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Review de LittleBigPlanet 2 para PS3 de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Quando se começou a formar o alinhamento para o actual ano de 2011, muitos eram os títulos que configuravam com elevado nível de interesse e expectativa entre as comunidades, um deles é este LittleBigPlanet 2. A primeira grande sequela a chegar durante este ano não tem uma tarefa fácil, mas a Media Molecule está preparada para pegar em tudo o que de bom o primeiro ofereceu e ainda adicionar a dose necessária de melhorias. Numa altura em que a indústria pedia algo diferente e fora dos moldes tradicionais baseados em experiências de tiros, o estúdio Britânico conseguiu criar uma nova propriedade intelectual diferente que apanhou um grupo de jogadores completamente desprevenidos. Posso dizer que a nível pessoal, LittleBigPlanet foi uma autêntica lição de humildade na medida em que me fez conhecer uma experiência aparentemente simples mas altamente cativante, que à primeira vista seria imediatamente colocada de lado por força de rótulos de casualidades e banalidades.

O certo é que não só engenho LittleBigPlanet mostrou, apresentou carácter, personalidade e acima de tudo alma. Foram esses elementos que conquistaram sem rodeios a sua comunidade que lhe retribuiu enorme respeito. Talvez por isso LittleBigPlanet 2 se sinta como um jogo pensado principalmente na comunidade e não só o faz ver na componente de criação como também na própria componente estória que oferece desafios e obstáculos muito acima dos que foram oferecidos no primeiro.

Olhando para LittleBigPlanet 2 não consigo estranhamente deixar de pensar numa conferência dada por Hideo Kojima na qual o homem da Konami referia os processos por detrás da criação dos consecutivos jogos da série Metal Gear Solid. Kojima referiu que o maior desafio era pegar no conceito existente e aplicar melhorias e elementos novos oferecendo uma sensação de um produto evoluído face às restrições de o criar na mesma plataforma que o anterior.

Tais filosofias e metodologias de trabalho pareceram completamente adequadas ao produto da Media Molecule pois tiveram como desafio pegar num produto agora consagrado e aplicar melhorias para o tornar fresco pouco tempo depois. Isto porque após varrer com todo o furor a indústria dos videojogos em 2008, pouco mais de dois anos depois a Media Molecule está pronta para nos brindar com a sequela que promete reforçar e salientar os valores máximos na origem desta experiência. A criatividade e a capacidade para o ser humano usar a sua mente de formas engenhosas e desafiantes para terceiros embrulhada num aparato visual fofo com o intuito de desarmar o jogador. LittleBigPlanet 2 já não conta com o factor surpresa que tanto ímpeto atribuiu ao original, mas conta com o seu valor máximo, a vontade de criar desafios inteligentes assentes numa jogabilidade aparentemente simples.

LittleBigPlanet 2 leva-nos de volta para o encantado mundo de Sackboy, um dos principais elementos de destaque na criação de um elo entre o jogador e o seu "eu" virtual, personalizável e repleto de carisma. Nesta sequela, o personagem chega novamente acompanhado por Nuno Markl e após o nível introdutório, Sackboy vê o seu mundo ser ameaçado por um aspirador inter-dimensional, o Negativitron, que aspira os mundos onde surge. Com a ajuda de Larry da Vinci, líder de um grupo chamado "A Aliança", Sackboy vai aprender todo um rol de novos movimentos e habilidades. Ao lado dos outros membros do grupo vai percorrer vários mundos e impedir que o aspirador consiga destruir o que de belo estes engenhosos inventores criaram. Os novos mundos são também eles bem reveladores da espantosa criatividade do estúdio e como puderem ver pelo nome do líder deste grupo, os temas aqui presentes são variados e ricos.

Num produto como este, partir para a exploração das novas ferramentas de criação seria uma enorme tentação mas antes disso a vontade maior foi mesmo a de conhecer a nova aventura de Sackboy. Rapidamente foi possível constatar que mesmo sabendo que é impossível quebrar as barreiras que ditam as suas limitações, que acima de tudo foram erguidas para promover a simplicidade e a acessibilidade. LittleBigPlanet 2 é um jogo muito mais rico sobre o seu predecessor, rico em todos os aspectos. Após enfrentar os primeiros níveis de Larry Da Vinci, que servem para nos reavivar a memória sobre a jogabilidade e os princípios básicos do jogo, conhecemos então os meandros pelos quais a nova experiência mais dinâmica ainda envereda.

