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Review de Need for Speed: SHIFT 2: Unleashed para PC de Eurogamer

por ShadowsGamer, fonte Eurogamer, data  editar remover


Os adeptos do desporto automóvel não poderão condenar nos últimos anos a indústria de videojogos pela falta de oferta, quer em termos de qualidade, bem como diversidade e quantidade dentro do género. Mas quando se fala de simuladores, então aí a conversa é outra, quase podendo dizer que é como o futebol. Neste caso, qual o melhor simulador automóvel do mercado? Esta discussão poderia durar horas e no final não haveria certamente vencedores. Mas a pergunta mais importante de todas parece escapar aos jogadores, qual o jogo que consegue o maior equilibro entre todas as partes? Hoje poderemos ter um vencedor.

Colocando de lado os jogos arcades de corridas, existem poucos jogos que se poderão chamar de verdadeiros simuladores. Por um lado os PC têm fornecido jogos extremamente dedicados às comunidades, com preciosismos de simulação que parece mas uma simulação mecânica que outra coisa. Na realidade até é, e ainda me lembro de tirar dúvidas de afinação em LFS para poder atingir aquela velocidade ou margem de travagem desejada para melhorar o tempo. Esta importância já não se passava para o aspeto gráfico, algo deixado de lado, ou por falta de recursos ou até mesmo de tempo.

No outro espectro temos os jogos ditos de simulação, ou que se auto intitulam de simulação, mas que se esquecem que simulação automóvel é mais que gráficos e enormes conteúdos. Daí a pergunta se mantém, qual o jogo que consegue um maior equilíbrio entre partes? Shift 2: Unleashed, sequela do primeiro Need for Speed Shift de 2009, promete ser esse jogo, e talvez o seja.

Em primeiro lugar temos que levar em conta o estúdio de produção. O Slightly Mad Studios não é novato nestas andanças, tendo no seu currículo, via Blimey! Game, jogos tais como GTR e até mesmo GTR 2 e GT Legends, todos para PC. Os amantes das velocidades certamente conhecerão todos os títulos, e a sua qualidade em simulação. Shift 2: Unleashed é uma versão muito melhorada do seu anterior jogo. Consegue manter tudo aquilo que entregou no primeiro jogo, melhorando e retirando aquilo que de mau tinha.

Corridas de velocidade são isso mesmo. Velocidade, adrenalina, stress, bem como muitas vezes golpes de sorte e instinto na condução. Um carro de corrida é um monstro em termos de som e velocidade. Este é o maior feito de Shift 2: Unleashed. Consegue transmitir o que é estar dentro de um cockpit e ter mais de 300 cavalos a empurrar-nos e a sofremos as forças G. ?? impressionante a sensação que temos quando em alto som travamos para uma chicana e o carro parece que se vai rebentar todo. Rateres, barulhos das rodas e até parece que sentimos o metal do carro a se contorcer. Para não falar no próprio motor do carro, que é diferente em cada um, que é elevado a um estado máximo nas mudanças de velocidade. Poderão ver aqui um bom exemplo do poder sonoro e claro velocidade de um carro, como o Pagani Zonda R no programa Top Gear.

?? interessante começar uma análise de um jogo de automóveis e falar do som antes de tanta coisa. Mas posso até mesmo questionar qualquer pessoa. Quando vêem um carro a passar, ou vêem uma competição automóvel ao vivo, qual o som que debita dos cavalos de potência? Sim é enorme e é nervoso. Mas aqui o som vai mais além do carro. ?? interessante que é perfeitamente notório a preocupação com o detalhe do estúdio. Até mesmo ao passarmos por debaixo de pontes, ou até mesmo nos aproximarmos das barreiras de betão laterais, como por exemplo na descida após a meta em Spa-Francorchamps, onde sentimos o som a ser abafado na nossa lateral direita, sendo depois devolvido. Genial.

