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Review de Thor: God of Thunder para PS3 de Eurogamer

por ShadowsGamer, fonte Eurogamer, data  editar remover


Normalmente é uma análise circular; há o filme no cinema e o videojogo para prolongar o efeito visual, onde o primeiro é facilmente superior ao segundo. Contadas e devidamente representadas as excepções, poucos são aqueles estúdios e autores que trabalham corretamente com o produto que a audiência espera receber. Melhor: com o dever de o tornar minimamente uma opção realista daquilo que se viu no cinema, em vez de uma sensaborona e inapropriada cópia apressada. No fim, é a máquina de "merchandising" entre cinema e jogos que acaba por condicionar o resultado final e a responsável por estes "flops".

Estamos perante projectos inevitavelmente apressados, que são exigidos numa questão de meses, por contraponto às grandes produções, com anos de maturação, acrescendo a isso o escasso orçamento para a produção, o que leva a que santos da casa não façam milagres. Infelizmente, este é um esquema que se repete vezes sem conta todos os anos e, aparentemente, nada parece incomodar as editoras no sentido de inflectir a tendência e apostar numa realista divisão entre projectos para cinema e projectos para videojogo, no que poderia ser uma forma de lucrar em ambos os departamentos e deixar os interessados bem mais satisfeitos.

Thor: God of Thunder tem nome de God, e até se associa a um género semelhante ao Deus da Guerra, reforçado recentemente pelo rival de peso chamado Bayonetta, mas como jogo não é coisa nenhuma, nem sequer uma ténue tentativa de fazer crer que um argumento escrito para o cinema poderia ter algum relevo quando transformado num videojogo. Com efeito, apesar da correlação de personagens, o argumento é diferente e encerra um período prévio aos acontecimentos do filme, pelo menos assim parece. Isso significa que Asgard foi alvo de uma invasão por uma série de criaturas que derivam de um mundo de gelo, depois de ter sido libertada por Thor uma criatura maléfica, por iniciativa do irmão de Thor. Cabe por isso ao herói restaurar a paz e o quotidiano em Asgard.

Todavia, desde cedo desponta a sensação de uma narrativa pouco trabalhada e desinteressante. Com diálogos do tipo generalista comuns a uma série animada de Sábado de manhã que ninguém quer ver. Para piorar, a realização é sofrível, com diálogos enfraquecidos e uma sensação de progressão apressada, sem o mínimo cuidado de explicar e tornar cativantes momentos que mereceriam um outro fulgor.

?? fraca realização acresce ainda um trabalho de arte e construção gráfica que se situa claramente aquém de opções medianas congéneres de uma PS2. As animações não impressionam; alguns efeitos derivados da electricidade mereciam melhor tributo para uma personagem que, em princípio, deveria ser um Deus a lidar com ela esperando-se uma dimensão avassaladora. Nada disso. O que sobra é muito pouco e algumas vezes questionamo-nos se este é um jogo para ser levado a sério ou não passa de uma imprevisível paródia a God of War.

As personagens mantêm-se inexpressivas, pouco trabalhadas em aspecto e dimensão, reduzidas a um mínimo de actos, mais parecendo marionetas, movimentando-se de forma previsível. Desprovidas de carisma tal como os cenários e arenas de combate. Vazios que se sucedem de forma constante, sem nenhum interesse.

Assim e perante isto, quando se pensava que o esquema de jogabilidade poderia salvar o dia, eis que uma nova martelada afasta quaisquer esperanças. Os segmentos iniciais pretendem estabelecer uma imediata adaptação às combinações e poderes específicos da personagem. No entanto e não obstante a satisfatória quantidade de golpes em presença ??? muitos desbloqueáveis à medida que evoluem e descobrem objectos que aumentam a capacidade de saúde e de efeitos especiais ??? certo é que a execução é por vezes meramente impossível de atingir, sobretudo as longas complicadas combinações em virtude da péssima movimentação e "timming" da personagem.

Para piorar, por vezes é inexistente a sensação de se atingir devidamente o adversário, com movimentações escusadas da câmara automática que só dificultam a observação para o terreno de combate. Por outro lado os golpes especiais detêm animações fracas e não há aquela sensação de poder e capacidade devastadoras como são conhecidas noutras propostas, momentos que tendem a funcionar como um equilíbrio de forças nos combates contra criaturas de grandes dimensões e que aqui não alcançam um mínimo satisfatório desse efeito.

Existe uma hipótese para conjugar as tradicionais combinações com poderes especiais formados a partir de uma série de elementos que podem ser objecto de evolução e alteração em qualquer momento de combate, mas com uma execução e realização que está longe de surpreender. No final, esta ausência de espectacularidade significa que os adversários podem ser derrotados da mesma forma, sem qualquer compromisso entre domínio dos golpes tradicionais e estocadas finais.

Thor: God of Thunder é um jogo a evitar. A única utilidade que se lhe pode apontar será mais um firme para contributo para a tese sobejamente conhecida de que jogos fabricados a partir de filmes acabam mal. Apesar da renovação constante do argumento, os editores continuam convencidos (e talvez validados pela incúria de certos jogadores) que basta pôr um nome de um filme na capa de um jogo para vender alguma coisa. O resultado é este: um jogo sem qualquer identidade, mal realizado, pobre em argumento e sem novidade nas soluções em termos de jogabilidade.


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