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Review de Call of Duty: Black Ops para PS3 de Gamus

por ygorocara, fonte Gamus, data  editar remover


O maior lançamento da história da indústria do entretenimento. Foi esta ???modesta??? façanha que a maior franquia da geração atual de consoles, Call of Duty, alcançou pelo segundo ano consecutivo. Ano passado com Modern Warfare 2, o qual foi superado este ano pela mais nova edição da franquia, Call of Duty: Black Ops. O game foi lançado mundialmente no dia 9 de novembro, gerando uma receita de US$ 360 milhões de dólares em 24 horas nas lojas, superando os US$ 310 milhões do Modern Warfare 2.

Após de redefinir o gênero FPS (tiro em primeira pessoa) com Call of Duty 4: Modern Warfare em 2007, a franquia se tornou o adversário a ser batido pela concorrência, onde o campo de batalha é um dos mais disputados na indústria dos games. Mas quando se atinge o topo, as expectativas são muito maiores e crescem cada vez mais a cada edição. Mas será que Black Ops consegue defender seu território e completar sua missão, ou será que finalmente foi encontrado uma brecha no perímetro?

Deniable operations

A Guerra Fria, o período de maior perigo que a humanidade já passou, agora é o tema. Uma época nunca explorada antes nos games do gênero. Na geração atual, a estória da campanha sempre foi o ponto fraco da franquia. Há 3 anos, com CoD4: Modern Warfare poderia ser o suficiente. A cada ano que passa, no entanto, o nível e sofisticação da estória, assim como todos os outros aspectos em geral dos games aumenta muito.

Nas edições posteriores do game, até Modern Warfare 2, a franquia evoluiu, obviamente. Mas o desenvolvimento do enredo continuou no ???feijão com arroz??? para baixo. Isso é um fato muito preocupante porque dá a impressão de acomodação e maior foco em um modo de jogo em detrimento do outro. No caso, o multiplayer tendo cada vez mais foco do que a campanha.

Claro, a cada nova edição do game, alguns aspectos do single-player evoluem, como tiroteios mais intensos, mais armas e equipamentos, mais e maiores explosões, mais inimigos na tela etc. Isso é o suficiente para muitos gamers, mas com a absurdamente enorme base de fãs de Call of Duty, há jogadores de diversos perfis diferentes, onde o aspecto ???x??? é ser mais importante que o ???y???. O aspecto mais estagnado de CoD, na minha opinião, é o desenvolvimento do enredo.

Felizmente, em Black Ops, finalmente a franquia tem uma boa evolução neste quesito. O que você percebe logo de cara é a evolução dos personagens. Pela primeira vez não controlamos um ???robô???: sem rosto e nem voz. Agora temos personagens jogáveis que aparecem, falam e interagem com os companheiros no decorrer do game. Os coadjuvantes ??? seus companheiros ???imortais??? no campo de batalha que te acompanham e te guiam nas missões ??? são os mais legais até aqui. Com raríssimas exceções, os coadjuvantes em Call of Duty normalmente são sem nenhum carisma e esquecíveis.

Off the record


Isso só foi possível devido ao incrível trabalho de dublagem, o melhor disparado da franquia. Os diálogos são bem melhores, exceto por algumas falas totalmente desnecessárias e fora de hora, muito comuns em jogos do gênero, como um ???Yeah!??? (como se estivesse num parque de diversões) no meio do fogo cruzado, cercado de inimigos e explosões, com a vida por um fio.

Destaque para Sam Worthington (Terminator: Salvation, Avatar) como Alex Mason, Gary Oldman (Batman: The Dark Knight, O Livro de Eli) como Viktor Reznov (é ele mesmo, do CoD: World at War) e James C. Burns como Frank Woods, o melhor coadjuvante da história da franquia.

Alex Mason é o personagem principal da trama, ele faz parte de uma unidade secreta da CIA chamada S.O.G. que assume operações clandestinas ultra-secretas (black ops), as quais não constam em nenhum registro oficial. O jogo se passa nos anos 60, no auge da Guerra Fria, iniciado com o veterano Alex Mason amarrado à uma cadeira numa sala de ???interrogatório???. Ao ser questionado por informações, jogamos as memórias do agente por meio de flashbacks, pelos quais descobrimos a ???história verdadeira???, da qual o público não tem conhecimento, do que realmente aconteceu neste período da Guerra Fria.

