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Review de Monster Hunter 3 para Wii de Eurogamer

por Anônimo, fonte Eurogamer, data  editar remover


Os caçadores enfrentam uma corrente constante de desafios impossíveis. Cientes do que espera o jogador, é esta a mensagem que a equipa da Capcom opta por transmitir aos que dedicaram algum tempo a Monster Hunter Tri e ultrapassaram o primeiro verdadeiro obstáculo do jogo.

Com um título epónimo da acção, Monster Hunter coloca o jogador na pele de um caçador sisudo, cujo propósito na vida é responder às chamadas da guilda. ?? partida os propósitos passam por colher um punhado de cogumelos ou matar algumas criaturas menos afortunadas. Mas rapidamente a exigência sobe e ficamos a braços com monstros agressivos e literalmente capazes de nos destruir em três dentadas.

E, verdade seja dita, a início o desafio que estas bestas colocam à frente do jogador parece inultrapassável. Uma observação cuidada dos seus movimentos e a experiência que vem de explorar os locais de caça inúmeras vezes são meras exigências para os combater. Eventualmente, após meia hora de caça intensa o bicho cai desamparado, pronto a ser trinchado pelas mãos ensanguentadas do nosso avatar.
'Monster Hunter Tri' Screenshot 3

Imagem de marca desta iteração da série, os combates subaquáticos introduzem uma interessante variação na fórmula, dando azo a combates em que a movimentação é lenta mas completamente livre.

A alegria e satisfação que provém de alcançar esta vitória esfuma-se com a realização de que existem mais monstros para caçar. De que está sempre à espera um inimigo maior, mais poderoso, e ??? regra geral ??? mais feio. Monster Hunter sempre foi uma franquia responsável por emoções fortes e dificuldade exigente, e a grande conquista desta nova iteração reside em - sem abdicar dessas características ??? se ter tornado mais acessível para quem se aproxima da saga pela primeira vez.

Por estranho que soe, componente essencial deste jogo é o seu humor. Todos os diálogos estão pejados de piadas e trocadilhos, num contraste que resulta. Monster Hunter não pretende ser gratuitamente "violento". Os monstros ao morrerem jazem desamparados no chão apenas durante algum tempo (o suficiente para os trincharmos em busca de objectos) e depois desaparecem literalmente. As mutilações são raras e pertinentes à jogabilidade.

A qualquer momento podemos puxar do nosso "espeto para barbecue" e grelhar carne, acto que se revela um mini-jogo com um jovial acompanhamento musical. E, talvez por não tentar levar-se demasiado a sério, Monster Hunter consegue harmonizar ambos os aspectos com desenvoltura.
'Monster Hunter Tri' Screenshot 4

Não, este não está nem perto de ser o maior ou mais feio.

O "combate" permanece largamente inalterado das iterações anteriores, o que significa que não existe qualquer sistema que permita trancar o nosso caçador ao monstro em que pretende acertar. A câmara é livre e tem de ser manuseada pelo jogador, o que resulta em pura confusão em alguns momentos de maior acção. Mais do que "defeitos" estas são limitações conscientes. O combate em Monster Hunter é característico e, após o devido período de habituação, controlar a câmara torna-se acto inconsciente. Para quem regressa a série, nada de novo, portanto. Existem sete tipos de armas dotadas de características diferentes, e que se adaptam ao estilo de jogo de cada um. Nenhum tipo se mostra claramente superior a outro, e e existe um claro incentivo para o jogador se tornar um apto combatente com mais de um.

?? partida uma divisão essencial, entre armas que permitem bloquear os ataques dos monstros (quer dizer, a generalidade dos ataques) e as armas que exigem uma movimentação por antecipação e um uso minucioso da esquiva. A espada e escudo deixam-nos com uma grande mobilidade e permitem bloquear boa parte dos ataques.

Já a "Great Sword" atrapalha (e muito) os movimentos, e a sua lenta velocidade de ataque é compensada pelo elevado dano que causa. ?? um delicado equilíbrio entre vantagens e desvantagens que faz com que cada arma se adapte a uma forma específica de encarar o jogo, sem que nenhuma se destaque especialmente.

Algumas das caçadas têm lugar debaixo de água (normalmente só parcialmente). Na prática - além do ambiente inóspito e sentidode impotência face a bichos que têm uma mobilidade bem superior à nossa devido ao meio - a grande diferença reside na possibilidade de nos deslocarmos num eixo vertical.

O jogo oferece vários esquemas de controlo, ficando ao critério do jogador utilizar o Wii Remote e o Nunchuk ou o Classic Controller. Utilizar o remote implica adaptação ao reduzido número de botões disponíveis, passando a solução pelos sensores de movimento. Funcional, mas a opção ideal é optar pelo Classic Controller.

