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Review de Under Siege para PS3 de Eurogamer

por Anônimo, fonte Eurogamer, data  editar remover


Após um longo período de espera, finalmente a Seed Studios está pronta para entregar a primeira obra para a PlayStation Network feita por um estúdio nacional. ?? o primeiro produto feito em Portugal a alcançar um estatuto deste nível e seria com bom agrado que ficasse aqui marcado um momento na história da indústria, pelo menos na panorâmica deste "pequeno" país. Isto porque nunca anteriormente um trabalho "nosso" teve tanta visibilidade a nível mundial e surgir num dos mais famosos e acessíveis serviços de distribuição digital revela ao mesmo tempo ambição e uma enorme sobriedade no tratar dos procedimentos.



Este tipo de serviços são o palco adequado para os pequenos estúdios e muitos já saltaram para o estrelato usando esta porta, esperamos que este seja mais um exemplo. Certo que envolto em orgulho nacional tudo poderia ficar remetido para um endeusar oco, mas o trabalho da Seed Studios não necessita de tais vaidades, tem todo um mérito em figurar-se como uma proposta interessante e é já de antemão, mesmo antes do lançamento, esse tal marco.

Foi no final de 2008 que ficámos a saber que a Seed estava a trabalhar no primeiro projecto inteiramente Português para a PlayStation 3 e as informações foram saindo a conta gotas. O jogo estava previsto ser lançado em 2009, tendo sido na altura adiado para 2010 sendo esperado em Dezembro. No entanto, só agora em 2011 é que o produto está finalizado e está prestes a ser disponibilizado e tendo em conta o que foi feito no entretanto, é difícil argumentar que Under Siege seria um produto tão interessante caso tivesse sido lançado antes. Isto porque consoante a consola da Sony que o alberga foi ganhando novas adições e potencialidades, também Under Siege cresceu e ganhou novas ferramentas para se tornar mais maduro e competente.

Assim sendo, partindo então para o jogo propriamente dito, Under Siege é um jogo de estratégia em tempo real mas com mecânicas mais comuns no género RPG que lhe conferem um tom distinto e peculiar. Ao contrário do que poderiam esperar num tradicional jogo de estratégia em tempo real, aqui não temos que criar edifícios e procurar matéria-prima para aumentar recursos, criar mais tropas, disponibilizar novas construções e melhorias de equipamento. Não. ?? aqui que a componente RPG entra e nos oferece um esquema diferente, combinando com belo efeito os dois géneros. Os jogadores vão entrar num mundo que frequentemente nos fez lembrar O Senhor dos Anéis de Tolkien, muito devido ao admirável trabalho de arte, e conhecer a ameaça de estranhas criaturas que assolam o reino. Os três protagonistas que lideram o leque de personagens que vamos conhecer são as figuras de destaque no modo história e a seu lado vamos conhecer este mundo de fantasia.



Assim que cumpridos os tradicionais tutoriais, estamos então prontos para colocar em prática o que aprendemos. Under Siege dá destaque à narrativa através de pequenas sequências desempenhadas por personagens em jeito de desenho. Tudo completamente em Português obviamente. Passando então para o jogo, é chegada a hora de escolher as nossas tropas e aqui temos o espelho de todo o trabalho empregue em criar um produto de raiz para uma consola e para ser acessível. Em menus extremamente simples de navegar, escolhemos o tipo de soldado que queremos, existem vários diferentes com diferentes habilidades que oferecem várias abordagens e manobras de acção, e podemos adicionar até um máximo possível no momento. Neste mesmo menu podemos ainda aumentar o nível de experiência da equipa de soldados criada sendo que cada equipa é composta por elementos de uma única classe.

Assim que feitas as escolhas estamos prontos para iniciar o nível. Em cada um temos um objectivo que pode passar por defender pontos específicos ou deslocar até determinado local. Pelo meio vamos encontrando diversas adversidades que podem variar entre contornar obstáculos naturais a enfrentar mais uma ronda de guardas até desbravar caminho face a nova ronda de criaturas. Eis chegada a hora de abordar um dos pontos de maior importância numa experiência do género, os controlos. O valor máximo de Under Siege parece mesmo ser a acessibilidade e tudo é tão intuitivo e fácil de assimilar que Under siege pode mesmo ser considerado um dos melhores exemplos no género, para consolas, no que a controlos diz respeito.