A Treyarch criou uma boa trama, criando um suspense à partir de uma ótima premissa, fazendo o jogador ficar mais ligado no enredo e interessado em desvendar o mistério dos acontecimentos. A estória é bem desenvolvida, mas apesar de um furo ou outro no roteiro, o desfecho é satisfatório. Além do mais, desta vez, a estória não é contada apenas por meio daquelas imagens de satélite e documentos confidenciais, com o diálogo de fundo. Em Black Ops, finalmente temos cut-scenes de verdade, mesmo que poucas. Comparado aos CoD???s anteriores, tem de longe a melhor estória da franquia.

Dragovich, Kravchenko, Steiner???ALL MUST DIE


A campanha é curtíssima, como sempre, com apenas 5-6 horas de duração, dividida em 14 fases. Você toma o controle 4 personagens. 3 na verdade, pois um deles é um piloto que controlamos apenas por alguns minutos numa fase para auxiliar os agentes em terra, utilizando um radar. Alex Mason é o personagem que controlamos na maioria das missões e em poucas utilizamos o ex-militar russo Viktor Reznov e o agente da CIA Jason Hudson.

As fases são localizadas em diversos locais do globo, como Cuba, Hong Kong, União Soviética e Vietnam. Os gráficos do game melhoraram um pouco em relação ao Modern Warfare 2. Melhorou muito em alguns detalhes, mas ficou estagnado ou continuou ruim em outros. O principal avanço foi as expressões facias dos personagens. A Treyarch afirmou que foi utilizada uma tecnologia de captura de movimentos, que captura também a fala dos atores em tempo real, nunca utilizada em CoD???s anteriores. E o resultado foi excelente! Consequentemente, o lipsync tembém melhorou muito. Tendo consciência deste avanço, a Treyarch fez questão de explorar isso ao máximo e com sucesso. Isto foi muito importante para tornar os personagens mais humanos e críveis, seja na fala, nas expressões de dor (especialmente nas de dor, muita dor), esforço etc.

As paisagens observadas de longa distância também melhoraram, com destaques para as belas florestas vietnamitas, e o áudio se supera a cada edição. Tive a felicidade de jogar o game no meu home theater com o som bombando, levando meus pais e os vizinhos à loucura. Um imenso destaque para as explosões, elas são MA-RA-VI-LHO-SAS! Eram música para os meus ouvidos! Isso somado a quantidade de absurda de inimigos na tela em alguns momentos, com o framerate ???travado???, me fizeram sentir no meio da carnificina.

Falando em carnificina, este é o CoD mais violento de todos. Agora podemos desmembrar inimigos quando atiramos com armas de calibre pesado, foi introduzido o ???Bullet Time??? ??? aquele efeito especial inventado por Matrix que todos conhecem ??? com sangue e vísceras saltando em câmera lenta, ???brutal melee kills???, na linha daquelas do Killzone 3. Ao executá-las, podemos ver de camarote as ótimas expressões faciais. Essas kills acontecem apenas em momentos pré-determinados de stealth (ação furtiva), que apesar de acontecerem pouco, são muito legais. Black Ops é o CoD com mais ação furtiva até hoje. A desenvolvedora fez muito bem, cagou e andou para os pais e políticos hipócritas que dizem que games assim promovem a disseminação e ensino da violência para os seus queridos filhos e não economizou no ???gore???.

The numbers, Mason???


A Treyarch, no entanto, vacilou em diversos aspectos. Um dos piores é que o game parece que foi feito para ser seguido estritamente na linearidade, ou seja, só matando e seguindo em frente, praticamente sem olhar para os lados e dar uma explorada no cenário. Tem-se esta impressão porque ao sairmos do ???percurso??? e entrar em alguma sala fora do caminho, por exemplo, o lugar está, na maioria das vezes, muito mal acabado. Com paredes e objetos ???quadrados??? horrorosos com resolução baixíssima e, ao atirar neles, quebram numa animação vergonhosa.

Na geração atual, a linearidade dos jogos está cada vez mais criticada e condenada, tanto pelos críticos quanto pelos usuários. A variedade de opções para alcançar um objetivo e avançar num game é cada vez mais valorizada e necessária. E num cenário com este, o descaso total com alguns locais das fases é vergonhoso. Ainda mais considerando a experiência do estúdio, o grande orçamento e quantidade de recursos que certamente tiveram, e também todo o hype em torno do título, maior a cada ano se tratando de um Call of Duty.