Mas passo para onde iremos estar a maior parte do tempo, pelo menos antes de passarmos para os modos online. O modo carreira está divido no típico progresso de eventos. Temos no início pouco dinheiro, que dará para comprar um dos primeiros, dos perto de 120 veículos que o jogo tem. Optei pelo Ford Focus, muito devido às possibilidade de personalização, tornando-o mais parecido com o veículo de ralis. Embora tenha sido sol de pouca dura, pois rapidamente consegui obter um veículo mais rápido e condizente com os novos desafios.

No modo carreira temos como objectivo final sermos o campeão do FIA GT1 World Championship. Mas até lá temos que roer muitas unhas e beijar muitos muros. O progresso baseia-se em pontos de experiência(XP) e no dinheiro adquirido para podermos modificar o nosso carro e comprar novos veículos. Tal como em Shift os XP são obtidos de diversas formas, quer ao cumprirmos com os objectivos principais de cada evento, como ficar nos primeiros três lugares ou simplesmente por obtermos a hot lap necessária para progredirmos. De salientar neste aspecto que o jogo é muito diversificado. Não nos obriga a fazer tudo correcto, deixando sempre margem de manobra para podermos voltar atrás e conseguir por exemplo o primeiro lugar em todos os eventos e, claro, mostrar isso aos nossos amigos pelo herdado AutoLog do Need for Speed: Hot Pursuit.

Os XP também são adquiridos por cumprirmos com objectivos secundários, como efectuar todos as curvas bem, dar uma volta sem bater ou errar, ou simplesmentemente por ultrapassar alguns lugares ou ter a melhor linha de condução. Estes XP adquiridos serão necessários não só para podermos "abrir" os próximos eventos, bem como para poderem desbloquear conteúdos, que vão desde novas peças, vinil ou até mesmo serem trocadas por dinheiro. Este último será usado para comprar novas partes, acessórios, mudanças no carro e até pinturas.

O modo carreira é muito flexível também porque não obriga a cumprir todos os eventos, principalmente nas modalidades consideradas extras, como o drifting. Se não gostarem de queimar pneu e são mais de provas longas, poderão saltar esses eventos e não serão prejudicados. Para cumprirmos cada evento nem sempre é algo que se poderá fazer à primeira. Muitas vezes, dependendo claro da destreza do piloto, teremos que amealhar primeiro XP e dinheiro para podermos alterar o nosso carro e poder ter aqueles cavalos extra que faltam para podermos ultrapassar os adversários.

Qualquer amante de carros tem o sonho de alterar o seu carro. Shift 2: Unleashed dá-nos essa possibilidade, podendo alterar imensas coisas em cada carro, quer a nível de mecânica como a nível estético. Aqui existe um grande salto em relação ao seu anterior ou até mesmo entre a sua concorrência, como Gran Turismo 5. Em Shift 2: Unleashed temos imensas variáveis para alterar. Claro que um condutor não habituado a mexer em tudo, deverá tentar correr no modo carreira em linha recta. Não somos "obrigados" a alterar o carro ao ínfimo pormenor para poder cumprir com os objectivos principais. Mas se quisermos ir mais além, ter tudo a 100% temos que o fazer. Principalmente quando as portas do online se abrirem para os milhões de jogadores havidos pela fama e claro as hot laps.

Para cada carro podemos guardar as nossas melhores configurações, muito úteis para trocar rapidamente a configuração mediante o circuito. Imaginem ter que alterar as mudanças da caixa de velocidades por cada vez que fossem para um novo circuito. Cada circuito tem as suas características, e se num a maior recta permite alongarmos a quinta e sexta mudança para atingir uma maior velocidade, noutras teremos que colocar as mudanças mais curtas, devido às frequentes curvas e distâncias em recta mais curtas. No fundo podemos criar o nosso carro à nossa maneira de conduzir.

O mesmo acontece com o aspecto do design de cada carro. Existem padrões de design já criados, configurando logo todo o carro. Mas também podemos criar o nosso design de raiz. Pessoalmente um jogo de simulador e não só, que não permita uma personalização, está longe dos padrões actuais do que é exigido. ?? claro que não basta dar as ferramentas, terá que fornecer todo um corpo que possa sustentar esse lado criativo. A este respeito poderemos tirar fotos de qualquer zona do jogo ou até gravar as provas para mais tarde recordar e claro partilhar com os amigos. Podemos assim pintar, colocar vinil, alterar os ailerons, pára-choques, saias, etc.