As ordens como atacar e escolher ponto para onde as tropas se deslocam parece tão natural como se tivesse-mos a jogar com um rato e após breves minutos tornam-se quase automáticas. ?? nossa disposição temos ainda a opção de atribuir atalhos a esquadrões específicos e podemos criar até quatro atalhos diferentes, através do botão direccional. Isto permite de forma instantânea eleger um pré-determinado leque de esquadrões para abordar com maior velocidade a situação e assim enquadrar-se com as necessidades. Quando a controlar todos os diferentes esquadrões podemos alternar facilmente entre eles para quando queremos usar algum dos dois ataques especiais que cada um tem, específico à sua classe. A estratégia dá as mãos à simplicidade com uma sintonia que chega a ser surpreendente de tão natural que se sente.



Tal como referido, consoante a plataforma da Sony foi recebendo novos periféricos e melhorias também Under Siege cresceu. Com a adição do PlayStation Move, os jogadores ganham a possibilidade de controlar as batalhas através dos movimentos. Tendo sido feito a pensar na PlayStation 3, o uso do Dualshock 3 sente-se natural principalmente para os que mais tempo passam nas consolas, mas os que vão usar o PlayStation Move ganham acesso a uma experiência mais reforçada e ainda mais interessante. Com o apoio do Dualshock 3 ou do Navigation Controller, usamos o Move para controlar as tropas e dar ordens, navegando pelos mapas com enorme facilidade. O controlo por movimentos oferece também um pequeno reforço na imersão na jogabilidade pois dá aquele reforço extra à sensação de ordenar.

Sempre que cumprimos um novo capítulo com sucesso, recebemos a grande matéria prima que faz o jogo mover, o ouro. Ao terminar um capítulo as tropas recebem experiência, que é atribuída por esquadrão e não por classe, logo podem ter um grupo de soldados com nível 4 e outro de nível 2, por exemplo. Recebemos o ouro que nos permite, no iniciar de cada capítulo, aumentar o número máximo de unidades possível nesse esquadrão específico, comprar um novo nível de experiência para o esquadrão e ainda adicionar unidades a um esquadrão que tenha perdido alguma no capítulo anterior. Under Siege não nos força a repetir níveis para amealhar ouro e assim aumentar o nível dos esquadrões ou outras melhorias, o jogo prefere desafiar-nos dando apenas as ferramentas necessárias para o vencer e deixar que a nossa destreza faça o resto.

Todo o facilitismo em Under Siege diz unicamente respeito aos controlos e à curva de aprendizagem pois tudo o resto é trabalho engenhoso e criativo, especialmente face às limitações, pois por vezes torna-se difícil acreditar que estamos perante um produto PSN. No entanto, algumas mecânicas podem eventualmente começar a surgir como repetitivas e mesmo o ritmo de jogo pode fugir aos parâmetros do tradicional no género por força dos moldes RPG aqui introduzidos. Estes são provavelmente os principais parâmetros que vão decidir se o jogador se sente atraído ou não pelo jogo. A acessibilidade e o conjugar com o género RPG faz com que seja atractivo para uns mas eventualmente monótono para outros.



?? aqui que a Seed Studios introduz o elemento de criação de níveis e até de campanhas, já que até cut-scenes podem criar para dar vida à vossa visão do que se deveria passar no mundo concebido em Under Siege. Se a gravação de vídeos na campanha ou o tirar de fotos não está ao nível do exibicionismo que pretendem, podem mostrar os vossos dotes na criação de níveis que podem propor a outros jogadores. Apesar de qualquer um poder criar níveis com relativa facilidade, é aqui que as mentes mais dedicadas e adeptas do género vão conseguir retirar total proveito da profundidade que este editor pode alcançar. Os mais ferrenhos podem mesmo investir o tempo e conceber campanhas pois muito existe por onde escolher. Desde os elementos mais básicos como o ambiente do mapa e formação do terreno, podemos escolher o tamanho do mapa, construir na vertical, personalizar a iluminação e até as cores que predominam.

