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Review de Shin Megami Tensei: Devil Survivor Overclocked para 3DS de GameTV

por Anônimo, fonte GameTV, data  editar remover




Shin Megami Tensei: Devil Survivor: Overclocked
19/10/2011 19:00 - Por Makson Lima


Lançado originalmente para Nintendo DS em 2009, Shin Megami Tensei: Devil Survivor: Overclocked (um dos jogos com maior nome de todos os tempos, mas nada que se compare ao ainda insuperável Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Raidou Kuzunoha vs. The Soulless Army) chega para o Nintendo 3DS numa esperta sacada de sua produtora Atlus, que anteviu a escassez de lançamentos do gênero para o portátil, tentando mais uma vez emplacar o excelente jogo de dois anos atrás.

Overclocked não é de maneira alguma um remake¸ mas sim uma adaptação do original, trazendo quesitos técnicos praticamente idênticos ao seu progenitor, mas com melhorias na jogabilidade que fazem toda diferença. Caso você tenha usado mais de 60 horas de sua vida no jogo original (como esse que aqui escreve) vai rapidamente sacar como as pequenas mudanças e incrementações que permeiam DSO fazem toda a diferença do mundo.

Demônios a dar com pau

2004 foi um ano feliz para os fãs de RPG japoneses, pois nesse ano o ocidente foi apresentado àquele que viria a ser um dos maiores, mais influentes e desafiadores jogos do gênero das últimas duas décadas: Shin Megami Tensei 3: Nocturne. O sucesso do game foi tão assombroso que nem mesmo a própria Atlus conseguiu entender direito o que estava acontecendo, já que, além de trazer uma jogabilidade distinta e uma dificuldade muito elevada, tratava-se de uma trama amarrada fortemente a ocultismo, demonologia e problemas sociais recorrentes muito graves. Cito isso aqui porque como você deve ter notado no nome do game analisado, Shin Megami Tensei – SMT – é uma especificação em comum para ambos. Nocturne tornou famosa uma série extremamente prolífera em terras japonesas desde os tempos de Nintendo 8-Bits e, por conta disso, a Atlus USA se viu na obrigação – marketeiramente falando – de acrescentar essa "definição" em todo e qualquer game relacionado, mesmo que de forma superficial, a saga.

Não cabe aqui explicar mais sobre, mas caso você curta um belo jogo de RPG e ainda não foi apresentado a pérolas como Persona, Digital Devil Saga, Devil Summoner etc, já está mais do que na hora de tirar o atraso. Você deve isso a si mesmo, saiba disso.

Devil Survivor, no game original em japonês Megami Ibunroku Devil Survivor – numa alusão evidente ao primeiro game da série Persona – traz diversos elementos semelhantes aos games no qual se encalça, mas, no entanto, traz outros que o tornam único não só dentro da saga, mas também dentro do gênero. Tudo que fez DS famoso há dois anos – a mistura entre RPG de estratégia e RPG com batalhas tradicionais com turnos, os diversos caminhos a seguir, o alto nível de desenvolvimento de personagem e a evoluída customização do seu time – estão de volta.

Os demônios e os adolescentes

Você assume o papel de um protagonista mudo e sem nome (é sua tarefa nomeá-lo e lhe dar voz ativa, escolhendo entre diferentes opções em momentos-chave do jogo) com cerca de 17 anos de idade que, junto com uns amigos de colégio – o geek Atsuro e a mimada Yuzu – se vê preso em uma catástrofe que não só vai mudar sua vida, mas também a de todos em Tóquio e, consequentemente, no mundo. Inicialmente culpando um vazamento de gás venenoso pelos túneis de metrô de Ikebukuro, o exército então decide decretar quarentena para diversas cidades ditas atingidas pela catástrofe.

Aos poucos, você descobre que o problema é muito maior do que parece ser. Seu primo, Naoya, um gênio da computação, alerta do perigo eminente abrindo mão de uma tecnologia criada por ele, os COMPs. COMPs são, a primeira vista, computadores portáteis comuns. O caos tem início mesmo quando um email macabro, denominado Laplace, é enviado para Atsuro e companhia. Com uma escrita típica de internet, premonições são listadas dando hora, local e forma como pessoas virão a morrer, inclusive você e seus camaradas. No decorrer da história, demônios começam a ser avistados em pontos isolados das cidades e logo estes mesmos demônios se tornam seus aliados na luta pela sobrevivência.

Em SMT, demônios – e outras entidades sobrenaturais, como anjos, deidades, divindades e demais seres mitológicos e folclóricos ostentados em culturas reais de nosso mundo – tem um papel fundamental para o funcionamento do game, e em DSO isso não é diferente.

Vale dizer que os personagens evoluem de forma absurda jogo adentro. Aqueles que pareciam adolescentes ordinários e de vida fácil se tornam adultos comprometidos com a sobrevivência e a salvação de seus semelhantes. Imagine cinco dias após a quarentena, sem água, luz, com alimentação escassa e demônios aterrorizando os sobreviventes e anunciando o fim dos tempos. O cenário é caótico e as reações são condizentes e muito bem feitas.

Pazuzu, o demôninho camarada

DSO é basicamente dividido em duas grandes partes: Os cenários de batalha e o mapa da cidade. Dentro destas duas jogabilidades distintas, o jogador terá 7 dias (a ser reconsiderado mais a frente) para tentar sobreviver ao apocalipse. Nas cidades, você poderá ingressar em eventos que consomem tempo – sempre meia hora – e dão continuidade a história. Os eventos são diversos e variam entre conversas com os membros de sua equipe, interação com outros sobreviventes – e aqui estão os momentos áureos do jogo – e ingressar em batalhas.