Moga Village é o ponto central do modo para um jogador. Lentamente adquirindo uma miríade de personagens com que podemos interagir, este é o local onde podemos comprar itens, organizar os nossos pertences ou melhorar as nossas armas e armadura no ferreiro. Cada monstro derrotado pode ser trinchado em troca de um item, sendo esses componentes essenciais para conseguir melhores armaduras e armas.
'Monster Hunter Tri' Screenshot 1

A Bowgun é a única arma de longo alcance, mas as particularidades associadas ao seu uso tornam-na uma escolha especialmente vocacionada para a caça em grupo.

Cada quest vem acompanhada de alguns itens que melhoram a nossa resistência ou recuperam vida, mas em quantidades que se mostrarão claramente insuficientes, a devida preparação é por isso incontornável. Explorar a floresta em busca de ervas, cogumelos e insectos é importante numa fase inicial, mas rapidamente ganhamos acesso à quinta da vila, onde podemos plantar os itens necessários em troca de pontos; acumulados caçando fora do contexto das quests ou trocados por alguns objectos específicos. Mais uma vez, a integração da busca de componentes e caça com as necessidades da vila que nos acolhe ajuda habilmente a esconder a repetição inerente a certos pontos do jogo, nomeadamente quando se tenta juntar tudo o necessário a constituir conjuntos de armadura para beneficiar das suas características específicas. Ou achavam que jeitinho e reflexos era tudo o que era preciso para que o caçador novato conseguisse destruir um enorme dragão? Ironicamente, são os prévios antagonistas, que tanto trabalho deram a conquistar, a fonte dos componentes utilizados para obter armadura e armas que estejam à altura.

Numa coexistência fraternal, o modo para um jogador é complementado pela componente online, que basicamente oferece desafios similares mas possibilitando que o jogador se integre numa equipa de até quatro jogadores para ultrapassar quests.
'Monster Hunter Tri' Screenshot 2

O pequeno Cha-Cha torna-se o nosso fiel ajudante no decorrer do modo para um jogador. Apesar de não causar muito dano, é especialmente útil para captar a atenção dos monstros, dando-nos tempo para recuperar a nossa condição. Além disso vai evoluindo com a experiência...

Os recursos gastos e acumulados são partilhados entre modos, mas o progresso nestes é completamente independente, incentivando-se assim uma experimentação simultânea de ambas as campanhas. Caçar em grupo revela a sinergia inerente às diferentes armas e abre extensas possibilidades de um ponto de vista táctico. O jogo suporta o Wii Speak e também teclados USB, sendo que quem não pode recorrer a estes meios tem acesso a um útil conjunto de frases relevantes ao alcance de alguns botões.

Do ponto de vista técnico, Monster Hunter Tri é do melhor que já se viu na consola da Nintendo, e, mais que isso, consegue oferecer a ilusão de ecossistemas interessantes, seja pela forma como os monstros neles se integram, seja pela ocasional paisagem excepcional. Ainda assim, o grande ponto de atracção continua a ser a peculiar inteligência artificial que controla os monstros, realmente bestial, no sentido em que a atitude dos inimigos é largamente irracional mas ainda assim agressiva. Inconstante o suficiente para que estes nunca caiam num padrão óbvio. Mantendo a tradição na série, a banda sonora nos embates mais importantes consegue arrancar uma resposta da nossa pulsação e realmente transmitir a noção de que o adversário é verdadeiramente poderoso.

O modo Arena coloca-nos o desafio de derrotar certos monstros em apertados espaços de tempo utilizando um dos conjuntos de armadura e arma disponibilizados. Além de um interessante desafio, a possibilidade de o fazer em modo de cooperação de até quatro jogadores (dois localmente, e quatro recorrendo à ligação online) traz um valor acrescentado a este jogo. Ao mesmo tempo, é também possível transferir a nossa identificação para o Wii Remote e levar as recompensas de uma "jogatana" em casa alheia para o nosso jogo.

A distinção calma exploração dos vários locais à disposição em busca de componentes ou para caçar monstros que a experiência revela inofensivos e a caça de verdadeiros tiranos da fauna, revela a natureza dicotómica de Monster Hunter que tanto é capaz de criar emoção e diversão como simplesmente providenciar entretenimento num contexto relaxado, conforme aquilo que o jogador no momento desejar.

Quando o monstro gigante que tanto nos tem dificultado a vida começa a fugir com um coxeio pronunciado, escapulindo-se pelos arredores para adiar a estocada final, Monster Hunter Tri faz sentir que toda a preparação, toda a gestão de recursos e o esforço de forjar aquela arma mais poderosa realmente valeu a pena. Com dezenas de horas de conteúdo e uma identidade própria, Monster Hunter Tri merece a atenção de qualquer possuidor de uma Wii.


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