A nível gráfico Shift 2: Unleashed não é o melhor entre os seus pares, isto a nível dos veículos. Principalmente se olharmos apenas para os 200 veículos premium de Gran Turismo 5. De resto, bate aos pontos. Os veículos são todos oficiais, e podemos contar com super bombas como o Pagani Huayra, McLaren MP4-12C, ou até mesmo o GUMPERT Apollo. Os circuitos, 35 ao todo, com variantes que chegam aos 120, estão muito bem recriados. Alguns circuitos são localizações verdadeiras, outros circuitos são inspirações de locais reais. Aqui novamente Shift 2: Unleashed destaca-se. Os circuitos estão muito bem recriados, não apenas na sua componente de simulação, mas sim em todo o seu ambiente.

Não quero deixar de destacar os circuitos e todo o trabalho feito em cada um, cheios de pormenores. Quando falo em circuitos falo em tudo o que o compõe. O jogo vai ao ponto até de tornar os circuitos dinâmicos, principalmente no lixo que é deixado pelos pneus e folhas que levantam voo com a nossa passagem. ?? simplesmente genial ir atrás de um veículo que foge para a parte de fora de uma curva e velo atirar contra o nosso pára-brisas detritos e óleo. A atenção ao pormenor é elevada ao extremo nos eventos nocturnos. Aproveito para dizer que os circuitos poderão ser jogados de dia, noite ou no final da tarde no modo corrida rápida.

Nos eventos nocturnos o jogo demonstra toda a sua qualidade visual. Se bem que ou temos um PC todo artilhado ou iremos ter que reduzir bastante os detalhes, o AA e efeitos de luz e sombras. Já na versão consolas(PS3 versão testada), existe uma quebra de frame-rate quando existem demasiadas coisas no ecrã, principalmente nos circuitos nocturnos, que prejudica a jogabilidade. Colocando isso de parte estamos perante o que de melhor já se fez neste aspecto. ?? simplesmente fantástico ver todo o festim gráfico, os efeitos de luz e sombras criadas pelos faróis dos veículos. Aqui noite é mesmo noite. Não existem luzes artificiais a criar um ambiente mais visível. Aqui, em pistas fora das cidades, a escuridão é apenas quebrada pelos nossos faróis ou dos adversários. Dou um exemplo. Estás a conduzir em primeiro, e ninguém vem atrás de ti. A visibilidade é diminuta. Se algum adversário se aproximar de ti, a luz dos seus faróis irão iluminar a pista também, mas claro projectando a tua sombra, que a irás ver à tua frente ou nas laterais consoante a localização do carro. As sombras dos carros, e de tudo o que lhes rodeia reagem dinamicamente aos focos de luz. Aqui a luz e sombra não é apenas do normal, ter luz e não ter. Existe uma passagem suave por diversos níveis de sombra e sua transparência. Imaginem pegar em Alan Wake e todo o seu sistema de sombras e luz e o colocar ao serviço do automobilismo. ?? essa a ideia.

A nível de condução Shift 2: Unleashed tem duas versões. Com e sem volante. Acreditem a diferença é enorme, principalmente se optarem pela fantástica visão dentro do capacete. Mais uma vez o jogo é flexível. São jogadores mais virados para o arcade, sem se importando com o realismo na condução e afins? Então coloquem todas as ajudas e têm um jogo frenético, rápido e violento. Se são amantes do realismo, tentem jogar com volante, mudanças manuais, com a visão dentro do capacete e terão uma das melhores experiências no mundo da simulação automóvel. Isso é garantido.

