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Review de SOCOM 4: U.S. Navy SEALs para PS3 de Eurogamer

por ShadowsGamer, fonte Eurogamer, data  editar remover


SOCOM: Special Forces, conhecido originalmente como SOCOM 4, é a mais recente entrega para a PlayStation 3 do exclusivo jogo de tática militar, produzido pelos veteranos da Zipper Interactive. A série SOCOM tem aparecido um pouco por todas as plataformas da Sony, sendo este último a segunda incursão pela consola de nova geração após o SOCOM: Confrontation, apesar deste último não ter estado ao cuidado do mesmo estúdio.

O novo SOCOM foi um dos pioneiros a mostrar a compatibilidade com o periférico para a PlayStation 3, o novo PlayStation Move. O jogo é compatível com o periférico, sendo um dos melhores jogos, fora dos ditos casuais, a fazer uso do PlayStation Move. Uma das principais razões de conseguir-se jogar de forma aceitável com o PlayStation Move deve-se ao facto de ser um jogo mais pausado, onde a ação se desenrola num espaço mais curto e fechado, onde na maioria das vezes os ataques inimigos são frontais, não obrigando a deslocações demasiado frenéticas. O mesmo não poderemos dizer dos modos online, onde o uso do Dualshock seja provavelmente a melhor opção. Mas aqui também fica presente um sentido de habituação, por isso, fica à escolha de cada jogador.

SOCOM: Special Forces é muito distinto na sua forma em termos dos modos multijogador e modo campanha. O jogo perde em qualidade gráfica, animações e solides de jogo nos modos multijogador e perde toda a estrutura tática, militar e de ataque "profissional" no modo campanha. Julgo poder dizer que no modo campanha não estamos perante um SOCOM tal é a diferença para com os jogos anteriores. O jogo é agora extremamente parecido com jogos como Uncharted, principalmente com o primeiro jogo. Bom ou mau? Já lá vamos.

No modo campanha iremos assumir os comando de Cullen Gray, um militar da NATO com um passado algo conturbado, que será desvendado aos poucos no desenrolar do jogo. Mas para além de controlarmos em grande parte do jogo Cullen, iremos também jogar com a militar Sul Coreana, chamada de "Quarenta e Cinco", que é uma das personagens principais do jogo. O nosso objetivo em comum é evitar um ataque das forças rebeldes, os Naga, ao estreito de Malaca, na Malásia. Este estreito é considerado um ponto extremamente importante para o controlo do tráfego marítimo comercial, principalmente na passagem do Pacífico para a Ásia.

SOCOM é considerado um jogo de ação tática militar onde teremos que aplicar diversas táticas de controlo das diversas equipas especializadas. Em quase todo o jogo estaremos acompanhados de pelo menos quatro militares, a já referida "Quarenta e Cinco", bem como de Chung, o seu companheiro coreano, e mais dois militares da NATO. Em conjunto estes dois grupos forma a Equipa Azul e Amarela, que podemos controlar dando ordens, usando o D-pad. As ordens apenas resumem-se a mandar avançar ambos ao mesmo tempo, ou apenas cada grupo para uma respetiva zona. Podemos também pedir que se mantenham perto de nós.

Algo interessante em SOCOM: Special Forces é que reconhece o idioma que estamos a jogar, e assim para além das vozes em português, Cullen Gray e seus dois companheiros da NATO são no fundo soldados portugueses, ostentando a bandeira de Portugal nas boinas, braços e peito. São pequenos pormenores sempre bem-vindos. Pegando na questão do português já é hora de as vozes dos jogos localizados para Portugal passem a ser diferentes. Com o número de jogos a chegar em português nos exclusivos Sony, começa a irritar termos sempre presente as mesmas vozes. A questão aqui não é se são ou não de qualidade, mas que sim que existe uma ligação instantânea com outros jogos. Para além de achar que muitas delas são demasiado infantis para algumas personagens.

Como referi no início, o jogo no modo campanha é mais um jogo de ação na terceira pessoa que um jogo de ação militar. As comparações com Uncharted são rapidamente vistas. Desde a forma de abordar cada embate, bem como em termos gráficos. Não esperem um nível gráfico igual a Uncharted, principalmente o segundo, mas é muito parecido em termos de construção dos níveis e forma de jogar. Dou um exemplo do nível onde estamos dentro de uma floresta, onde os inimigos estão colocados em posições mais elevadas, numa espécie de templo antigo em ruínas. Temos muros destruídos que funcionam como posições de cobertura. Saltamos assim de posição em posição até abater tudo e todos. Temos até os famosos snipers e a sua luz infravermelho sempre a perseguir-nos. Até quando morremos, a sensação desde a forma e música que acompanha parece que estamos a jogar Uncharted. Socom passou de um jogo mais tático, para algo muito mais de ação e espetáculo visual. Poderia ir ainda mais longe e afirmar que Cullen tem traços de Nathan Drake.