Além destas, você tem acesso ao seu COMP, podendo ver emails que recebe das pessoas que conhece (e podendo respondê-los), checar suas habilidades, os demônios de seu time, ler perfis dos personagens e, em especial, participar do Leilão ou fazer uso da Catedral das Sombras. Na Catedral, outra grande característica da série SMT toma forma, onde é possível fundir seus asseclas para dar origem a entidades ainda mais poderosas. Uma das grandes novidades do Devil Survivor original foi o Leilão de demônios, onde você pode – e deve – fazer uso de sua Macca (unidade monetária do submundo) para adquirir os monstros em questão. Não há opção de comprar equipamentos para seus personagens, então todo seu dinheiro será utilizado aqui. Não deixe de pagar seus lances para ganhar níveis e alcançar salas de leilões mais requintadas.

As batalhas sempre foram o ponto forte da série e em DV isso não é diferente. Ao ingressar em um embate, o famoso grid característico de jogos de RPG de estratégia como Tactics Ogre e Final Fantasy Tactics se torna o pano de fundo principal. Antes da batalha começar efetivamente, você deve selecionar seu time, escolhendo alguém para ser líder. Saiba que no caso da morte do líder, é game over no mesmo minuto e isso nos leva a uma outra grande característica de DSO: o jogo é extremamente difícil. Desses que você quer quebrar alguma coisa no processo (na impossibilidade de esfaquear alguém). Chega a ser frustrante, mesmo levando em consideração o alto nível de dificuldade que tornou a série famosa no passado. Além de customizar seu time, trazendo um par de demônios para cada humano, você pode "crackear" habilidades de inimigos para usá-las a seu favor. Feito tudo isso, é despachar os caras.

No mapa, a movimentação é clássica do gênero, com direito a nuances de terreno e bloqueios de movimentação. A diferença fica por conta da batalha em si, que se passa como nos RPGs japoneses tradicionais. 3 contra 3, cada time trazendo um líder que, ao ser eliminado, dá fim a luta. Outro elemento muito importante da série SMT tem destaque aqui, que é a fraqueza baseada em elementos da natureza, como gelo (bufu), fogo (agi) e vento (zan). Acertar as fraquezas concede um turno extra que pode e irá salvar sua pele em uma batalha decisiva. Todas as características – fraquezas e fortitudes – dos demônios inimigos podem ser vistas na tela superior do 3DS, exatamente como no DS.

Demônio além do relógio

Mas e as diferenças da versão de 3DS para a de DS? Em termos técnicos, não há quase nada novo aqui. Os gráficos continuam simples e todos em 2D e nem mesmo há animação para os sprites dos inimigos (levando em consideração que SMT Strange Journey, lançado também para DS, trazia animações para todos os monstros, não vejo porque não trazer tal incrementação para cá). O áudio soa melhor, já que o processador do 3DS é muito mais poderoso do que o de seu irmão mais velho. A trilha continua de alto nível, apesar de serem poucas faixas. O 3D está simplesmente ridículo, se limitando a uma aparição tímida na apresentação e na tela de press start. Depois disso, a opção é desativada pelo próprio game.

O destaque real fica por conta de um oitavo dia, que incrementa ainda mais os eventos finais do jogo. As opções tomadas por você durante a jogatina levam seu time para diversos caminhos diferentes, mesmo não havendo separação por alinhamento, como em outros jogos da série SMT. Dependendo de seu rumo, este oitavo dia não se faz presente, e essa é uma grande decepção, pois eu mesmo não cheguei a adentrar tal evento em minha primeira investida.

Outro ponto alto de Overclocked encontra-se no Compêndio de Demônios, opção presente em muitos SMT e que facilita e muito as coisas. Com a evolução de seu time, você pode registrá-los em seus COMPs para poder comprá-los posteriormente, caso eles sejam fundidos. É sempre bom ter muitos demônios a sua disposição, pois eles irão morrer muitas vezes e, pela primeira vez na série, é possível manter em seu estoque demônios iguais. Vale lembrar que todo seu HP é recuperado após uma batalha vencida, mas não pense que isso torna as coisas mais fáceis, porque para vencer, você precisará de muita estratégia.

A dublagem adicionada ao game caracteriza ainda mais os personagens, num nível já conhecido pelos fãs da Atlus. Ouso dizer que este game apresenta a maior quantidade de diálogos de todos os games da série até hoje. No entanto, enquanto alguns personagens se destacam por sua atuação, como Atsuro e Kaido, outros, como Midori e a grande parte dos NPCs, são irritantes. No geral, mais uma grande adição ao pacote.

Shin Megami Tensei: Devil Survivor: Overclocked é um grande game. Na opinião deste simples admirador de jogos de RPG japoneses, o melhor que o Nintendo 3DS tem a oferecer até agora. Não que isso queira dizer alguma coisa, já que seu acervo de jogos ainda encontra-se limitado. Com uma jogabilidade infinita, customização bastante evoluída, enredo atraente e muito bem escrito e todo aquele charme extra que só os fãs de SMT conseguem sacar, Overclocked é mais do que obrigatório. E não se esqueça de que está prometido para o segundo semestre do ano que vem Devil Survivor 2 e esse sim, feito exclusivamente para Nintendo 3DS.


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