Mas muitos após horas a jogar Shift 2: Unleashed poderão ficar com a sensação que muito mais poderia ser feito a nível de simulação. Principalmente a nível do resultado das falhas na condução, dos estragos nos carros e afins. A nível de mecânica julgo que nunca tive qualquer problema, sendo o maior desgaste a dos pneus, aí sim, com resultados evidentes como irem ao ponto de estourar no drifting. O jogo tem um sistema de danos convincente, principalmente quando o veículo fica completamente destruído. Rodas saem, vidros, pára-choques, pára-brisas etc, tudo fica no chão. ?? claro que estes estragos graves irão influenciar a condução, mas não chega ao ponto dos puristas em que um embate a 70 ou 80 Kmh já seria o bastante para nos tirar da prova.

Mas no geral o jogo cumpre muito bem, mantendo-se num meio termo, mas mais caído para o simulador puro do que o seu antecessor. A questão está nas cedências de "divertimento" para as massas. Uma saída, numa ligeira curva, à relva com a roda traseira a 200Kmh e com pneus slick não provoca quase nenhumas alterações na condução, principalmente com o volante. Mas quando isso acontece, quando por exemplo formos para dentro de um banco de areia, será muito complicado tirarmos de lá o carro. Algumas mudanças nos veículos também não são notadas tão precisamente. A maior é na caixa de velocidades, e claro na potência resultante do aumento de cavalos e estabilidade. Mas isso já são minúcias.

Um dos aspectos dos simuladores actuais é a falta de "respeito" para com o jogador nos modos campanha. ?? claro que nos modos online tudo depende do humano do lado de lá. Mas e as horas e horas que passamos no modo campanha? Não importa aqui a IA dos adversários? Não dará gosto ver dois carros à nossa frente em pleno despique, chegando ao ponto de baterem um contra o outro de forma real e conseguires passar entre os dois por uma unha negra? Sim conta, e Shift 2 tem isso muito bem recriado. Não será fácil conseguirmos as primeiras posições, principalmente nos níveis mais altos da IA. Competir numa prova até 16 jogadores foram muitas as vezes que consegui apenas vencer na última recta, e para isso valeu-me conseguir arrancar muito bem da grelha de partida(Sim temos aqui grelha de partida).

Shift 2 também herda de NFS: Hot Pursuit o sistema AutoLog, que é um fantástico complemento e quase como consciência sempre presente no jogo. Grava todas os nossos dados, melhores voltas, formas de jogar e veículos escolhidos para depois ire comparando com os nossos amigos. Isto quer online bem como offline. Seremos alertados sobre eventos recomendados pelos amigos e pelo Autolog, ou até se eles bateram os nossos recordes. Aqui a vingança serve-se fria. Ou seja, tudo aquilo que fazemos, os nossos amigos vêem, e vice-versa, criando uma sensação de comunidade enorme.

Nos modos online teremos a oportunidade em participar em corridas únicas até 12 jogadores e até em competições de duelo a eliminar. Neste último podemos entrar num campeonato, onde iremos correr contra outro adversário, aleatoriamente a nível mundial dentro de um grupo de seis fases. Temos também as corridas contra relógio, para podermos bater os tempos dos corredores online. Podemos personalizar o modo online, como por exemplo criar salas privadas, excelentes para podermos criar campeonatos. Aqui podemos definir os parâmetros da corrida, desde o tipo de carro permitido, número de voltas, circuito e afins.

Como já devem ter reparado, Shift 2: Unleashed entrou directamente para os jogos de simulação de topo. Como referi no início da análise, é tudo uma questão de equilíbrio. E perante toda a concorrência, Shift 2: Unleashed é o jogo actual que consegue fornecer de tudo um pouco, e em quase tudo elevar a fasquia da qualidade da simulação automóvel. Os estúdios Slightly Mad Studios foram desde a apresentação do jogo muito críticos contra a concorrência directa, elevando a sua criação acima dos padrões actuais. Tinham razão? Completamente. Shift 2 é nervoso, cheira a pneu gasto e sentimos a chapa a doer de tanta força e velocidade. Quem tem a paixão por carros e principalmente pela velocidade, Shift 2: Unleashed é uma escolha completamente obrigatória. Para todos os outros, ganhem unhas e venham experimentar.


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