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Review de Age of Empires: Online para PC de Eurogamer

por Anônimo, fonte Eurogamer, data  editar remover


O free-to-play sustentado em venda de conteúdo adicional é cada vez mais uma aposta séria das empresas de software como modelo de negócio para os videojogos. E este fenómeno não se limita apenas aos pequenos produtores Indie, mas a toda a indústria em geral. Gigantes como a Sony e Electronic Arts, Valve e Id Software, ninguém quer ficar de fora deste molde que provou poder ser altamente rentável e com um risco menor. Foi exatamente neste sentido que a Microsoft optou por uma medida arrojada, e decidiu fazer a transição de uma das suas séries mais adoradas, o Age of Empires, para uma versão exclusivamente online com imensas características de um MMO, livre de subscrição mensal, mas sustentado em vendas de conteúdo extra.

O desenvolvimento do novíssimo Age of Empires Online começou por estar a cargo da Robot Entertainment, nascida dos extintos Ensemble Studios, para mais tarde passar para as mãos da Gas Powered Games. Esta transição foi algo polémica para os fãs, mas sinceramente julgo que deverá ter algo a ver com a variedade de aspetos de design exigidos pelo jogo. Casar um RTS com um MMO, adicionando elementos RPG, dentro de um modelo free-to-play com micro transações não é tarefa fácil, e exige alguma abrangência de experiências. Apesar disso, este Age of Empires Online cai nalgumas armadilhas características dos MMO, e funciona mais em regime de macro transações, do que de micro transações típicas de outros jogos online free-to-play de sucesso. Mas já lá vamos.

A primeira coisa a fazer é escolher entre Gregos ou Egípcios, as duas civilizações disponíveis com o lançamento do jogo. Em breve estarão disponíveis as civilizações Persa e Celta. Existem algumas diferenças nas unidades disponíveis para cada civilização, mas as principais diferenças são meramente cosméticas. No meu caso os Egípcios ganharam, primeiro porque joguei com os Gregos durante a beta, mas principalmente porque têm disponíveis imponentes elefantes de guerra. A principal mudança, imediatamente percetível logo que começamos o jogo, está ao nível da estética. Os ambientes realistas dos títulos anteriores da série foram substituídos por um estilo cartoon, com ambientes cheios de cor e animações, que se assemelham mais a um filme animado da Disney, do que a um Age of Empires tradicional. ?? de prever que alguns fãs mais conservadores olhem para esta mudança com desconfiança, ainda assim, de uma forma geral a estética está agradável, especialmente no que aos edifícios da nossa capital diz respeito.

A ação do jogo desenrola-se em dois campos bastante distintos, na nossa capital e nas missões (quests). A Nossa capital é a expressão máxima do nosso poder, e é também ela que expressa diretamente o nosso progresso no jogo. Digamos que funciona exatamente como uma personagem de um qualquer MMO. ?? medida que ganhamos experiência é a nossa capital que sobe de nível (até ao máximo de 40), e o equipamento que adquirimos durante as missões é equipado diretamente no gear hall da cidade. No palácio temos acesso a uma árvore de talentos onde podemos gastar os pontos que vamos ganhando com os níveis, dentro de três categorias à nossa escolha, economia, militar e utilidade, e assim especializar o império à nossa vontade. Existem ainda conselheiros que vão sendo desbloqueados à medida que avançamos nas épocas, e que atribuem um bónus à capital, dependendo do/s conselheiro/s que escolhemos (1 por cada época).

Claro que a melhor parte deste lado do jogo é a possibilidade de personalizar a capital ao nosso gosto, à medida que vamos adicionando elementos. Os planos para a construção de um inúmero conjunto de edifícios estão disponíveis através das lojas especializadas, mas também de várias missões, atribuídas pelos npcs que habitam a nossa capital, e que falaremos mais à frente. Todos os edifícios requerem um determinado número de materiais para construir, além do respetivo plano. Existem edifícios de vários tipos, lojas, edifícios para crafting, correios, casa dos conselheiros, arena, monumentos, uma espécie de armazéns onde podemos guardar todos os materiais que vamos ganhando, workshops que produzem vários tipos de recursos mesmo quando não estamos ligados, e ainda vários tipos de artefactos decorativos.

