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Review de Crysis 2 para PC de Outer Space

por ShadowsGamer, fonte Outer Space, data  editar remover


Sendo a sequência de um jogo que ficou famoso pelos gráficos de ponta, mas que poucas pessoas puderam jogar, Crysis 2 incita algumas dúvidas. Como serão os gráficos nos consoles? E aquele shooter que só podia ser bem apreciado em um PC caro é mesmo bom? As respostas são encontradas logo nos primeiros minutos do jogo e, espantosamente, são positivas.

Nova York, a preferida para a destruição
Quando se fala em apocalipse, Nova York costuma ser o cenário favorito dos designers. Inúmeros jogos e filmes retratam a metrópole americana como alvo de todo o tipo de desastre seja natural ou terrorista, e a equipe de Crysis 2 resolveu se valer desse cliché. O jogo começa com um vídeo explicando como a vida dos nova-iorquinos muda totalmente após um ataque alienígena e um vírus que acaba com a raça humana. O jogador, claro, é o responsável por tentar salvar o pouco que restou do mundo em que vivemos. Apesar da trama principal já ser conhecida, engana-se quem pensa que não havia mais espaço para a inovação.

Os primeiros minutos, aquela meia hora responsável por dizer se vale ou não a pena continuar jogando, exercem um papel fundamental na trama de Crysis 2. O jogador começa dentro de um submarino que sofre uma explosão e é jogado dentro de uma cidade devastada, totalmente em ruínas. O impacto visual é impressionante principalmente pela forma com que isso é apresentado logo no início da história. Um claustrofóbico corredor com apenas uma porta se abre para um universo surpreendente e decadente. Uma cena bem planejada e formulada para atender a todas as expectativas daqueles que jogarem Crysis 2.

Após esse súbito impulso de admiração, o enredo entra em uma espécie de torpor e adormece por algum tempo, deixando o jogador apenas apreciando a paisagem, mas sem emoções fortes. A história escrita por Richard K. Morgan, famoso escritor britânico de romances sci-fi, é boa, mas demora em pegar no tranco. Por quase duas horas o jogador só saberá que ganhou uma Nanosuit e que precisa sobreviver em meio ao que sobrou de uma cidade, mas nada do enredo é aprofundado. Surpreendentemente, tudo muda da metade para o fim e a história decola, revelando que a parte boa realmente estava guardada para o final.

Como se esperava, a qualidade gráfica é impressionante. São vários detalhes bem feitos em Crysis 2 que, quando agrupados, resultam em uma excepcional experiência virtual. As texturas em alta resolução e a boa modelagem do CryEngine rendem aqui belas cenas, como uma praça ainda com vida em meio à destruição e os prédios altos de Nova York que exibem suas janelas reflexivas.

Não serão raros os momentos em que se para tudo o que está fazendo para ver aquele edifício alto entrar em colapso levantando um monte de partículas para o céu. E essas foram cuidadosamente programadas para bloquear parte da luz. O surpreendente em Crysis 2 são os pequenos detalhes que não foram deixados de lado.

E a parte sonora em Crysis 2 -- tanto as músicas quanto os efeitos -- fica à altura de seu belo visual. Anunciada com orgulho pela EA, a participação de Hans Zimmer, compositor do filme A Origem e de Modern Warfare 2, se limita à música de introdução, mas não é um problema já que o trabalho dos demais músicos segue a mesma inspiração. E vale ressaltar que, em se tratando de um jogo tecnicamente tão bom, o efeito 5.1 é obrigatório para quem quer conhecer uma guerra em toda sua magnitude.

Quase genérico
Quando analisamos a jogabilidade de Crysis 2 percebemos que, lá no fundo, ele e um FPS bastante genérico. O jogo segue a fórmula comum dos jogos nesse gênero, como Killzone 3 ou Halo: Reach, com sequências de avançar, matar todos, ver uma cutscene e fazer tudo novamente. Não é de todo mal e há muito tempo vem sendo usada por grandes franquias, porém, como o jogo prima pela inovação na parte técnica, seria interessante ver um pouco de originalidade e inspiração sobrando também para a jogabilidade.

O maior defeito em todo o jogo vem da inteligência artificial do adversário, que beira o absurdo da burrice. O nível de dificuldade selecionado apenas modifica o dano que as armas dos inimigos podem causar, mas não muda o fato de que eles continuarão tomando decisões estúpidas e improváveis em momentos de tensão. Sempre que uma troca de tiros se inicia, o normal seria ver adversários buscando cobertura, certo? Não é isso que acontece em Crysis 2. Quando se atira em um soldado, todos os outros saem correndo de suas proteções no sentido do oponente. Aí basta tomar cobertura, apontar a arma para frente e sentar o dedo no gatilho que tudo estará resolvido. A maioria das batalhas acaba decepcionando bastante justamente pela péssima inteligência dos adversários.

A parte mais interessante na jogabilidade fica por conta da Nanosuit e suas habilidades de super-homem. Pressionando alguns botões pode-se perceber que a diversão é provar que se é um exército de um homem só. O traje especial permite ficar invisível, dando ao personagem uma jogabilidade furtiva que mal parece um FPS normal. Ele adquire uma super força capaz de chutar uma porta de aço como se fosse uma folha de compensado, pular muito mais alto do que o normal ou então transformar seu corpo em algo mais denso do que uma rocha, capaz de absorver a explosão de um tanque de combustível. As habilidades do Nanosuit são realmente divertidas e garantem boas cenas.

Se a AI não ajuda, chame os amigos
O multiplayer de Crysis 2 não chega a ser nenhuma surpresa graças ao beta aberto no PC e Xbox 360. Nele, jogadores escolhem suas classes e desfrutam das habilidades da Nanosuit. Curiosamente, graças às habilidades extras, todas as classes ficaram balanceadas tornando as partidas ainda mais empolgantes. Os franco-atiradores podem ficar invisíveis dificultando sua localização, enquanto os soldados de linha de frente abusam da vantagem da super armadura tornando-se mais resistentes e, consequentemente, mais mortíferos. Essa combinação faz o modo online parecer menos comum, porque na verdade é o que ele é assim como toda a jogabilidade.

Felizmente, quem se dá bem com Killzone, Halo ou Call of Duty se sentirá em casa na hora de se adaptar a Crysis 2. O jogo também usa um sistema de Perks como em CoD, onde no final de cada jogatina pontos podem ser gastos na compra de novas armas ou upgrades do traje.

Conclusão
Crysis 2 é um FPS genérico, aliás qual FPS não é? A essência de boa parte dos FPS que estão no mercado é encontrada em Crysis 2, porém, o CryEngine 3 faz até o mais genérico dos jogos ficar bonito e mais simpático. A Nova York destruída de Crysis 2 é colorida e cheia de efeitos de luze, tão belos que dá vontade de ir visitá-la. A inteligência artificial fraca é o defeito indiscutível do jogo, mas quem realmente quer desafio pode ir até o multiplayer e encontrar adversários bem mais competentes do que os encontrados no singleplayer.

Prós
  1. Gráficos excelentes até nos consoles;
  2. Som 5.1 envolvente e realista;
  3. Enredo bem elaborado;
  4. Habildiades da nanosuit dão um pouco de originalidade;
  5. Multiplayer online divertido.


Contras
  1. As primeiras horas não têm história definida;
  2. Inteligência artificial péssima;
  3. No geral a inovação toda fica restrita a parte gráfica.



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Outer Space
8/ 10
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