Cada mundo tem agora uma mecânica específica inerente à progressão e para ultrapassar os desafios propostos vamos ter que a aprender a lidar. Os novos itens e ferramentas são altamente divertidos de usar e criar situações engraçadas. Apenas podemos imaginar o que a comunidade vai conseguir fazer com o que aqui é oferecido. Entre as novidades temos os pontos de ressaltos, blocos que nos projectam numa direcção específica e que colocados entre intervalos de blocos carregados de electricidade podem desafiar o jogador minimamente. Quando colocados em esquema sucessivo e ao lado de um chão que apenas se forma consoante vamos progredindo, podem oferecer uma combinação espantosa de jogo de ritmo com jogo de óptica. Outra das novas ferramentas parece insinuar que a Media Molecule andou a jogar Bionic Commando e surge precisamente na forma de um gancho que se fixa a materiais específicos do cenário. Essa componente tão importante e marcante do primeiro jogo, a matéria que dá vida aos mundos, surge aqui com uma vital importância no jogo de ritmo a nível de plataformas.

Usando o gancho temos uma progressão sobre o esquema do primeiro de saltar e agarrar a elementos do cenário. Temos a possibilidade de subir e descer na vertical para decidir o ângulo melhor à abordagem e pelo meio ainda temos que encadear o uso do gancho com pontos de ressalto. Por vezes temos que o usar para resolver puzzles e por vezes temos todo um jogo sagaz de mecânicas inteligentes que aprimoram sobre o primeiro jogo. Num dos níveis temos mesmo acesso a uma arma que dispara queques que se colam a pontos do cenário e ainda derrotam inimigos. Por certo conseguem imaginar que tipos de uso pode uma arma destas ter num jogo como este.

Há muito que gostaria de partilhar mas o encanto está mesmo na descoberta pessoal e no desfrutar pessoal da experiência e assim sendo, não vou estragar nenhuma das muitas lutas contra os "bosses" que revelam uma inspiração a todos os nível largamente superior à do primeiro. São várias as novidades prontas para desafiar os fãs do primeiro e todos os jogadores dos oito aos oitenta e caso o coleccionar de autocolantes e itens até à exaustão não seja o suficiente, e se jogar em cooperativo não estiver a ter o efeito desejado, a comunidade LittleBigPlanet pode então virar-se para o espantoso online e para a criação de mundos. Que a par de toda a experiência, subiu a parada.

Enquanto muitos vão correr para jogar a nova aventura de Sackboy, outros tantos vão a correr para enveredar pela componente de criação de LittleBigPlanet 2 e agora seria complemente errado dizer que apenas podemos criar níveis. Tal seria altamente limitado pois agora a evolução permite ao jogador criar os seus próprios jogos dentro deste novo jogo e levar para pontos nunca antes vistos as participações da comunidade neste novo mundo. Caso ainda precisem, existem cerca de 50 tutoriais para vos ensinar desde os passos mais básicos, como usar o cursor popit até à implementação de ferramentas de perigo (que nos permitem colocar pontos específicos dos cenários a arder ou carregados de electricidade). Muitos deles são já conhecidos mas convém voltar a ver pois oferecem itens novos. Ao contrário do primeiro, na sequela não somos forçados a seguir uma ordem de tutoriais e a seguir os passos de ensino que a Media Molecule forçosamente nos quis ensinar, agora já existe uma comunidade ciente do que pode e quer fazer, como tal, dando voz aos intuitos de maior simplicidade e funcionalidade, podemos entrar num menu de tutoriais e escolher qualquer um em específico e assim saltar de imediato para aquele que nos está a causar confusão.

O maior trunfo de LittleBigPlanet 2 é conseguir mostrar-nos como era limitado o primeiro, algo extremamente fascinante tendo em conta o que os jogadores fizeram. Menus ainda mais simples e mais intuitivos de navegar, mais funcionais, permitem-nos agora elaborar autênticas histórias e torna-se fascinante enquanto brincava com as ferramentas usando os meus dotes limitados imaginar o que mentes criativas vão fazer com o que é oferecido. Grande parte desta evolução surge pelas potencialidades na gestão da inteligência artificial, que vem pela mão de umas novas figuras desta nova experiência, os Sackbots. Tal como no primeiro, o jogador vai poder criar os seus níveis como a sua imaginação permitir e caso queira desafiar a restante comunidade pode colocar criaturas ou máquinas cujas ordens e padrões de acção são geridos por aquela espécie de cérebro azul que é colocado num determinado ponto e que depois tem que ser destruído durante o jogar do nível. Tal continua presente e as mesmas ordens e a mesma necessidade de respeitar certas regras mas as máquinas em oferta e os perigos que nos podem impor são maiores e acima de tudo mais entusiasmantes.

Mas como referido, as estrelas aqui são os Sackbots e são eles que vão permitir que os jogadores recriem um qualquer jogo que adoram em versão LittleBigPlanet ou até mesmo que criem os seus próprios jogos através da elaboração de níveis sucessivos como a Media Molecule tanto promove. Os Sackbots são figuras idênticas a Sackboy e podemos escolher tamanho, usar pinturas e materiais iguais aos do nosso Sackboy assim como roupas e acessórios. Deste forma dando vida e credibilidade dentro do jogo a estas figuras. No entanto, todo o seu comportamento e ameaça está ao encargo dos nossos desejos. Podemos definir uma grande quantidade de possibilidades para a forma de actuar destes personagens e assim elevar a credibilização e profundidade dos nossos níveis para limites completamente novos. O conjugar de características vai tornar as experiências dinâmicas, pois podemos pensar que elaborar todo um jogo assente em esquemas furtivos é agora possível, estando os cenários repletos de tropas que patrulham.

