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Review de Assassin's Creed: Brotherhood para PS3 de Eurogamer

por Deep-kun, fonte Eurogamer, data  editar remover


Ao olhar para Assassin's Creed: Brotherhood (vamos chamar-lhe simplesmente de Brotherhood) é quase inevitável e no verdadeiro sentido da palavra, olhar para o passado. Foi em Novembro de 2007 que a Ubisoft lançou a série que actualmente goza de privilégio ímpar entre as suas fileiras e deu-me acesso a uma das séries de maior entusiasmo a nível pessoal. Desde cedo a Ubisoft sugeriu que o produto era mais do que inicialmente parecia e que poderia expandir-se para uma série. A própria história de Altaír e do grupo de assassinos era muito mais abrangente e épica do que inicialmente previsto. O toque distinto e especial de Assassin's Creed estava no centrar-se na recriação de um passado no qual mistura elementos de ficção com elementos verídicos e de figuras históricas. A isto adicionava uma jogabilidade baseada em elementos do parkour num género de mundo aberto e levava o jogador para uma jornada repleta de personalidade.

Enquanto fascinante, o maior problema de Assassin's Creed era provavelmente se levar demasiado a sério na sua história enquanto descurava aspectos base da sua jogabilidade e assumi-a uma desastrosa estrutura de jogo, altamente repetitiva e restritiva. No entanto, a grande escala da história ficava bem aparente e com a sequela tivemos a resolução dos demais erros cometidos na elaboração do primeiro relacionados com a sua estrutura, sendo muito mais fluído e dinâmico e afastando-se do tom repetitivo do anterior, mantendo na mesma toda uma história épica.

No ano passado foi fascinante conhecer a história de Ezio Auditore da Firenze, um jovem Italiano que se torna num assassino, dando assim seguimento a uma longa tradição familiar, após ver a sua família ser injustamente assassinada. Nesta Itália da era Renascentista, factos verídicos eram moldados e figuras histórias surgiam para desempenhar um papel interessante e até inteligente no enredo. Mas Assassin's Creed II não nos deu a conhecer só personagens envolventes e carismáticas, deu-nos a conhecer uma fascinante história cujo final em aberto deixava espaço para que a Ubisoft aqui voltasse. Toda a escala da série tem sido sucessivamente expandida, quer sejam por títulos lançados nas portáteis como por outros meios, como a banda desenhada e até um filme baseado no jogo.

No entanto, e aqui temos que assinalar que alguns spoilers vão ser feitos mas sempre mantidos a um mínimo, Assassin's Creed não decorre apenas no passado. Nesta procura por artefactos poderosos e antigos, através de máquinas que nos permitem viver as memórias passadas geneticamente, que podem salvar o mundo de uma catástrofe que se avizinha, assumimos verdadeiramente o controlo de Desmond Miles, o mais recente descendente da linhagem de Assassinos. Após o final do segundo jogo principal na série, ficou a clara ideia que Desmond iria representar um papel muito mais importante no futuro e Brotherhood atesta isso mesmo.

Antes de conhecermos o que acontece a Ezio após os eventos vistos no final do segundo jogo, o jogador vai conhecer o que sucede com Desmond e com os que o ajudaram nos jogos anteriores. Aqui vamos viajar para alguns locais que vão dar ao jogador uma perspectiva alternativa e interessante sobre locais já conhecidos. Estas secções apresentam ainda o acesso a um tipo de jogabilidade diferente e que leva Assassin's Creed para contornos mais ao estilo do que vimos em Prince of Persia, algo normal tendo em conta que esta foi a inspiração para a nova série.

Focado mais nas secções de plataformas e na movimentação fluida entre paredes e vigas para ultrapassar obstáculos, estas secções obrigam ainda ao uso da cooperação com a inteligência artificial, e deixam em perspectiva antever o futuro cooperativo da série. ?? um recuperar da aclamada jogabilidade Prince of Persia e uma forma bem elaborada de nos colocar em 2012 continuando a contribuir para a história. ?? uma das maiores novidades pois sempre que desejado podemos sair do Animus e vaguear por um novo local também ele com desafios para o jogador. ?? uma continuada evolução do laboratório do primeiro e depois do armazém do segundo e que nos deixam a pensar no que pode estar a ser preparado para o futuro. O maior trunfo sobre os "equivalentes" nos anteriores é que este espaço no "presente" é interessante e apelativo, com os seus objectivos próprios.