?? bem difícil encontrar um game que tenha uma Inteligêncial artificial, no mínimo, satisfátoria. Mas jogar um que tenha personagens extremamente idiotas é frustrante. Infelizmente, este é o caso de Black Ops. Pode não parecer um problema tão grande ao jogar pela primeira vez no Regular (dificuldade padrão), na qual você pode se arriscar mais, incorporar Rambo e largar o aço. Mas ao jogar no Veteran (maior nível de dificuldade), na qual ao tomar 2-3 tiros você morre e granadas brotam no seu pé, pode-se perceber claramente. Normalmente, ao jogar num nível de dificuldade maior, praticamente todos já zeraram o jogo num nível mais baixo e prestam mais atenção em outros detalhes. Muitos deles passados desapercebidos na 1ª vez. ?? espantoso ver como a IA é burra e completamente louca.

Para jogar no Veteran, é necessário ter muita paciência e ser tático, ???fatiando e passando??? aos poucos, no momento certo, se não quiser morrer. Entretando, você começa a reparar nas atitudes imbecis, tanto dos seus companheiros quanto a dos inimigos. ?? muito comum os inimigos, sem motivo nenhum, simplesmente correrem em sua direção implorando para morrer, ficar no cover com metade do corpo pra fora ou ficar no cover em algo que não dá nenhuma proteção, como grades. Já os seus companheiros, há 2 tipos deles: os coadjuvantes ???imortais???, como o Woods e Bowman e os soldados aleatórios que estão lá para morrer.

Eles são praticamente inúteis e kamikases, ainda por cima. ?? frequente, depois de um tempo se protegendo normalmente, vê-los correndo em linha reta em direção a um bolo de inimigos do nada. O pior é quando s os seus companheiros ???imortais??? correm para o meio de 5 inimigos, tomam 50 tiros, parecem uma torneira de sangue e continuam lá, de pé. Em certas situações, há muitos soldados ???mortais??? ao seu lado e muitas vezes eles ocupam todos os lugares disponíveis para proteção, deixando você ???a Deus dará???.

Lembrando que no Veteran, o cover é o seu melhor amigo. Ficar disputando lugar no cover com companheiros idiotas é tenso. Dá muita raiva, também, quando uma área parece estar livre de inimigos, pelo fato dos seus parceiros avançarem normalmente. Porém, ao acompanhá-los, você morre para um inimigo escondido que eles simplesmente ignoraram e o inimigo ignorou todos, exceto você. No fim das contas, é muito, muito raro um companheiro te ajudar numa hora que você realmente precisa.

Já a jogabilidade é exatamente a mesma e continua perfeita. Há muitas pessoas que questionam a falta de inovação na jogabilidade, mas ela funciona tão bem desde CoD4, que virou um padrão não só para a franquia, mas também para o gênero. ?? difícil imaginar algum refino neste aspecto. O que eu tenho certeza é que isto não é prioridade com tantas coisas que necessitam de evolução, não apenas se tratando de CoD, mas também vários outros jogos do gênero.

Kill confirmed


O multiplayer continua idêntico aos games anteriores, mas há várias novidades. A maior delas é a inclusão dos CoD Points, dinheiro que você ganha nas partidas, além dos comuns pontos de experiência. Agora, ao invés de simplesmenter ter que chegar ao nível ???x??? para liberar alguma arma ou equipamento, queira você ou não, você apenas as libera para compra, utilizando os CoD Points. Foi uma adição excelente porque dá liberdade ao jogador para gastar sua grana nas armas e equipamentos que quiser. Se você não gosta da arma liberada no nível 26, simplesmente não a compre e junte grana para comprar algo que lhe interesse mais pra frente.

A customização também merece um grande destaque. Uma das coisas mais legais na jogatina online é customizar o seu personagem da maneira que você deseja e deixá-lo único, tanto no armamento, quanto na aparência. Boa parte dos games já oferecem opções de customização de armamento e equipamentos satisfatórias, mas a maioria deixa a desejar na aparência do personagem. Neste quesito, Black Ops tem um enorme avanço. Agora as opções de customização, especialmente as de aparência, são maiores. Entre as melhores novidades está a customização do desenho e cor do retículo da mira red dot, a possibilidade de colocar o desenho do seu playercard e clan tag na arma.

Todos os clássicos modos de jogo estão de volta: Team Deathmatch, Free For All, Domination etc. Mas em Black Ops foram criados novos modos de jogo (finalmente) para dar uma maior variedade, com bastante criatividade. Elas são as Wager Matches, ou seja, partidas nas quais você aposta seus CoD points com os outros jogadores. Se você terminou entre os 3 melhores fica ???in the money???, tendo retorno do seu investimento, enquanto os lanterninhas não ganham nada. São 5 modos de jogo Free For All (cada um por si), com regras e armas pré-determinadas. No modo ???One In The Chamber???, por exemplo, todos os jogadores tem apenas 1 bala. Se acertá-la, a morte do inimigo é instantânea e você ganha outra bala. Se errar, vai ter que confiar apenas na sua faca.

