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Review de Kingdom Hearts Re: Coded para DS de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Em 2009 saía no Japão um novo jogo da franquia Kingdom Hearts, e o primeiro a aparecer em telemóveis. Coded, era o seu nome, e foi distribuído num total de 8 episódios ao longo do ano. Re:coded aprece-nos agora na Nintendo DS, depois de lançado no Japão, e é nada mais do que um remake de coded. As novidades passam assim por melhoria nos controlos, com uma jogabilidade que tenta aproximar-se de entradas mais recentes na franquia, e uma nova cara a nível visual, com um grafismo que vai muito de encontro àquilo visto em 358/2 Days. Isso e, como é claro, a inclusão de todos os episódios num só jogo.

Tal como os fãs da série deverão adivinhar esta não é uma nova entrada no caminho principal da série, mas mais uma caminhada para o lado. Relata acontecimentos posteriores a Kingdom Hearts 2 e começa por apresentar ao jogador os dois livros que representam as duas jornadas anteriores. Mas Jiminy Cricket descobre uma misteriosa mensagem no primeiro livro que causa de imediato grande alarme entre os compadres da Disney. O Rei Mickey ordena que seja construída uma engenhoca para analisar as páginas do livro, ao que Chip and Dale respondem de imediato com uma maquineta que mais parece saída do clássico de cinema Blade Runner. O trabalho passa por analisar as páginas corrompidas do livro e é aí que surge Sora metido ao barulho.

Ou melhor, de uma versão digital de Sora que vive dentro do livro e que vai então ajudar a descodificar o sucedido. Ora isto não somente parece rebuscado ??? é mesmo. A ideia de como tudo funciona é confusa, mas o melhor aqui é mesmo percebe-la como um pretexto para revisitar cenários antigos. Acontece que no mundo paralelo onde está Sora existem uma série de cubos misteriosos e Bugs para resolver. ?? disto que vão andar atrás durante todo o jogo. Sora não reconhece Mickey e, tal como disse, tudo surge como uma motivação para revisitar locais.

Não será uma surpresa dizer que vão começar por fazer algumas escolhas "morais" seguidas de uma passagem pelas Destiny Islands. E por aí fora. A grande novidade aqui prende-se pelas secções com Bugs, que representam no mundo real certas alterações, como o desaparecimento de portas ou impedimentos variados de passagem. Daí vem a necessidade de entrar nestes Bugs e derrotar todos os heartless.

Mas isto surge acima de tudo numa mecânica que invoca a realização de puzzles, que vão desde a forma como alcançam determinadas plataformas até ao descobrimento da forma como devem destruir um inimigo. Fazê-lo em tempo record e sem perder vida garante pontos extra. Os pontos podem ser trocados por recompensas, que vão desde os típicos consumíveis até peças únicas para a evolução da personagem.

O mecanismo de evolução da personagem assenta numa fórmula semelhante aos jogos Final Fantasy, na qual evoluem a personagem num sistema em árvore chamado Matriz. Existe alguma liberdade para o fazerem, já que é possível escolher caminhos distintos na Matriz, que levam ao desbloqueamento de novos poderes, que poderão ou não ser activados. A apresentação deste mecanismo é interessante já que assenta também ele na ideia e no espírito do jogo. Esta matriz diz respeito à evolução da personagem, poderes e equipamento. Alguns poderes podem ser combinados para melhor funcionamento.

Na prática tudo isto funciona, mas umas coisas melhor que outras. Enquanto jogo de plataforma Re:coded peca muito por culpa dos controlos, já que existem momentos que requerem grande precisão, quando no entanto a jogabilidade não a permite. Ou por culpa de saltos mal calculados e pouco precisos, ou da câmara que se torna irritante devido à falta de um controlo decente para a mesma, já que em determinados momentos o stick é mais um empecilho do que uma ajuda.

Já em combate isso não vos irá empatar muito já que é possível fazer lock em inimigos de forma fácil. O combate propriamente dito é fácil, ainda que repetitivo, de manusear. Não vão encontrar grandes dificuldades e as coisas até saem bem. Já na utilização de ataques e poderes especiais existem algumas falhas no funcionamento que podem levar à utilização errada de truques e items. Com o tempo são problemas que não matam, mas moem.

Com o evoluir da personagem poderão ainda despoletar por vezes ataques especiais que invocam sequências em estilo mini-jogo nas quais poderão ter que pressionar determinadas teclas, de determinada forma, como meio de criar um bom ataque. Um dos problemas do jogo é que nunca se consegue afastar da sua estrutura que é claramente criada na forma de episódios. Isto só ajuda a que a sucessão de acontecimentos seja algo completamente padronizada e com objectivos que por vezes não têm nada de atraente. A maior lufada de ar fresco no meio desta estrutura acaba por ser mesmo a utilização de níveis nos quais a jogabilidade torna outros rumos, como é o caso do side-scrolling.





Graficamente é um jogo cuidado, com um grafismo bem trabalhado a contar com cenários e personagens que nada devem aos apresentados na aventura original. A mesma receita seguem os menus em jogo e ainda mais as sequências vídeo que os fãs tanto apreciam. São muito bem trabalhadas. O mesmo se passa a nível de voice acting com caracterizações muito bem feitas. A banda sonora não traz novidades, algo que não irá no entanto impedir os fãs de rejubilarem, nomeadamente, com a sequência introdutória ou tantas outras aqui presentes. Mas mais uma vez, se procuram novidades não as esperem encontrar aqui. ?? o tal revisitar.

Incentivos para repetição podem ir desde a tentativa de obter todas as recompensas ou realizar scores altos nos níveis com bugs. Podem também revisitar mundos já completos de forma a procurar novos items O jogo apresenta ainda algo chamado Debug Reports, uma secção que vos permite rastrear estatísticas, rever pedaços da história, informações sobre personagens ou ainda desbloquear alguns troféus.

Kingdom Hearts re:coded é um produto decente, mas que nunca pode ser considerado um avanço na série. Se é isso que querem ou não vai depender de cada um. A sua estória apela a que seja interpretado como uma sequela, já que a motivação para esta jornada advém de um acontecimento posterior ao segundo jogo. No entanto isto leva a que a aventura seja um autêntico revisitar, com algumas mecânicas novas, mas que não são motivação suficiente para fazer deste um título de grande valor. Não é como se a necessidade de invadir e corrigir bugs repetitivamente em mundos já explorados seja aquilo que todos anseiam. Talvez os mais desesperados apenas.


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