Podemos facilmente imaginar uma cena recriada a partir de filmes como 300, um Metal Gear Solid adaptado ou até quem sabe um Ico ou um Alan Wake em versão LittleBigPlanet 2. Isto porque a nossa mente é quem vai ditar o que fazer neste mar de possibilidades e quando nos é permitido criar, vestir e animar personagens cujos comportamentos até podemos mesmo executar, gravar e ordenar especificamente a um único Sackbot, não é difícil pensar no que está a caminho. ?? de louvar que tudo tenha-se mantido altamente intuitivo e tal como no primeiro, qualquer um tão limitado quanto eu vai poder criar níveis e desafiar os seus amigos mas somente os mais dedicados vão conseguir tirar real proveito das ferramentas de criação.

Uma componente tão rica que faz com que todo o jogo base que vem com o disco mais pareça uma introdução e toda uma sucessão de salas de desafio janota. Como se nos dissesse que o jogo verdadeiro vai chegar em breve. Para deixar brilhar as mentes que o desejarem, a Media Molecule permite ainda que coloquem placas nas diversas criaturas para atribuir processos de actuar lógicos e alargando as possibilidades de comportamentos nos níveis. Tudo isto agora albergado por um termómetro que sobe com menos rapidez.

Todo um fascínio surgiu perante LittleBigPlanet devido à recriação de materiais tão banais do nosso quotidiano como itens e ferramentas de jogo com um aspecto e formas de uso que quase lhes deram um nível de espectacularidade similar a ir ver o show de fogo de artifício no final de ano a Sydney. Foi parte da elaboração da personalidade do jogo, não contasse este com um personagem feito de algodão, pois eram as matérias base de todo este mundo e dos seus níveis. LittleBigPlanet 2 reforça a solidez visual e oferece-nos um jogo com um aspecto gráfico evoluído sobre o primeiro. Não só o mundo ganhou mais detalhe como todo um novo leque de efeitos visuais entrou em cena. No modo estória cada novo local era distinto e único contribuindo para uma experiência mais diversa. Em termos de animações e movimentos de Sackboy tudo permanece muito idêntico e na sequela são mesmos os cenários que brilham com evolução. Novos tecidos, novos personagens, novos monstros e acima de tudo diferentes ambientes cada um a servir a personalidade de um novo personagem e não propriamente um ambiente ou local novo como no primeiro.

Infelizmente não foi possível testar os níveis do original na sequela para poder abordar possíveis diferenças e melhorias. Para aprimorar todo o envelope temos novamente todo o texto em Português acompanhado de vozes em Português. Sim vozes, porque existem mais para além da do narrador Nuno Markl. Agora no modo estória, todos os personagens que vamos encontrando têm direito a voz. Tudo dentro da qualidade, e familiaridade, com que a Sony nos tem habituado. Sem dúvida que ajuda a pequenada a ligar-se mais aos personagens e confere maior personalidade aos mesmos, que agora nos acompanham ao longo da aventura. Não posso deixar passar a oportunidade para elogiar a banda sonora do jogo que é altamente interessante e se disser que assenta que nem uma luva na personalidade é um cliché já quase sem graça, mesmo sendo inteiramente justo, posso então dizer que joguei novamente alguns níveis só para ouvir novamente alguns dos temas neles presentes.

No final do dia, LittleBigPlanet 2 vem para oferecer evolução e não revolução, tal nem sequer é preciso. Isso vai ficar a cargo da comunidade e das novas ferramentas de jogo. Num jogo cujo limite imposto é quase o da nossa própria criatividade, caberá aos jogadores elevar até parâmetros ainda impensáveis a qualidade, profundidade, e alcance da experiência. Afinal de contas LittleBigPlanet afirmou-se por isso mesmo, um jogo completamente à parte e difícil de comparar, como vivendo num mundo só seu. Relativamente básico e simples na sua componente de plataformas e engenhoso nos seus puzzles, capaz de cativar qualquer criança e adulto no imediato, mas com ferramentas de criação cujos resultados deixaram-nos frequentemente boquiabertos.

Não há como se enganarem com LittleBigPlanet 2, se gostaram do primeiro ou acharam graça ao ver a pequenada lá de casa a divertir-se com um produto tão intuitivo quanto possível, então têm algo ainda mais desafiante assegurado. Os adultos podem começar a esfregar as mãos, a terminar os esboços e as fórmulas matemáticas, um jogo mais rico e evoluído promete abrir as portas para um autêntico mar de potencialidades. A sequela pode já não ser o marco que o primeiro foi e na balança os seus pontos mais frágeis podem pesar mais, mas todos sabemos que daqui a seis meses vai ser um jogo tão melhor.


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