A personalização neste contexto torna-se um autêntico incentivo à criatividade. Primeiro porque é natural que os jogadores em contexto social sintam a necessidade de expressar de alguma forma a sua individualidade, é comum nos jogos online. E depois tendo em conta que a qualquer altura os outros jogadores podem visitar a vossa cidade, e gastar as moedas nas vossas lojas, tornar a cidade apelativa é importante para que se consiga distinguir de alguma forma. Enfim, imaginem uma mistura de World of Warcraft e Farmville, e temos a nossa "cidade personagem". Uma coisa é certa, torna-se quase uma obsessão colocar os edifícios todos direitinhos ao nosso gosto. A certa altura dei por mim a gastar fortunas só para construir um jardim e uma zona residencial, edifícios completamente opcionais que apenas acrescentam valor estético à capital.

Tratando-se de um MMO, o equipamento é fundamental. Conhecidos por serem gear dependant games (jogos que dependem do equipamento), os MMO utilizam o equipamento como uma das principais formas de distinguir os jogadores mais dedicados e poderosos, dos demais. Esta forma tradicional de estratificar os jogadores foi inteligentemente adaptada para Age of Empires Online. Na nossa capital temos um edifício chamado Gear Hall, dentro deste podemos adicionar uma série de equipamento às nossas unidades, que melhoram as capacidades destas durante as missões e batalhas. O equipamento é obtido sob forma de recompensa das missões, mas também através de um sistema de crafting, onde temos a opção de nos especializarmos em duas de cinco categorias, arqueiros, cavalaria, infantaria, engenharia, construção, artesãos ainda religião. Estas peças de equipamento depois de equipadas atribuem algum bónus, dependendo de quem a equipa, desde reforçar as defesas, aumentar o dano por uma pequena percentagem, ou mesmo diminuir o tempo que demora para treinar uma unidade.

O segundo campo principal onde se desenrola a ação são as quests, ou missões se preferirem. Estas estão disponíveis nos npcs que habitam a nossa capital e outras cidades, e são identificáveis por um ponto de exclamação amarelo nas suas cabeças (familiar?). ?? exatamente durante as missões que o jogo se transforma então no tradicional RTS que todos conhecemos dos títulos anteriores da série. Temos que treinar villagers, colecionar os recursos tradicionais (wood, food, stone e gold), construir edifícios, treinar unidades militares e combater os inimigos enquanto protegemos os edifícios da nossa cidade. Os objetivos das missões variam, desde construir um exército para derrotar um grupo inimigo, colecionar determinado número de recursos, proteger um aliado, aguentar um ataque frenético durante alguns minutos, construir um monumento, etc. Depois de completar o objetivo podemos voltar à nossa capital, entregar a quest e reclamar a recompensa, normalmente um conjunto de materiais, ou/e uma peça de equipamento. No combate durante as missões, as unidades funcionam no clássico sistema de pedra-papel-tesoura, ou seja, um tipo é mais eficiente contra uma determinada unidade, e correspondentemente mais frágil contra outra. O jogo inclui ainda uma opção elite nas missões, aumentando a dificuldade para os jogadores mais experientes, mas elevando também as recompensas no final.

Um dos aspetos que me irritou foi a estranha forma da I.A. se comportar quando controlamos um exército de tamanho "respeitável". Enquanto são apenas duas dezenas de unidades não há problema, e elas atacam os alvos pretendidos. Agora quando por exemplo executamos um ataque em grande escala, sempre que dentro da base inimiga, as nossas unidades pura e simplesmente recusam em obedecer aos nossos comandos e atacam tudo o que estiver à volta de forma aleatória, tornando aquilo que os jogadores de RTS mais experientes chamam de micromanagement, simplesmente impossível.

Várias missões permitem que joguemos em modo cooperativo, em grupo com um amigo. Apesar de conseguir ser divertido, o jogo não faz grande coisa para incentivar os jogadores a fazê-lo. Primeiro porque é raro que consigamos encontrar alguém do mesmo nível e com a mesma missão por completar. E segundo porque se decidirmos ajudar um amigo de nível inferior ao nosso numa determinada missão, não temos direito a recompensa. Apesar de isto ser o standard dos MMO, num RTS parece particularmente estranho. As missões são a principal fonte de recompensas, o problema é que é fácil ficar chateado depois de completarmos algumas. Muitas das missões até são bastante rápidas, mas obrigam a que façamos aquela fase inicial aborrecida onde temos que treinar villagers e construir a base toda. Depois quando terminamos a missão ficamos sem grande vontade de iniciar outra missão e começar tudo outra vez. Puro grind adaptado a um RTS, pelo menos foi novidade para mim.