Este modo de edição, criação de níveis e campanhas elevam o jogo a um patamar quase infinito. ?? interessante ver a dedicação do estúdio neste aspecto, mostrando que eles mesmos levaram em conta o divertimento e criatividade dos jogadores. Existem tantos pormenores de edição dos níveis, que certamente iremos ver uma enorme variedade após o lançamento. O terreno é barro maneável nas nossas mãos e podemos moldar os mundos a nosso gosto. Desde vales, água, montanhas, adicionar neve em certos pontos e outros não, ou até mesmo definir o grau de complexidade dos elementos. Toda esta criação poderá ser aplicada depois em modos online multijogador. Porque não um jogo apenas com dois heróis? A comunidade é que decide.

Como não podia deixar de ser, temos também que colocar as tropas nos locais desejados e também eleger onde e de onde vão os inimigos surgir. Isto porque podemos atribuir comportamentos específicos aos diferentes esquadrões inimigos e, claro, definir o objectivo para a vitória. Dependendo da tarefa que o esquadrão inimigo está a exercer, guardar local ou a fazer uma ronda por exemplo, os desafios podem ser desenhados e imaginados para que outros jogadores de todo o mundo os possam conhecer. O delinear de comportamentos da inteligência artificial, que no modo para um jogador é implacável e não perdoa muito as falhas, e o criar das cut-scenes podem ser os processos que mais vão pedir de nós e podem afastar os criadores de ocasião. A recompensa vai ser para os mais dedicados que vão investir algum do seu tempo para realmente compreender tudo.

Para aqueles que não sentem qualquer vontade criativa dentro de si, a Seed Studios concebeu um modo para vários jogadores. Este é mais um elemento que beneficiou do tempo de desenvolvimento acima do esperado pois oferece-nos a possibilidade de recorrer à PlayStation Eye para dar a conhecer a todo o mundo a face que assola os campos de batalha. Aquele que é, para além do editor, o elemento que aumenta a longevidade oferece diversão aos que pretendem enfrentar jogadores de todo o mundo e reforça os valores do "pacote" no seu todo. Assim que terminada a aventura destes personagens e das suas tropas, temos então a possibilidade de enfrentar directamente amigos e quem sabe eventualmente sejam criados torneios entre a comunidade.

Dono de um trabalho de arte que nos surpreendeu a seu favor, Under Siege é um jogo que visualmente consegue ser competente chegando a ocasionalmente espantar. Podemos afastar ou aproximar a câmara do solo, aumentando ou diminuindo o detalhe, e é mesmo aconselhado que joguem num ponto intermédio pois muito afastado podemos perder a noção da acção e muito perto alguns elementos começam a transparecer alguma fraqueza. A existência de vários tipos de esquadrões e inimigos dá variedade às batalhas mas a inexistência dos personagens principais no campo de batalha não permite que obtenha uma dose de personalidade extra. Seria interessante controlar estes personagens na batalha nem que fosse enquanto comandantes do esquadrão. Fora pequenas minuciosidades, Under Siege é um jogo PlayStation Network que se mostra altamente competente no campo visual, principalmente pelo seu design artístico. Assim como na sua banda sonora que consegue estabelecer o ambiente e aqui sim, conferir alguma personalidade ao jogo.

Desde há algumas gerações de consolas que tenho seguido o género RTS e enquanto tive o prazer de conhecer bons exemplos no género que procuraram quebrar barreiras face aos supra-sumos do PC, raramente vi um que oferecesse o que aqui é proposto. Um género envolto em elementos que fora do seu habitat natural conseguem criar algo quase distinto que é altamente divertido e fácil de jogar, sem os tais rodeios e complexidades que tantos jogadores criticam no género, mas que por outro lado, os fãs tanto apreciam. Under Siege é uma proposta que se mostra firme e não tem medo de efectuar alguns compromissos pois mostra saber o que há muito se vinha a pedir no género para consolas, especialmente na PlayStation 3 e na sua PlayStation Network.

Para responder então à pergunta inicial. Sim, a julgar por Under Siege, o que é nacional é bom. ?? um jogo divertido e acessível mesmo para quem nunca ponderou o género, as ferramentas de criação e partilha de níveis, e até de campanhas, assim como os modos para vários jogadores dão um toque especial e a SEED Studios está de parabéns pelo seu trabalho. Consegue oferecer uma das propostas com maior valor de retorno em todo o catálogo do serviço. Além do mais, todo este mundo apresentado consegue cativar, ficando o mote para mais trabalhos do estúdio e ficamos à espera de um Under Siege 2.

8/10



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