"Entrando no Animus", a acção leva-nos imediatamente para os momentos imediatos após o final do segundo, quando Ezio está a deixar a Cripta em Roma. Estes actos desencadeiam toda uma série de eventos que nos levam para uma história mais dinâmica, livre da necessidade de nos inserir num local ou de dar a conhecer uma nova personagem e inimigos e respectiva contextualização, com contornos ainda mais cinematográficos e acima de tudo muito com muito mais personalidade e bem confiante em si mesma, não tendo mesmo medo de correr alguns riscos. Aqui vamos também conhecer uma das grandes diferenças sobre os dois anteriores, em Brotherhood apenas temos acesso a uma cidade, Roma, e não a três e ao espaço que as liga.

Roma é uma cidade enorme para explorar e repleta de edifícios e construções histórias e apesar estarmos apenas numa cidade, esta contém zonas bem distintas entre si, sendo o único elementos que nos oferecem aquele agradável contraste e variedade que as diferentes cidades nos anteriores tão agradavelmente ofereciam. Esta é uma Roma em ruínas que vive debaixo da opressão da família Borgia, os rivais de Ezio, e na pobreza. Aqui temos a oportunidade de fazer regressar um dos elementos mais interessantes do anterior, a gestão da vila da família de Ezio. Nas zonas restritas controladas pelos Borgia, temos que matar o capitão e depois queimar a torre, libertando assim a zona da sua opressão e permitindo que o jogador dê dinheiro para a recuperação de lojas que trazem prosperidade crescente à cidade.

Foi uma forma inteligente de recuperar um dos elementos novos do segundo jogo mesmo perante a "restrição" de termos apenas uma cidade para percorrer. Os tradicionais viewpoints continuam a desbloquear o mapa e a detalhar a cidade, as demais lojas regressam para nos oferecer novas armas e itens, recuperar saúde, comprar quadros (que vão para a casa de Ezio em Roma) e até o banco está de volta para podermos levantar o dinheiro das rendas que as lojas nos pagam. A Ubisoft decidiu também recuperar a exploração dos túmulos vista no anterior, tanto no jogo como em forma de conteúdo adicional, levando novamente o jogador a explorar locais assentes numa jogabilidade mais característica, novamente, de Prince of Persia para obter tesouros e dinheiro. O estúdio certificou-se que o jogo poderia estar restrito a uma única cidade mas nada mais perdia, pelo contrário, acrescenta. Na verdade Brotherhood adiciona elementos e melhorias que não só o tornam mais avançado sobre os anteriores nesses pontos como vão ter impacto no futuro da série.

Outras das novidades de destaque na nova aventura de Ezio é a existência da Guilda dos Assassinos. Se no anterior tínhamos algumas missões aleatórias oferecidas por estranhos nas ruas das cidades, aqui temos a oportunidade de salvar cidadãos que resistem à opressão dos que roubam aos pobres para dar fundos à conquista de Itália. Ao salvar estas pessoas eles decidem juntar-se à nossa causa e na nossa caminha para líder dos Assassinos, vamos poder enviar estes jovens talentos um pouco por toda a Europa para cumprirem contratos. Ao cumprir estes contratos, que podem ser acedidos através de um menu próprio sempre que encontrámos um pombal em Roma, os novatos ganham pontos de experiência e vão evoluindo até se tornarem em mestres assassinos. Ao subir de nível podemos melhorar atributos e até personalizar as suas vestes e é preciso ser cuidadoso na gestão dos assassinos pois a dificuldade dos contratos varia e não queremos perder homens desnecessariamente.

Mas não só para longe estes homens vão trabalhar. Entre as diversas novidades implementadas na jogabilidade, está a de podermos invocar os assassinos para nos assistirem nas batalhas e até para assassinarem um alvo por nossa vez. ?? um elemento bem interessante que ocupa o seu papel numa série de elementos contextualizados e cujo efeito de acção e consequência é altamente gratificante. Mais do que nunca, a grande máxima de quanto mais fazemos mais queremos fazer, volta a reinar em Brotherhood. Para ser mais específico sobre o quanto o jogo tem para oferecer, terminar a história com algumas histórias paralelas cumpridas e algumas partes da cidade libertas representou-me apenas 45% nas estatísticas finais, ao longo de 10:15 de jogo.Obter uma sincronização total de 100% vai levar o jogador a passar bem mais de 20 horas em volta do modo para um jogador.

