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Review de Portal 2 para X360 de Outer Space

por ShadowsGamer, fonte Outer Space, data  editar remover


Lançado em 2007 como parte de uma coleção de jogos da Valve, Portal parecia apenas mais uma distração e um experimento da produtora de Half-Life. Mas o jogo acabou se destacando pelos puzzles brilhantes, um enredo cheio de bom humor e bordões como "O bolo é mentira". A repercussão foi mais positiva que a Valve imaginava, e motivou uma sequência, desta vez feita com a produção e tecnologia que as boas ideias do original merecem.



You Monster

Depois de carbonizar partes de GLaDOS e escapar das instalações de testes da Aperture Science, a sensação dos jogadores no final de Portal era de querer mais. Definitivamente, a única coisa que faltava no melhor jogo da Orange Box era uma duração de jogo ???comercial??? e não apenas algumas horas de êxtase. Portal 2 remedia isso com uma jornada de 15 horas e um excelente modo cooperativo onde dois jogadores terão sua criatividade testada na resolução de puzzles.

Portal 2 já começa com bom humor. Na primeira cena, os comandos básicos são ensinados ao jogador em um tutorial que parece uma ginástica laboral para cobaias de teste. Mais uma vez, o enredo envolve testar as criações da Aperture Science, só que agora várias décadas depois, em um laboratório que foi abandonado e está caindo aos pedaços mas ainda conta com a supervisão de inteligências artificiais como a temível GLaDOS.

A movimentação é a mesma de um FPS, mas Portal 2 é muito diferente da experiência de andar e atirar por corredores claustrofóbicos. O jogo é essencialmente um puzzle, cuja mecânica básica envolve o uso da criativa Aperture Science Handheld Portal Device -- uma arma capaz de criar túneis do nada. O funcionamento é simples: ao pressionar o gatilho direito do controle (ou botão direito do mouse), um portal de borda azul é criado. Pressionando o esquerdo, um portal de borda laranja aparece. Apenas dois portais são criados por vez, e ao atravessar qualquer um desses, o jogador sai no outro, como se fosse criado um túnel entre eles.

Até aí, nada de muito diferente daquilo que foi visto no primeiro Portal, mas com criatividade e alguns recursos novos a Valve conseguiu revigorar a fórmula de jogabilidade que nem teve tempo de se tornar repetitiva no primeiro jogo. Além de caixas, bolas de energia, botões vermelhos, elevadores, robôs de segurança e saltos absurdos usando quedas livres, alguns novos elementos aparecem em Portal 2, como é o caso de um tipo de mecanismo que arremessa o personagem no ar e, principalmente, dos géis, que alteram bastante a jogabilidade.

Existem três tipos de gel e todos são aplicados em efeitos visuais quase hipnotizantes, principalmente quando passam por portais em seu caminho. O gel branco serve para ser aplicado em superfícies para permitir a criação de portais onde antes não era possível. O gel propulsor laranja faz com que tudo que passe sobre ele tenha a velocidade aumentada, e o gel repulsor azul faz objetos e jogadores rebaterem no chão (ou paredes) como em uma cama elástica. Além de útil para resolver puzzles, este é bem divertido também.

Mesmo com tantos elementos e possibilidades, Portal 2 consegue ser um jogo acessível, sem cair na armadilha de criar desafios complexos demais para a maioria das pessoas. O design de fases é genial e o tipo de raciocínio que é exigido dos jogadores é inserido lentamente de uma forma didática e, ao mesmo tempo, divertida e estimulante.

A curva de aprendizado é bem suave e os jogadores ainda terão uma ótima sensação de recompensa ao solucionar puzzles cada vez mais incríveis e complexos, mas sempre lógicos e possíveis.

Still Alive

No primeiro Portal, praticamente todo o humor vinha dos monólogos de GLaDOS, a IA que controlava a Aperture Science e principal antagonista do jogo. Em Portal 2, temos também Wheatley, uma inteligência artificial com sotaque britânico que fala bastante por todo o jogo e é uma companhia extremamente engraçada. E como a cereja no topo do bolo, vale a pena citar a dupla cômica do modo cooperativo, mais um ponto positivo deste jogo.

O multiplayer cooperativo para Portal 2 só poderia ser criado por quem tem Half-Life, Team Fortress 2 e Left 4 Dead no catalógo. O estilo solitário do primeiro jogo parecia perfeito tanto do ponto de vista do enredo quanto de jogabilidade, mas por mais curioso que seja, a breve campanha com dois jogadores é tão envolvente quanto o singleplayer, pelos mesmos motivos.

Os personagens dos jogadores são dois robôs que interagem entre si de forma cômica, com gestos e danças, e precisam da camaradagem para vencer os puzzles propostos pela impiedosa GLaDOS. ?? muito diferente de um FPS cooperativo -- aqui é realmente necessário trabalho em conjunto e muitas vezes sincronizado para vencer os desafios e, como era de se esperar, com quatro portais e duas cabeças pensando, tudo fica mais complicado e desafiador. Não é incomum acertar um Portal no lugar errado e mandar o colega para a morte certa em espinhos na parede, ou então simplesmente ver trombadas em saltos que acabam com os dois jogadores ao mesmo tempo de forma tragicômica. E vale lembrar que com o Steam presente no PS3, quem estiver no PC pode jogar junto com o pessoal no console da Sony e vice-versa.

Mas apesar de superar o modo principal na dificuldade e engenhosidade dos puzzles, o cooperativo fica um pouco atrás na questão dos cenários. O primeiro Portal não era feio. Tinha um estilo de arte interessante, mas era despretensioso, coisa que o novo jogo remedia com uma ambientação mais complexa, que mostra as instalações da Aperture Science após anos de abandono, tomadas pela natureza e descaso.

Paredes estão ruindo e ocasionamente em movimento. Os laboratórios de teste invadidos por plantas e incompletos. Quase todo momento existe algo curioso para olhar, elevando ainda mais o nível do jogo. No modo cooperativo, o design visual das fases não é tão brilhante, talvez para comportar o game design de fato, mas também não compromete.



Apesar de não ser um pioneiro como o primeiro Portal, a sequência é mais caprichada, maior e tão criativa quanto o original. Os poucos personagens são sensacionais, assim como todo o roteiro e diálogos do jogo. Como se isso não fosse o suficiente para uma experiência incrível, os puzzles são inspirados e ao mesmo tempo desafiadores e intuitivos. Portal 2 pode ser, de alguma forma, mais do mesmo, mas é mais de um mesmo genial.

Pontos Fortes

- GLaDOS
- Roteiro excelente e bem humorado
- Puzzles engenhosos
- Curva de aprendizado perfeita

Pontos Fracos

- Nenhum


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