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Review de Dragon Age II para PS3 de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Nos últimos anos a Bioware tem estado imparável, parecendo que tudo aquilo proveniente daquele estúdio se transforma em "ouro". Em 2009 lançou Dragon Age: Origins, um dos melhores RPGs desta geração e o sucessor espiritual de Baldurs Gate. Poucos meses depois trouxe-nos Mass Effect 2, a sequela do título de 2008 que elevou a série a um novo patamar e conquistou tudo e todos com o seu charme. Ainda em 2010, chegou-nos Awekening, uma expansão para Dragon Age: Origins que apesar de não ter sido tão aclamada como o jogo, conseguiu receber críticas positivas. No início deste ano, Mass Effect 2, previamente só disponível para PC e Xbox 360, foi lançado na PlayStation 3 e sem surpresas, foi igualmente bem recebido como aconteceu nas outras plataformas. E agora, 18 meses após o lançamento do primeiro, foi lançado Dragon Age II.

A olhar para o percurso extraordinário que a Bioware realizou em menos de dois anos, é de julgar que esta sequela dê continuidade ao Winning streak do estúdio. A fasquia foi de tal maneira elevada que não se espera nada menos do que um produto excelente. ?? uma daquelas situações em que a preocupação não está em superar a concorrência, mas sim em superarem-se a eles mesmos ou pelo menos em manter a mesma qualidade.

Ao primeiro olhar, Dragon Age II dá a sensação que deu um salto em relação ao anterior. Percebemos imediatamente que está mais simples, rápido e directo no combate, mas consegue manter a mesma complexidade. Tudo aquilo que era possível fazer no anterior conseguem fazer neste, podem pausar o combate e escolher a acção para cada membro da vossa party. A única verdadeira diferença é que o auto-fire deixou de existir, e agora sempre que quiserem atacar precisam de carregar no botão. A frase "Think like a general, fight like a spartan" descreve perfeitamente o sistema de combate em Dragon Age 2. Continua a ser um jogo estratégico e é possível jogá-lo dessa forma, mas o sistema de combate torna-o mais agradável e acessível para aqueles que não queiram explorar ao máximo a jogabilidade.

O mesmo problema acontece nas side-quests, em que os mesmos cenários são sempre reutilizados. Sempre que entrarem numa caverna (ou outro sítio), a caverna terá sempre o mesmo aspecto e mesmo mapa, e assim por em diante. Até o local onde os inimigos aparecem é o mesmo. Chega-se a ponto em que isto torna-se cansativo e desta forma perde-se alguma da vontade para realizar as side-quests que Dragon Age II oferece.

A Bioware habituou-nos a uma boa dose diálogos e Dragon Age II não é excepção. As escolhas das falas no diálogo mudaram ligeiramente. Quando chega a altura para Hawke falar surgem normalmente três opções (há casos em surgem mais): uma "boa", uma "engraçada/irónica" e uma "má". Em suma, está mais parecido com Mass Effect. Conforme as nossas escolhas/decisões, iremos ganhar a amizade ou rivalidade dos nossos companheiros. O influência desta característica estende-se até ao combate, os nossos companheiros ganharão benefícios se tiverem a nossa amizade ou rivalidade.

Uma novidade que certamente não irá agradar aos mais dedicados ao género é a impossibilidade de alterar a armadura dos nossos companheiros, algo que dava para fazer em Origins. O equipamento que podemos mudar em Dragon Age II são as armas e os anéis e amuletos. Outra ligeira modificação passa pelas características do armamento, em Origins havia desvantagens e vantagens (por exemplo: + 10 de ataque e -5 de defesa), e agora apenas existem vantagens.

Ao bom estilo da Bioware, os nossos companheiros são personagens interessantes e fazem com que nos preocupemos com eles. Outra semelhança herdada de Mass Effect (Mass Effect 2 mais precisamente) são as missões para ajudar os nossos companheiros (ou missões de lealdade). Dando seguimento à tradição, é possível envolvermo-nos em relações amorosas. Isto é uma questão de opinião pessoal, mas senti-me mais envolvido com as personagens de Dragon Age 2 do que em Origins.

