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Review de Call of Duty: Black Ops para PS3 de Outer Space

por ygorocara, fonte Outer Space, data  editar remover


Para muita gente, futebol é como uma guerra. Para a Activision, a guerra é como futebol: assim como sempre esperamos a cada ano um novo Winning Eleven ou Fifa, também aguardamos um novo Call of Duty, o grande sucesso comercial da companhia.

Empurrar um jogo da série para o povo todo o ano é realmente difícil, mas ninguém teria do que reclamar se cada novo CoD fosse imperdível. A Infinity Ward, hoje flagelada por demissões após o lançamento de Modern Warfare 2, conseguiu fazer isso. Se o novo Black Ops da Treyarch consegue ou não, é algo que veremos em seguida.







Forgive your enemies, but never forget their names

Deixando de lado a Segunda Guerra Mundial e também a "guerra moderna", o novo Call of Duty: Black Ops é ambientado na Guerra Fria, momento histórico bem adequado para jogar com personagens espiões envolvidos em conflitos por todo o mundo. Apoiado em um enredo excelente, Black Ops consegue transmitir bem aos jogadores o clima de conflitos como a Guerra do Vietnã ou a invasão da Baia dos Porcos em Cuba - além de muitas outras batalhas, históricas ou fictícias.

O personagem principal aqui é Alex Mason, soldado de uma força tarefa especial dos Estados Unidos que está sendo interrogado e torturado para revelar um segredo que ele parece não se lembrar. Como é de praxe na série, joga-se com vários personagens no decorrer das quase sete horas de campanha, desvendando mistérios na memória de Mason.

No quesito visual, Black Ops dá um banho em boa parte dos jogos atuais, com cenas de corte bem editadas e envolventes e gráficos de primeira linha nos ambientes. A falha principal na campanha sobrou para o design das fases: bem mais linear que o que se espera de um FPS moderno. E vale dizer que a experiência nos últimos FPS já é bem linear.

Enquanto nos últimos CoD tinhamos um jogo linear com uma suave ilusão de que não era bem isso, Black Ops é praticamente um rail shooter como Time Crisis. Na maior parte das fases não existe nem mesmo uma rota alternativa ou cenários amplos que permitam estratégias variadas. ?? sempre a mesma repetição de seguir em um único caminho, liquidando hordas de inimigos que caminham na direção oposta.

Em alguns momentos, Black Ops tenta variar a jogabilidade colocando os personagens no comando de helicópteros ou a bordo de aviões. Mas a tentativa de fazer algo diferente fracassa miseravelmente: essas fases limitam a jogabilidade de tal forma que a sensação é quase de que o videogame está jogando sozinho -- e em algumas muitas oportunidades, estará. Algo bem diferente da memorável fase de Modern Warfare em que jogador comandava uma artilharia em um avião de guerra.

Do not pray for easy lives. Pray to be stronger men

Assim como o modo singleplayer, o multiplayer em Black Ops é algo que tem começo, meio e fim. O começo é agora, quando muitos jogadores estão comprando o jogo e se interessando. O fim é quando a Activision lançar um novo Call of Duty no ano que vem, toda a comunidade migrar e o online se tornar extremamente obsoleto com as novidades da nova edição.

A lamentação do parágrafo acima não diz respeito à qualidade da jogatina online. Muito pelo contrário: o triste é saber que algo tão bacana acabará prematuramente para dar lugar a um novo produto. Assim como em todos seus antecessores, jogar online Black Ops é mais importante que a campanha para maior parte dos jogadores.

Seguindo um esquema parecido com Modern Warfare 2, a experiência online agrada tanto por parecer muito com seu antecessor quanto por melhorar tudo com algumas novidades essenciais. Aqui, além do sistema de experiência padrão, que serve para evoluir o personagem com pontos de experiência, temos os chamados Call of Duty Points.

Os CoD points são algo como o dinheiro do jogo. Enquanto é preciso pontos de experiência para destravar novas armas, para ter o direito coloca-las no loadout gasta-se CoD Points, por exemplo. Outros tipos de recompensa também são conquistados com CoD Points, que acabam se tornando tanto ou mais importantes que a experiência comum.

O principal diferencial dos CoD points é que, enquanto a experiência é acumulada sempre, esses pontos são gastos ou poupados de acordo com a decisão do jogador. E além usa-los para destravar novidades, também é possível investi-los em apostas no jogo. Em alguns jogos, todos participantes colocam pontos "na mesa" e os três melhores colocados no fim da partida dividem o prêmio.

Outra forma são as apostas "contra a casa", chamadas de contracts. Nelas, o jogador paga para assumir um objetivo, como matar alguns jogadores ou dar um número de headshots sem morrer. Se cumprir, leva mais pontos do que apostou.

Incluir um elemento de aposta é mais importante do que parece. Como cassinos, bingos e pôquer mostram bem, apostas viciam. Jogadores obstinados não irão largar mão do controle até conseguirem os tais headshots, insistindo bastante para recuperar pontos investidos em apostas falidas. E por mais sádico que isso pareça, essa capacidade de prender a atenção por longos períodos de tempo é um ponto bem positivo para o multiplayer

Outro elemento que pode prolongar a diversão com Call of Duty: Black Ops é o modo de zumbis, que também pode ser jogado com um jogador, mas só é divertido de fato com mais pessoas no cooperativo. Depois do sucesso dos mortos-vivos em World at War, seria besteira da Treyarch deixa-los de fora. E desta vez o modo não seria algo tão extraordinário não fosse o grupo incomum de personagens: os jogadores assumem John F. Kennedy, Richard Nixon, Robert McNamara e Fidel Castro para enfrentar zumbis e ouvir diálogos hilários, repletos de referências históricas inusitadas.

Muito melhor que Call of Duty: World at War, Black Ops é sim um jogo acima da média, mas não brilhante. O multiplayer é divertido e cativante, mas não deixa de ser mais do mesmo, e ainda faz parte de uma série que costuma tornar seus jogos obsoletos em um ano. A campanha conta uma história excelente e envolvente, mas um design de fases linear atrapalha muito a diversão. Superado todo esse lado negativo, Black Ops continua sendo uma boa ideia para para quem jogou os últimos jogos da série e sentiu gostinho de quero mais.


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