instante espreitam inimigos em decomposição, alguns em estado de perfeita aberração. Cada escolha assume uma consequência imediata e desta vez são-no em número bastante superior a Oblivion, pelo que o percurso na evolução do jogo tem maiores ramificações.
Assim que assumimos as rédeas do jogo indicaram-nos o botão que permitia a abertura da Vault 101 para aceder ao exterior. Ã um momento único. Deixar para trás um espaço fechado, quase claustrofóbico, onde impera o ferro já velho pelo uso dado pelos sobreviventes que ali se refugiaram durante guerra nuclear.
Posto o pé no exterior começa a exploração, sem constrangimentos. Olha-se ao redor e não há pingo de natureza viva. A destruição espalha-se em proporções catastróficas, com chapas torcidas e árvores ainda de pé que mais se assemelham a esqueletos. O grafismo é ímpar, detalhado e sem quebras de frame rate que algumas vezes teimavam em aparecer em Oblivion. A nossa personagem leva consigo uma comum arma de fogo e quando dá os primeiros passos fá-los para encontrar o pai. A encimar umas colinas há uma larga estrutura de ferro, a Megaton, mais parecendo destroços de uma máquina voadora, vigiada e onde alguns sobreviventes permanecem isolados da ameaça exterior (sabem que lá fora podem morrer) e é para lá que vamos à procura de mais informação sobre o pai da personagem.
Os npc"s interagem entre si e alguns admitem dar informação em troca de serviços ou dinheiro. Conforme as respostas assim se moldará a personalidade e atitude da nossa personagem: se ponderada e capaz de ajudar ou então preparada a liquidar qualquer esperança de vida. Dentro desta actuação e depois através do segmento relativo aos combates vamos recebendo pontos que melhoram as habilidades, podendo dar primazia às que exercermos melhor adaptação. O conjunto de opções é considerável e de fácil compreensão, bem melhor que os menus de Oblivion.
Entretanto e enquanto a investigação sobre o nosso pai prossegue, com alguns npc agindo como verdadeiras sanguessugas, o dia transita para a noite, continuando a brilhar o potente motor gráfico que deixa a nu pormenores de relevo como reflexos em chapas, brilhos e zonas iluminadas por uma recôndita e ténue luz que vem de cima.
Cumpridos alguns dos objectivos, indicam-nos Washington como a próxima paragem, a cidade fantasma e com a claridade do nascer do dia, ainda que sob um céu nebuloso e pálido, ultrapassa-se um último cume para se estebelecer o primeiro contacto com DC mesmo à frente. Por breves instantes estala um quadro desolador e trágico que obriga a uma inevitável pausa de incredulidade. Até onde a vista alcança sobra senão horror.
Descemos a personagem por entre cascalho, pedras, terra e algumas estradas com asfalto arrancado pelo vivo rebentar das bombas. Podemos seleccionar uma perspectiva na primeira pessoa ou, em alternativa, uma câmara dará uma perspectiva na terceira pessoa, bem mais realista da que nos habituara em Oblivion. Convém evitar as poças de água contaminada com radioactividade. Um alerta desperta assim que há um primeiro contacto. Ã incrível ver personagens abatidas pela tragédia, conformadas e sujeitarem-se ao inevitável, mergulhando nessa água, numa espera agonizante que os levará a uma transformação mortal.
'Fallout 3' Screenshot 2
Este já era. Melhor, já foi.
Prosseguimos para onde nos leva o mapa e conseguimos sintonizar uma rádio. Alguém sobrevive num edifício de DC e escolhe discos com temas clássicos nova iorquinos da década 30 e 40. Ã um contexto único e arrebatador pela forma como se conjugam elementos tão díspares.
Mais à frente surgem os primeiros inimigos que não hesitam em por cobro a qualquer vivalma. Ã posto à prova o sistema de VATS, forma pausada e estratégica para enfrentar os perigos imediatos. O combate em tempo real com um inimigo interrompe-se e podemos escolher que zonas do corpo deverão ser atingidas. Este procedimento acrescenta uma vertente táctica que é posta em prática através da diversidade de inimigos que exigem diferentes abordagens e zonas específicas do alvo a atingir. No decurso do combate é possível aceder ao prático menu para mudar de equipamento, utilizando outras armas para fazer uma parelha de tiros. Depois é só observar o desenrolar do tiroteio em breves instantes cinematográficos.
Infelizmente o nosso tempo para experimentar Fallout 3 caminhou vertiginosamente para o fim. Sem esse limite era fácil lá continuar a desfrutar a obra até ao fim da tarde ou do dia. Foi um breve percurso que fizemos, mas suficiente para perceber que a Bethesda empenhou-se na construção do mundo Fallout, alargando a exploração, com imensos combates, diálogos melhorados, diferentes rumos para a nossa personagem e uma narrativa de permanente descoberta. O mundo pode deixar de ser como o conhecemos.
por
klmancha, fonte:
Eurogamer
Manda uma cidade pro ar! usando uma bomba atomica logo com algumas horas de jogo é d+++
Graficos bom, jogabilidade boa, enredo das quest melhor ainda nota 10