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Review de Fragile Dreams: Farewell Ruins of the Moon para Wii de GameTV

por Anônimo, fonte GameTV, data  editar remover




Aparências. Quando o Wii chegou às lojas, ele foi menosprezado. Poucos acreditaram no seu poder de revolução, hoje provado em medição após medição de vendas pelo mundo. Ninguém poderia imaginar, também, que Nintendogs seria o jogo mais vendido da história do DS. Ou que a Sony, rainha da geração passada, ficaria comendo poeira.

Ninguém diria que Fragile Dreams, esse joguinho fofinho para o console fofinho, é mais adulto que Heavy Rain. Ele é.

Lançado no ocidente sem muita atenção ou carinho, a aventura de um único garoto andando pelos destroços de Tóquio surpreende, assusta, encanta. Fala de morte sem ser forçado, de solidão sem ser clichê e do que é ser uma criança completamente sozinha no mundo. Apesar de a jogabilidade não ter o mesmo nível, é tudo de uma profundidade em extinção no mundo de explosões e superproduções.

Cidade Silenciosa

Algo aconteceu na capital japonesa. Algo que derrubou prédios, pontes e praticamente acabou com a existência dos seres humanos. Seto, o herói, é um menino que cai no mundo depois de perder seu avô de criação, e enterrá-lo próximo ao observatório no qual os dois moravam. Seu único objetivo é chegar até uma torre onde, em teoria, existem outros sobreviventes do desastre... até que se encanta por ter encontrado uma garota de cabelos prateados no meio do caminho, e decide ir atrás dela também.

A jornada leva o pequeno protagonista por florestas, parques de diversões, hotéis e shoppings... todos enferrujados, decadentes e abandonados. Suas únicas companhias são os espíritos daqueles que morreram durante o desastree eventuais colegas que atravessam o seu caminho. Mas não se engane: na maior parte do tempo você estará sozinho.

Parte da descrição pode ter te lembrado da famosa série de terror da Konami ??? e não é por acaso. Fragile Dreams é como uma versão colorida, ???fofa???, de Silent Hill: Shattered Memories. O ponto principal da jogabilidade é a lanterna de Seto, controlada pelo controle remoto do Wii. ?? ela que, além de iluminar o caminho, revela mensagens secretas e denuncia inimigos escondidos. Ter a pequena luz nas mãos deixa a experiência mais imersiva, ainda que sem os detalhes gráficos da aventura de Harry Mason.

A exploração aqui, porém, exige mais atenção aos detalhes. ?? possível parar e observar com cuidado, dando zoom em partes do cenário para ler placas, descobrir itens e encontrar mensagens escondidas. E praticamente cada cantinho do jogo traz algo que ajuda a montar o quebra-cabeça do que está acontecendo com o mundo ??? e o que acontecia com as pessoas naquele momento.

Um único ponto contra nesse aspecto é que todas as placas e rabiscos estão em japonês... e nem todas têm legenda. ?? uma pena, mas quem não domina a língua oriental fatalmente perderá parte da experiência.

Também merecem destaque certos itens que o herói encontra abandonados por aí: balões estourados, sapatos, desenhos, dobraduras ??? objetos que carregam as memórias e histórias dos seus donos. Assim como nos contos de Lost Odyssey eles trazem pequenas histórias contadas em texto e por voz, que são contidas, mas juntas pintam o panorama triste de pessoas prontas a encarar o fim do mundo. Difícil ouvir alguns desses contos sem sentir os olhos marejarem.

Cada metro quadrado de Fragile Dreams merece ser explorado e analisado até o último grão. Não porque o jogo exige que você o faça. Simplesmente porque é tudo bonito demais para ser ignorado.

Paus, pedras e vassouras

Mas entre e uma maravilha e outra você logo começará a se perguntar como um jogo tão bonito ??? colorido, de personagens fofinhos ??? pode dar tanto medo. Tanto quanto um Silent Hill. De repente o WiiMote começa a vibrar e emitir um som estranho, e aí a calmaria se transforma em tensão. Logo, você se vê cercado de espíritos de meninas... mas só as suas pernas. Elas correm, cercando Seto, gritam ???aí vou eu???, num tom de deboche, e tentam derrubá-lo com chutes. Riem, saem correndo de novo, e somem.

Eles podem ser ???melecas voadoras???. Podem ser pastores alemães que babam fogo. Corvos, pombos ou uma mulher, toda branca, que chora quando você se aproxima. Não importa o que seja: você vai se assustar. Vai sentir o pelo do pescoço eriçar cada vez que o controle emitir algum som. O equilíbrio entre tranquilidade, apreensão e susto de Fragile Dreams é genial.

Mas isso leva também ao grande problema do jogo: o combate

Desde o primeiro encontro com os fantasmas já dá para perceber: as batalhas aqui são repetitivas, monótonas e definitivamente não se adaptam aos controles do jogo. Todos os encontros se resumem a iluminar o inimigo com a lanterna, apertar o botão A algumas vezes, correr para fugir de ataques e continuar no seu caminho. Não há estratégia, não há desafio de verdade. Nem há prazer em batalhar ??? um sisteminha interessante que seja.

A câmera também não ajuda, principalmente quando os encontros acontecem em salas mais apertadas. ?? impossível ter uma navegação precisa com a lanterna, e ao tentar encontrar os inimigos, tudo vira uma bagunça.

Ainda há dois outros agravantes: as armas podem quebrar e o espaço no seu inventário é extremamente limitado. Não são necessariamente problemas, pois fazem com que você pense melhor no que levar consigo, ainda que tudo possa ser guardado em uma grande maleta ilimitada nos Save Points. Esse, talvez, seja o único ponto interessante da mecânica.

Felizmente a maioria dos combates pode ser simplesmente ignorada. Você passa correndo, o encosto te esquece, e fim.O problema de fazer isso é a falta de níveis (e, consequentemente, de força) para encarar os chefes e outras batalhas obrigatórias. Encontrar os ???monstros??? é incrível. Enfrentá-los, um saco. Se a tri-Crescendo (que também trabalhou em Eternal Sonata, outro jogo belíssimo), tivesse tido, com a ação, a mesma presteza que teve na construção do mundo ??? se fosse tão divertido fazer uma coisa quanto é a outra ??? essa seria uma aventura pronta para ser imortalizada. Uma pena.

Ainda assim, esses problemas não conseguem apagar o que faz do jogo algo tão especial: os personagens. Ver as reações de Seto frente à morte, suicídio, solidão, amizade e amor cria um vínculo verdadeiro com quem está fora da TV. Provoca emoções verdadeiras em um mundo que, ao que parece, é de fantasia. ?? mais fácil se importar com o jovem de olhos grande do que com qualquer atropelamento ultrarrealista.

Por isso, jogue Fragile Dreams. Isso, claro, se você aguentar um pouco de sutileza. E não acreditar só no que acha que vê.


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