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Review de Dragon Quest VI: Realms of Revelation para DS de GameTV

por Anônimo, fonte GameTV, data  editar remover


Os fãs de jrpg e da série Dragon Quest tem muito que comemorar: pela primeira vez desde seu lançamento em dezembro de 1995, Dragon Quest VI chega oficialmente ao ocidente. No melhor estilo dos Final Fantasy de NES e SNES, Dragon Warrior (como a série foi originalmente chamada no ocidente) apresenta buracos em suas localizações: misteriosamente, os quatro primeiros de NES receberam uma tradução oficial para o inglês, e os dois de SNES ??? e também os remakes dos antigos ??? não. Enix e Squaresoft de mãos dadas desde muito cedo. Evidentemente que os fãs fervorosos (e que não entendem japonês) já deram um jeitinho de jogar com uma belíssima tradução feita por fãs em meados de 2001.

Lançado originalmente para Super Famicom, Dragon Quest VI: Realms of Revelation (no original em japonês, Land of Illusion) é o capítulo final da segunda trilogia conhecida como ???Zenithia Trilogy???, ou Trilogia do Castelo do Céu. Este episódio é também a parte final da série de três remakes lançados pela Square-Enix desde 2007, todos para Nintendo DS.

Vale lembrar que, de acordo com o pai da série, Yuji Horii, cada Dragon Quest é um jogo por si só. O fato dos seis primeiros serem separados em duas trilogias diz respeito a elementos em comum encontrados nos games. No caso desta última, o castelo do céu, conhecido como ???Zenithia???. Ou seja, você, jogador descompromissado que nunca jogou Dragon Quest na vida e está se perguntando ???será que vou perder algo se começar pelo sexto????, a resposta é não, não perderá.

A trama acompanha o herói mudo sem nome ??? característica de todos os jogos da série - em busca de respostas aos estranhos sonhos que vem tendo recentemente. Nestas viagens oníricas, ele e mais dois guerreiros enfrentam um grande mal, em uma espécie de mundo paralelo, posteriormente chamado de ???Phantom World???. Quando a cerimônia anual da vila de Weaver´s Peak acontece, um estranho fato toma forma: a irmã do herói é possuída pelo espírito da montanha ??? uma deusa reverenciada na vila ??? e diz ao jovem garoto que um obscuro destino o espera. E assim a aventura começa.

Como em todos os jogos da série Dragon Quest, este não faz diferente: o vilão principal e o objetivo final são apresentados logo nos primeiros minutos de jogo. A trama do jogo foca nos pequenos acontecimentos de cada lugar; na ajuda que você e seus camaradas darão a donzela que perdeu seu anel de cristal, na busca que farão pelo ferreiro desaparecido da cidade, ou na cabana de madeira que construirão para guardar as ferramentas de um velho guerreiro. O charme do jogo está em como essas pequenas missões se desenrolam. Sempre de maneiras interessantes, algumas vezes até mesmo engraçadas ou tensas, mas nunca deixando de ser divertido.

A trupe completa e já aclamada pelos fãs está de volta nessa nova iteração: Yuji Horii responsável pelos cenários, roteiro e direção geral, Akira Toriyama no design de monstros e personagens, Shintarou Majima na direção artística e Koichi Sugiyama remasterizando suas antigas composições. Composições estas que se encaixam magistralmente nos eventos e, sem elas, chegaria ao extremo de dizer que teríamos menos de 50% do impacto das cenas.

A importância da trilha sonora sempre foi extrema na série Dragon Quest (como também em muitas outras grandes séries de jrpg) e sem dúvida aqui não é diferente. Muitos fãs de longa data podem se preparar para se emocionarem com as velhas, queridas e muito conhecidas faixas musicais que retornam.

Seguindo o mesmo estilo artístico dos outros dois remakes para NDS, vemos uma engine que mistura cenários 3D muito coloridos e ricos em detalhes e personagens em sprites 2D. As duas telinhas do NDS se juntam para formar uma amplitude maior dos arredores e cenários, tornando a experiência ainda mais bela. Os botões L e R ainda servem para se obter outros ângulos de visão, encontrando assim aquele baú escondido atrás daquela loja de conveniência. Dragon Quest VI é um jogo bonito de se ver.

O detalhe nas pequenas coisas está presente em todos os lugares. Seja naquela cidade que tem arquitetura única e habitantes com vestimentas que não encontras em mais nenhum lugar, ou na forma com que cada npc é criado cuidadosamente para soar como alguém único.

Outro ponto áureo deste e dos outros remakes de NDS são os efeitos sonoros, que misturam sons belos e novos com sons antigos dos primeiros jogos de 8-bits. Isso dá um charme extra ao jogo que só quem curtiu as aventuras originais pode saborear. A faixa clássica que toca quando se passa de nível, ou a música familiar quando se consegue um item obrigatório.