Para além das zonas mais de ação ainda temos zonas furtivas, onde não podemos ser vistos. Estas missões de infiltração são sempre de noite, e com a "Quarenta e cinco". Aqui temos uma barra lateral onde mostra o nosso grau de invisibilidade. Por isso teremos que fazer uso das sombras, de andar devagar e atacar os inimigos pela calada, ou de longe com a sniper. No fundo temos a "Quarenta e cinco" para os trabalhos de infiltração e Cullen o homem da ação. No início estas missões parecem interessantes, mas passado duas missões, tudo se resume à mesma coisa. Entrar, ativar alguma coisa e sair. Não é nada de horrendo, mas não traz novidade nenhuma ao género nem adiciona nada do esperado ao enredo.

Nestas missões de infiltração é onde existe a maior frustração do jogo. Tive que muitas vezes reiniciar o jogo pois quando começava um determinado nível, ainda nem tinha andado e já estava a ser descoberto. Ou muitas vezes, sem qualquer razão aparente, em sombra, com o nível de deteção de movimento no mínimo um soldado alertava para a minha presença, embora estando longe.

Apesar de ser um jogo linear, teremos sempre algumas variações por onde atacar. O armamento é o que não faltará. Para além do que trazemos connosco no início da missão, ainda podemos apanhar pelo caminho as armas e munições dos inimigos, bem como recarregar as atuais em caixotes de armamento. Existe também a possibilidade de subir o nível de cada arma, e apesar de isso estar presente não vi qualquer tipo de resultado prático dentro de cada categoria. Mudando de arma iremos claro notar diferença, mas dentro de cada atualização, tudo parece cingir-se a questões visuais, do algo como com ou sem mira telescópica, ou pelo menos mais espaço para balas.

Apesar dos nossos amigos não primarem por uma IA requintada, cumprem muito bem com o objetivo. O maior problema está quando dizemos para irem para algum lado, eles cumprirão com a ordem, mas mantêm-se no mesmo local, mesmo sabendo que estão a levar com chumbo por todos os lados. No calor da ação teremos que os chamar até nós. Como os soldados não morrem, pelo menos nunca acabaram por morrer definitivamente, pois podemos os curar, muitas vezes usei-os como carne para canhão. Fieis como um bom cão, cumprem até à morte as ordens.

O enredo do jogo é extremamente previsível, sem qualquer tipo de nuance ou algo que nos surpreenda. Apesar desta falta de inspiração, o guião está bem conseguido, sendo que as conversas nas cut-scenes revelam algum cuidado, e são no mínimo credíveis. De salientar que o jogo usa e abusa de palavrões, e isto no bom português. Se em Uncharted a palavra "merda" era proferida de forma constante, aqui iremos ouvir bem mais que isso. Bem mais... tais como a dita pela "Quarenta cinco", Seu filho da #%$#".

?? evidente a tentativa por parte da Zipper Interactive de agradar um maior público. Apesar de ser um jogo que cumpre como um todo, não deixa de ser algo estranho esta ausência de um sentido tático mais profundo, principalmente no uso da jogabilidade e armas. Não existe por exemplo qualquer tipo de jogabilidade com veículos, tudo se resume a andar em frente e disparar contra tudo que se mexe. Existem de forma pautada alguns "bosses/vagas" mais complicadas, mas nada de grave. O final esperava-se mais interessante e não tão seco.

Mas SOCOM: Special Forces não é só o modo campanha, que já agora demora cerca de 8 horas a ser cumprida na sua totalidade. O modo multijogador é uma grande parte do jogo. Mas, tal como acontece no modo campanha, onde existe uma associação com Uncharted, mas nunca o sendo, aqui a ligação é de imediata com M.A.G. O motor de jogo é o mesmo de M.A.G. embora no modo campanha profundamente melhorado.

O modo online continua a ser de certa forma algo confuso. M.A.G tinha essa particularidade, não sabendo muitas vez o que fazer. Não existe uma forte ligação de ajuda e de recuperação dos postos de controlo. Muitas vezes a sensação é a de "Todos ao molho e fé em deus". Uma das principais razões é o tamanho de cada mapa e diversas zonas onde podermos percorrer ou efetuar o respawn". Claro que não estamos a falar dos imensos jogadores num só local como em M.A.G., mas os 32 permitidos dão bem conta do recado para o molho.

Não esquecer que o jogo também poderá ser jogado em modo cooperativo, até cinco jogadores, em missões personalizadas. Iremos poder participar em jogos nos modos "Takedown" e "Espionage". Aqui a IA é a nossa, ou dos nossos companheiros, por isso esperem berrar muito por ajuda ou no mínimo quando os colegas não cumprem com as táticas previamente acordadas. No modos competitivos temos o Uplink, Last Defense, Supression e o novo Bomb Squad, todos eles configuráveis em termos de tempo, rondas, mapas, e ainda a possibilidade de podermos ligar e desligar o modo proteção, que está de volta à serie SOCOM.

SOCOM: Special Forces é um jogo que poderá provocar alguma desilusão aos mais clássicos, mas cativar aqueles que queiram um jogo mais de ação e espetáculo. A grande questão será se a Sony conseguirá passar essa imagem do jogo, pois muitos poderão colocar de lado a sua compra pensando em pressupostos que não correspondem à realidade, camuflados pelo nome do jogo. A compatibilidade com o Move é bem vinda, conferindo uma forma mais calma de se jogar, bem como a possibilidade de usar a nova Sharp Shooter, a qual foi produzida também com a ajuda da Zipper Interactive.


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Eurogamer
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