As Skill trees já não obrigam o jogador a gastar os preciosos pontos ganhos na subida de nível em habilidade que provavelmente nem irão usar. Em vez de assumirem um formato linear, as Skill Trees têm uma forma semelhante a uma teia que de certa forma nos deixa moldar como queremos evoluir as personagens. Adicionalmente, existem especializações que dão acesso a novas Skill Trees. Em Mage (classe que escolhi) é possível duas destas três ??? "Blood Mage", "Force Mage" e "Spirit Healer". Para contrastar, não é possível escolher especializações para os nossos companheiros. Na verdade cada um deles tem uma especialização, mas ao longo do jogo não é possível escolher mais.

?? quase preciso uma lupa para verificar a melhoria em gráficos e detalhes de Dragon Age II em relação ao seu antecessor, que continuam a não ser nada de especial, mas o objectivo da Bioware com esta série nunca foi impressionar o jogador a nível visual. No entanto a nível de desempenho tem alguns problemas incomodativos. Na versão Xbox 360 (a que foi analisada) os loadings são longos e quebras na framerate e breaks tendem a acontecer principalmente nas zonas com mais acção e quando o jogo está a transitar para uma cinemática. Poderão tentar suavizar os problemas ao instalarem o jogo no disco.

Dragon Age II começa com uma forte promessa de que consegue superar o seu antecessor, mas quanto mais jogava mais desiludido ficava. ?? menos épico, mais repetitivo e menos variado. A única coisa que está realmente melhor é o combate, porque de resto é um jogo inferior a Origins. A história mantém o jogador preso ao jogo porque está estruturada com essa função, dá a sensação que algo de especial irá acontecer, e quando se chega ao final do jogo fica-se insatisfeito porque sentimos que fomos enganados. Ao contrário de Mass Effect 2, que elevou e melhorou a série, Dragon Age 2 regride, é claramente um passo para trás. Continua a ser um bom RPG, com algumas falhas, e muito semelhante ao primeiro, mas se estão a pensar em iniciarem-se na saga Dragon Age, comprem Origins.

Outra diferença é que as histórias de origem deixaram de existir. Dragon Age II concentra-se completamente em uma única personagem, Hawke. Contudo, as opções de personalização não foram extintas, ainda é possível escolher a classe e aparência, não é obrigatório que o vosso Hawke fique igual aquele que é visto nos trailers. Tal como em Mass Effect, se possuem a gravação do título anterior, podem importá-la para a sequela, o que irá influenciar alguns detalhes.

Desta vez, a vossa missão não será salvar Ferelden de uma terrível Blight. Aliás, em Dragon Age II nem sequer é apresentado um objectivo principal, enquanto que em Origins sabíamos desde o princípio que a Main quest global era impedir a Blight e o Archedemon. Aqui a história desenvolve-se sem nunca sabermos como será o final do jogo. A atmosfera que se vive nesta sequela também é diferente, embora o jogo comece enquanto a Blight está a decorrer, algum tempo depois ouvimos que foi derrotada pelo herói de Ferelden.

Como seria de esperar, o ritmo e progressão são lentos e deixam o jogador perder e envolver-se neste universo rico e maravilhoso. Ao longo da jornada encontramos dezenas de entradas codex que explicam profundamente tudo aquilo que envolve Dragon Age. Adicionalmente, podem contar com uma boa quantidade de side-quests que adicionam horas extra à longevidade do jogo. Mas não estejam à espera que seja tão longo como Origins, mesmo completando grande parte das side-quests, demorei 30 horas a concluir Dragon Age II. Se a memória não me falha, a mesma tarefa no primeiro levou-me 50 horas.

O cenário principal em Dragon Age II é a cidade de Kirkwall, o jogo decorre praticamente neste local, o que ao princípio é aceitável pois a cidade é grande e está dividida em várias partes, porém, passado algumas horas começamos a sentir que é mais uma prisão de que uma cidade. Em Origins visitávamos uma grande variedade de cidades e cenários diferentes, uma característica que foi perdida nesta sequela. Há ocasiões em que saímos da cidade, numa delas vamos até às Deep Roads, mas não chegam para compensar a quantidade enorme de tempo que passamos em Kirkwall.


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