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Review de Shin Megami Tensei: Persona 3 para PS2 de E-Zine/MyGames

por Anônimo, fonte E-Zine/MyGames, data  editar remover


A saga Shin Megami Tensei da Atlus desde muito cedo marcou uma clivagem com os restantes títulos RPG que flutuam no mercado. Com um sentido estético muito próprio e um enfoque em temas mais sérios e adultos do que o típico JRPG de fantasia, a série conseguiu uma audiência fiel. Persona 3 chega agora à Europa e mantém o estilo inconfundível da série, se bem que à primeira vista engane.

Desta feita assumimos o papel de um aluno recém-chegado ao liceu de Gekkoukan, em Tóquio. Se no início tudo parece normal, a verdade é que Gekkoukan é o lar de um grupo especial de pessoas, os SEES (Specialized Extracurricular Execution Squad), uma organização incumbida de eliminar Shadows, seres que devoram mentes humanas durante a noite. A nossa personagem cedo descobre que possui habilidades únicas, que lhe permitem invocar uma série de Personas para o campo de batalha. Estas não são mais do que personalidades secundárias, retidas na sua memória, que podem ser materializadas quando se utiliza uma pistola chamada Evoker.

Logo aqui, Persona 3 demonstra a sua inclinação para imagens fortes e pouco consensuais, já que usar a Evoker implica apontá-la à nossa própria cabeça e premir o gatilho, uma acção recorrente e que originou uma forte celeuma em torno do jogo. Todos sabemos que o suicídio adolescente é um tema sensível no Japão e Estados Unidos.

Duas faces da mesma moeda


Como dissemos no início da análise, Persona 3 pode assustar alguns dos fiéis seguidores que esperam da série visuais mais soturnos. Isto porque o jogo começa num liceu comum, frequentado também por pessoas comuns, com as suas preocupações e problemas. Como qualquer aluno, vamos assistir a aulas, praticar desporto e falar com os nossos colegas. Estranho, pensarão alguns, mas basta bater a meia-noite para entrarmos na Dark Hour, altura em que a humanidade perde consciência da sua existência e as Shadows percorrem as ruas em busca de presas. A verdade é que Persona 3 precisa destes dois ambientes distintos para oferecer uma experiência diferente aos jogadores.

As actividades que escolhemos na escola e as pessoas com que falamos permitem à nossa personagem evoluir as suas Personas, ou mesmo desbloquear outras totalmente novas. Isto faz-se através de elos sociais, sendo que cada pessoa está ligada a uma espécie específica de Persona. Cada uma delas traz consigo uma série de habilidades especiais e afinidades com os elementos, e dominar tudo isto é fundamental durante os combates. A partir de determinado ponto, será mesmo possível combinar diferentes Personas, obtendo assim novas habilidades. O sistema é simples, mas os resultados podem ser imprevisíveis, pelo que convém pensar bem antes de sacrificar duas Personas que utilizamos muito em prol de um grande ponto de interrogação. Os resultados são quase sempre bons, mas o reverso da medalha também é possível.

Assim, o que à primeira vista parece apenas uma forma de cortar a relativa monotonia dos combates por turnos, cedo se torna parte integrante da jogabilidade. Fiquem desde já cientes de que é impossível desbloquear tudo o que existe em Persona 3 na primeira passagem pelo jogo. As opções de resposta e mesmo as pessoas com que decidem falar influenciam em grande medida o conteúdo do jogo, o que é apenas um pretexto para passarem as cerca de 50 horas de jogo múltiplas vezes.

A acção propriamente dita tem lugar durante a Dark Hour, dentro de um estranho arranha-céus que emerge do solo ao lado do liceu. Com o nome de Tartarus, as suas paredes carregadas de maldade serão uma constante durante todo o jogo. Dividido em várias áreas, cada uma delas defendida por um boss final, Tartarus pode tornar-se um cenário repetitivo ao fim de algum tempo. O ambiente não varia muito e não serão poucas as vezes em que voltar a níveis inferiores e lutar contra tudo o que nos aparece para subir de nível é necessário.

Mesmo assim, os bosses finais e o próprio sistema de combate ajudam bastante e impedem que o tédio se instale. Aqui, e ao contrário da norma, controlamos apenas a nossa personagem. As acções dos nossos companheiros são ditadas pela inteligência artificial, mas é possível guiá-las através de ordens chave, quase como o sistema presente em Final Fantasy XII. Se isto nos permite concentrar, há alturas em que a I.A. não toma as melhores opções, o que dificulta um pouco o progresso. Aliás, se há algo a dizer do combate em Persona 3, é que não decorre de forma tão fluida como em títulos anteriores. A I.A. é a grande culpada aqui, mas a pouca informação acerca das habilidades de cada Persona também não ajuda. A informação existe, é verdade, mas não é acessível sempre que necessário, o que nos obriga a estudar bem cada ataque e poder antes de atacar. Mesmo assim, pontos-chave da série continuam presentes. ?? possível descobrir a fraqueza dos nossos inimigos e adaptar os ataques para explorar essa falha. Sempre que isto acontece, o nosso oponente fica fora de combate durante algum tempo. Se conseguirmos fazer o mesmo a todos os adversários, podemos realizar um ataque especial que resulta em dano extra.

Velha máquina, novo aspecto


Mesmo com a sua idade, a PS2 continua a oferecer títulos cujo o aspecto não deixa nada a desejar. Persona 3 é um destes títulos, nem tanto pelo brilhantismo gráfico, mas pelo design das personagens e inimigos, bastante arrojado. Os gráficos em si cumprem bem a sua função, se bem que a repetição de ambientes em Tartarus irrite um pouco. Destaque para as sequências animadas que pontuam a estória. Anime de qualidade, dão-nos a impressão de estarmos a ver um episódio de Hellsing ou Gantz.

No campo sonoro, temos bastante diálogo vocalizado e aqui estamos perante uma faca de dois gumes. Se as vozes de determinadas personagens estão bem conseguidas e entregam linhas interessantes e carregadas de dramatismo, outras há que soam tão desenxabidas como uma cerveja que esteve ao sol durante horas.

Uma proposta diferente


No fundo, Shin Megami Tensei: Persona 3 mantém a tradição da série, o que em última análise é bastante bom. A uma mecânica de jogo clássica mas com elementos originais, junta-se uma estória forte e sombria que nos mantém agarrados ao ecrã até ao ecrã de Game Over. Pode pedir-se mais de um RPG?


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