Quanto às animações 2D, elas saltam aos olhos especialmente quando grandes criaturas surgem na tela. Algumas delas - como o dragão dourado da abertura, por exemplo - são ricamente animadas em cada uma de suas partes - cabeça, asas, braços, pernas - e isso dá um ar vívido aos pequenos sprites. Sprites tão lindos e ricamente animados só pude encontrar em clássicos como Mother 3 e Breath of Fire III e IV. Para sintetizar o sentimento: tudo exala nostalgia por todos os poros. Uma verdadeira mistura do novo com o arcaico.

Em termos de jogabilidade, Dragon Quest VI se sobressai em relação a diversos outros jogos da série. Depois de algumas horas de jogo, é oferecido ao jogador a opção de ingressar cada personagem do time em uma espécie de profissão, aqui dito ???vocation??? (muito parecido com o sistema de classes de Dragon Quest III e o de jobs de Final Fantasy III, V e X-2). Para citar alguns exemplos, você pode associar qualquer personagem de sua party à vocação de Warrior, aumentando assim seu HP e força dos ataques, ou pode transformá-lo em um Priest, com magias defensivas, ou Mage, com magias ofensivas, e diversas outras.


Conforme seus personagens evoluem, suas vocações acompanham e, posteriormente, há a possibilidade de misturar estilos para criar combinações ainda mais poderosas. O revés aqui é não poder mudar a classe quando quiser, sendo somente possível no local onde originalmente foi dada a opção. Além desse enorme leque de possibilidades, você também pode recrutar inimigos e usá-los a seu favor (sim, até mesmo Dragon Quest fez isso antes de Pokémon, com Shin Megami Tensei sendo o precursor absoluto da ideia). Um Slime pode ser usado nas batalhas, ingressar uma vocação, subir de nível e provar ao mundo que o sorridente e aparentemente inofensivo mascote azul pode vir a se tornar uma grande ameaça.

Um ponto que merece menção é a inutilização quase que completa da touch-screen e, consecutivamente, da stylus. Existem mini-games em algumas tavernas que fazem uso deste recurso, mas nada que valha muito a pena o tempo investido. Não creio que isso seja um contra, pois foi provado vezes o suficiente que jrpgs no DS funcionam melhor à moda antiga (com exceção, claro, dos dois Mario & Luigi).

O elemento que pode afastar os menos saudosistas são as famigeradas batalhas randômicas. ??, elas estão lá, são muito freqüentes tanto no world map quanto nas dungeons, e não há nada que possa ser feito. Eu, particularmente, não vejo problemas nisso, já que os embates são rápidos e divertidos. Característica da série, as lutas são travadas numa perspectiva em primeira pessoa do ponto de vista dos heróis, com os comandos de ação na tela debaixo e os status dos membros de sua party na tela de cima. Como na versão de SNES, somente quatro guerreiros ingressam na batalham, mas a novidade aqui é que, caso todos sejam aniquilados, outros heróis que estiverem no vagão ??? sim, um vagão puxado pela simpática égua Peggy Sue, com os membros da party, te acompanha pelo world map, mas não nas dungeons - partem pra cima. E, acredite, isso faz toda diferença.

A dificuldade é elevada e as dungeons são cruéis. Os inimigos às vezes aparecem às dúzias e podem te dizimar se entram na batalha com iniciativa. O segredo é não ter pressa, se dedicar às side-quests e acumular grana para equipar seus camaradas com o que de melhor cada cidade tem a oferecer. Os quick-saves (também presentes nos outros Dragon Quest de NDS) são uma dádiva, pena que só possíveis no world map. Então abuse deles para não se deparar com um monstro nada amigável e acabar na igreja mais próxima, sob os cuidados de um padre com passado duvidoso.

Que fique claro o seguinte: Dragon Quest talvez seja a única franquia hoje em dia que se mantenha fiel às suas raízes dos anos 80. ?? RPG japonês no sentido mais puro da concepção: batalhas randômicas e por turno, se passa num cenário fantástico-medieval, é encabeçado por heróis que salvam o mundo, vilões que querem acabar com o mundo, e toda aquelas pequenas histórias que se desenvolvem em meio a tudo isso. Para uns, isto pode ser motivo o bastante para manter uma distância segura. Para outros (como exemplo cito este que vos escreve) é algo a ser agraciado. Cada vez mais vemos desenvolvedores de jogos seguindo tendências e modismos e abandonando suas antigas fórmulas que os consagraram. Em meio a tantas terceirizações de franquias, existir uma que se atrele de forma tão intrínseca às suas origens é algo raro. Relíquia. Dragon Quest VI é um grande jogo. Só agradará aos fãs do gênero e não tem pretensão nenhuma de agregar novos seguidores. Ainda bem.


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