Foi introduzido, também, o Theater Mode, no qual você pode escolher alguma partida recente, baixá-la do servidor e assisti-la de qualquer perspectiva, além da possibilidade de selecionar um trecho específico e compartilhar com os seus amigos. ?? um recurso muito legal e todos os games deveriam ter.

Para a felicidade dos novatos, foi lançado um modo chamado Combat Training. Este modo simula exatamente como é uma partida competitiva online e você pode regular o nível de dificuldade. O jogo pega os IDs / gamertags dos seus amigos e cria uma partida como se todos estivessem jogando. Realmente funciona e para quem não é adepto ao multiplayer de Call of Duty, é um excelente treino. Jogar este modo também ajuda bastante a conhecer os mapas.

Gentlemen, lock and load!


O modo co-op Zombies, tão popular do CoD: World at War, está de volta. Para quem não conhece, neste modo, você pode juntar 4 amigos num game cooperativo, onde infinitas ondas de zombies vão surgir até o seu esquadrão sobreviver. Funciona da mesma maneira que World at War. Você ganha pontos por matar zumbis, reconstruir as janelas pelas quais eles passam e reviver seus amigos. Com estes pontos você abre portas, expandindo o cenário, e compra armas e munição nas paredes espalhadas pelo mapa. Em um dos mapas, jogamos com o esquadrão mais inusitado: Os presidentes dos EUA Richard Nixon e John F. Kennedy, o secretário de defesa Robert McNamara (na administração de Kennedy) e Fidel Castro.

?? possível liberar um mapa de zombies com a jogabilidade estilo arcade, bem divertido. ?? uma adição muito válida e com certeza agrega valor ao título. Ainda mais considerando que temos jogos do gênero ou mais simples custando US$6-10 na PSN / LIVE.

5 dias após o lançamento do game, 3 updates foram lançados para corrigir os mais diversos problemas. Quase todos na jogatina online. Mesmo assim, o game continua com muitos problemas de conexão ??? o jogo cai e trava frequentemente ??? quando o host sai da partida, o game muitas vezes falha no processo de escolher um novo, terminando a partida. Também há muito lag e problemas para juntar seus amigos, tanto para jogar no competitivo quanto no co-op. Quando você consegue, boa parte das vezes o seu grupo de amigos simplesmente se desfaz de uma partida competitiva para a outra e grande parte delas tem equipes desequilibradas, com uns 3-4 jogadores a mais que a outra. Outro fato bastante incômodo são as animações dos personagens no multiplayer / co-op, que continuam as mesmas desde CoD4. Ou seja, para os padrões atuais já são bastante ultrapassadas e fazem você se sentir jogando o mesmo game de anos atrás, por mais que ocorram diversas melhorias em outros aspectos.

Conclusão


Call of Duty: Black Ops é um excelente game. Apesar de ter melhorado em alguns aspectos em relação à edição do ano passado, Modern Warfare 2, a fórmula continua basicamente a mesma. A campanha teve melhorias e é a melhor da franquia. Porém, por mais explosiva e frenética que seja, apenas 5-6 horas de jogo é uma experiência muito curta. Ainda mais considerando que há DLCs com experiências single-player incríveis por apenas US$ 10, que provêem mais tempo de diversão, como o BioShock 2 ??? Minerva???s Den e Red Dead Redemption ??? Undead Nightmare.

O multiplayer e o modo Zombies são muito divertidos. São muito similares aos das edições anteriores, mas trazem novidades e vão te manter jogando Black Ops por um bom tempo. Entretando, é um pouco frustrante que, apesar de 3 updates já lançados, diversos problemas técnicos básicos continuem persistindo. Alguns deles certamente teriam menos chances de acontecer se houvesse uma fase de testes.

O game, no geral, não se arrisca muito. Mas, por enquanto, é o suficiente para manter o seu território na guerra do mercado acirrado dos FPS e mostra sua força com o maior exército de fãs que existe atualmente.

Se você tinha expectativas lá no alto e esperava um game de outro mundo, provavelmente vai se decepcionar. Mas se, como eu, sabia o que esperar e aguardava, no mínimo, um grande jogo, pode se surpreender. Por todo o conteúdo que o game oferece, por mais que não seja nada ???revolucionário???, com certeza Call of Duty: Black Ops vale cada centavo.


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Gamus
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