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Review de Silent Hill: Shattered Memories para Wii de GameTV

por Anônimo, fonte GameTV, data  editar remover




Vou confessar: me impressiono fácil. Por isso quando vi que Silent Hill: Shattered Memories passava aquela impressão de se estar assistindo a uma fita em um aparelho VHS com o cabeçote sujo, logo tive um mau pressentimento ??? que, como quando vi O Chamado no cinema, ficaria com medo da minha própria respiração durante todo o mês seguinte. Feliz e infelizmente, isso não aconteceu.

O segundo Silent Hill da inglesa Climax é uma recontagem do primeiro jogo da série, o que usou muito bem névoa espessa e paredes sangrentas para meter medo lá em 1999. Quem protagoniza a história é, novamente, Harry Mason, escritor que, depois de sofrer um acidente de carro durante a noite, se separa de sua filha Cheryl e decide revirar a cidade maldita para salvar sua prole. A franquia da Konami é famosa por seus truques, e a história é o primeiro deles: os personagens são os mesmos e a premissa é a mesma... mas é um jogo completamente diferente.

Por isso mesmo, fãs de velha data desse mundo perturbado podem se sentir mais estranhos do que o normal ao usar o controle do Wii para empunhar a lanterna do herói. A câmera dinâmica e cinematográfica dos games anteriores, por exemplo, foi substituída por um sistema de visão Resident Evil 5/Gears of War, com as costas do personagem ocupando a maior parte da tela ??? o que até incomoda às vezes e obriga o jogador a ???manobrar??? um pouco para ter uma visão total do cenário. Mas se isso faz com que o jogo perca na dramaticidade, ele ganha na imersão.

Bem-vindo de volta

Justamente: quem decidir receber o pesadelo de braços abertos encontrará o que talvez seja a experiência mais envolvente de todos os Silent Hill. Isso graças ao bom uso dos recursos do Wii e da criatividade macabra da Climax, que consegue criar tensão do mais puro nada. A brincadeira com luz e sombras é um bom exemplo: passar a lanterna por um bangalô cheio de animais empalhados é certeza de sustos, assim como pequenos barulhos de objetos caindo e ligações recebidas no celular de Harry ??? todas devidamente cheias de chiados e choros de criança.

Isso garantiu que a análise fosse feita em várias sessões curtas, com a luz acesa e alguém conversando do lado.

>O telefone do protagonista, aliás, é sua principal ??? e única ??? arma, substituindo o tradicional radinho mais os mapas, e tudo o que antes vinha em opções separadas. Ele pode até andar e consultar o aparelho ao mesmo tempo, sem tirar o jogador da ação ??? é um esquema imersivo introduzido com maestria em Dead Space (outro grande game de terror) e adaptado muito bem para o bolso do casaco de Harry.

Chiado no celular e luz da lanterna falhando? Quer dizer que tem alguma coisa errada por perto, mas não necessariamente uma enfermeira zumbi ou gigante com um facão na sua cola. Silent Hill está coberta de segredos e ???ecos??? de acontecimentos passados, e é com o celular que você os desvenda. Ao se aproximar de um objeto ???maldiçoado???, por exemplo, você receberá uma mensagem de texto ou voz que explica um pouco do que aconteceu ali. ??s vezes vem uma ligação. Em outras você pode ligar para algum número que vê num cartaz ou placa para tentar falar com alguém. Os habitantes da cidade estão vivos e, em tese, bem.

Isso traz outra mudança importante no clima do jogo. Se antes qualquer episódio da série dava desespero por parecer que você estava sozinho no meio de monstros, agora a impressão é a de estar igualmente só ??? mas rodeado de loucos. Ninguém entende Harry. Todos o levam para a direção errada.

A relação com os monstros também mudou bastante e é outro ponto que deve criar discórdia entre os cultistas da série. Agora eles não andam mais livres pelas ruas, mas, sim, se limitam aos ???Pesadelos???, o equivalente às versões ???más??? da cidade nas versões anteriores. Em vez de decadência e sangue, gelo. Tudo fica coberto por espessas camadas de água em estado sólido e povoado por criaturas bizarras, e aí é hora de correr ??? porque não existe jeito de lutar em Shattered Memories.

Bu

E aí o jogo passa de uma tensão terrível (no bom sentido) para um desespero incontrolável: é preciso levar o herói para fora do pesadelo, atravessando portas e subindo em plataformas devidamente indicadas por linhas azuis. Se você for alcançado por uma dessas criaturas, a escapatória vem com cotoveladas ou chacoalhões ??? tudo devidamente reconhecido pelos controles do Wii. Os mesmos movimentos servem para derrubar obstáculos na frente dos homenzinhos deformados, mas a dificuldade em ???mirar??? nos objetos faz essa mecânica não funcionar muito bem.

Mas é verdade que essa separação entre os dois ambientes pode quebrar um pouco do encanto macabro do jogo. Se você tem a certeza de que não correrá risco de morte enquanto a temperatura não cair abaixo de zero, não há o que temer, certo? Certo, se você for durão. Não, se você for um medroso como eu. Ainda mantenho que o suspense das partes sem inimigos é a parte mais perturbadora do jogo.

Outro aspecto interessante do novo Silent Hill é como a narrativa se desenrola. Cada parte da aventura de Harry é como um estágio, e entre uma e outra você estará no divã de um psiquiatra, respondendo se você tem problemas com bebida ou se era vagabundo na escola. O grande aviso em letras garrafais no início do jogo diz que ele brinca com você tanto quanto você brinca com ele, e isso é totalmente verdade: diga que você é fiel ao seu parceiro, e o game colocará um bordel no seu caminho. Diga que não vai com a cara da lei, e a policial Cybil Bennet passará de uma moça simpática a uma cretina sem disposição nenhuma a ajudar. São várias cidades dentro de uma só.

Mas apesar de ser forçado a manter as luzes acesas por mais tempo, algo me fazia sempre querer voltar à pele azarada de Harry para mais uma seção. Mais do que a simples busca pela pequena Cheryl, a culpa é dos vários mistérios criados pelo jogo: quem está mesmo sentado na cadeira do psiquiatra? Quem é o psiquiatra? Quem está filmando as gravações felizes do herói com sua filha? Quem é o casal misterioso que aparece morando na sua casa? Ele sempre morou mesmo lá?

São perguntas em cima de perguntas que fizeram respirar fundo e mergulhar um pouco mais no pesadelo. Talvez esse não seja o retorno triunfal da série depois dos fracos Origins e Homecoming ??? mas certamente é uma experiência única, que só funciona no Wii, e que é o mais próximo que se poderia chegar desse inferno perfeito.


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