A partir de nível seis somos convidados a participar na Spartan arena, na cidade Sparta PvP, em combates de 1v1 ou 2v2. O equilíbrio do sistema de matchmaking para já parece bom, mas ainda é muito cedo para julgar. Apenas podemos participar em ranked pvp se tivermos comprado uma civilização premium, e apenas a partir de nível 25. Neste sentido, se quiserem participar em batalhas competitivas ao mais alto nível, terão mesmo que comprar uma civilização premium.

Em termos globais, o design por detrás deste Age of Empires Online é bastante interessante. Gostei dos dois ritmos completamente diferentes enquanto estamos na capital, em comparação com o tempo que passamos dentro das missões. A diferença entre estes modos tão distintos de jogo permite a alternância entre relaxamento e ação, execução e planeamento, dispêndio de energia e recuperação. Enquanto estamos na nossa capital, passamos o tempo a visitar as cidades de outros jogadores, a gastar o nosso ouro e pontos de império, a planear a posição dos edifícios, a recolher as matérias-primas dos workshops, sempre de forma relaxada. Depois se ficarmos aborrecidos podemos iniciar uma, ou várias das missões disponíveis e mergulhar então numa experiência RTS clássica de Age of Empires, onde o ritmo de jogo é mais frenético.

Como em qualquer MMO, o mundo é persistente, neste caso particular, positivamente persistente. Ou seja, continuamos a ganhar recursos com o jogo parado, os outros jogadores podem continuar a visitar nossa capital e comprar nas nossas lojas, mas felizmente não a podem atacar. Assim, não existe o perigo de voltarmos ao jogo um dia só para encontrar a capital em ruínas. Adicionalmente é curioso notar que apesar de ser um jogo online, as mecânicas não exigem grande interação dos jogadores uns com os outros. Aliás, a interação assume um papel algo opcional, já que podemos completar tudo em modo single-player sem nunca utilizar o chat do jogo (que deixem-me dizer é um caos), nem nunca jogar um Co-op.

Voltando ao início, para fazer algumas considerações sobre o modelo de negócio adotado para este Age of Empires Online. Eu sei que nem todos os jogadores apreciam este tipo de modelo, e sinceramente também vi com desconfiança esta transição em particular, afinal o que eu queria mesmo era um Age of Empires 4, fiel à série. A Microsoft acabou por misturar micro transações com a venda de grandes pedaços de conteúdo, e complicou as coisas. Dentro da capital temos o Empire Bazaar, basicamente a loja de Age of Empires Online, onde podemos comprar conteúdo com dinheiro real. ?? venda temos desde artigos decorativos para a cidade (estátuas, plantas), os packs premium para as civilizações, um Booster pack que vem com missões especiais onde temos que defender a cidade de Crete, e até um season pack que disponibiliza todo o conteúdo que está e estará disponível durante a primeira temporada (as duas próximas civilizações incluídas).

Ora para poder jogar Age of Empires Online a sério (de forma competitiva), precisamos de comprar pelo menos uma das versões premium das civilizações, desbloqueando assim o ranked pvp, mais espaço nos armazéns, a possibilidade de equipar peças de valor raro e épico, mais conselheiros, e mais workshops a produzir materiais a toda a hora. Se optarem por ficar pela versão grátis, Age of Empires Online tem muitas horas de conteúdo para oferecer, no entanto, na minha opinião as restrições desta versão aproximam mais o jogo de um "demo gigante", do que propriamente um free-to-play com conteúdo opcional extra através de micro transações. Como qualquer MMO, a versão atual do jogo não representa o final, mas o ponto de partida de uma vida que se deseja que seja duradoura e repleta de experiências épicas para os jogadores. A quantidade e qualidade do conteúdo disponível na versão gratuita é suficiente para que não haja desculpa para não o experimentarem, principalmente se apreciam a série. Sinceramente duvido que justifique o preço do season pack, mas certamente justificará as civilizações premium, se tal como eu, lhe dedicarem alguma atenção.


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