Existem muitas mais tarefas para contar mas são elementos que devem ser mantidos em surpresa para que o jogador os descubra por si e é preferível salientar pontos mais fulcrais e mais preponderantes como apesar de durar praticamente metade dos dois anteriores, Brotherhood oferecer uma estrutura de progresso bem mais livre e personalizado, em momento algum restringe o jogador ou o força a fazer seja o que for antes que possa progredir para nova missão de história, mas mais do que isso, oferece um maior e bem elaborado nível de dificuldade nas missões que são ao mesmo tempo das mais desafiantes e cativantes vistas na série. Apesar de ter várias ajudas, já não sentimos que somos levados pela mão mas antes que somos desafiados e que somos donos da nossa experiência e que o mérito na progressão é nosso.

Para desafiar ainda mais os mais dedicados, a Ubisoft decidiu implementar objectivos secundários mas que só quando cumpridos nos permitem uma sincronização a 100%. Desde não ser detectado a eliminar o alvo de certa forma, são variados os desafios adicionais que nos são colocados e tudo ganha mais intensidade e dinamismo quando somos colocados, de boa forma, debaixo de pressão. As missões vão-se sucedendo e o jogador começa a ganhar um gosto especial quando repara que o nível de qualidade se vai mantendo ao longo de toda a progressão.

Para isto contamos com a existência de melhorias nas tradicionais mecânicas do parkour mas mais do que isso, é no sistema de combate que notamos melhorias. Os tempos do esquema repetitivo e mecanizado vão longe e agora temos a possibilidade de usar várias armas, de as roubar aos inimigos e até uma pistola, cortesia de Leonardo da Vinci. Mas isto são tudo coisas que vimos no anterior, as verdadeiras novidades são a maior fluidez dos movimentos, a possibilidade de aplicar um pontapé para quebrar a guarda do adversário e ainda as novas e mais brutais execuções finais com que Ezio termina os seus combos. ?? um festim visual que nos leva a ter gosto no sistema de combate de uma ponta à outra. Neste novo dinamismo envolto em maior velocidade, o jogador é ainda desafiado a aprender a lidar de diferentes formas para diferentes inimigos e cada um tem a sua abordagem específica. Mais uma boa forma de desafiar o jogador e evitar esquemas aborrecidos.

Gosto e visual são palavras que se voltam a conjugar e Brotherhood parece mesmo apresentar melhorias visuais sobre o já espantoso segundo jogo. A uma cidade incrivelmente detalhada, temos personagens de grande qualidade com pormenores deliciosos. Certamente que quem viu as cidades do anterior não vai conhecer algo que o vá maravilhar mas é bom ver que uma qualidade visual de bom nível se tornou padrão e não foi descurada. Pela primeira vez temos o jogo totalmente em Português no seu texto, permitindo que os actores originais brilhem com uma qualidade ao nível de outras indústrias. ?? um trabalho sem mácula que a Ubisoft consegue oferecer e do melhor que se vai ouvindo na actualidade.

Terminado o modo para um jogador, temos agora a possibilidade de enveredar pela nova componente para vários jogadores que se estreia na série e que promete marcar presença no futuro da série. Enquanto os modos cooperativos ainda permanecem afastados da série, é o competitivo que reina soberano na hora de levarem as suas habilidades para serem testadas contra o mundo. Ao longo de quatro modos de jogo diferentes, vamos ter a oportunidade de melhorar o nosso personagem e criar um assassino completo e eficaz. Aqui a experiência de jogo assenta nos moldes do jogo tradicional estando as grandes variações relacionadas com os demais modos de jogo.

Em "Procurado" e "Procurado Avançado" o jogador recebe um alvo específico e ao invés de ser um contra todos, é necessário derrotar o alvo assinalado para triunfar, estando a diferença entre dos dois modos nas restrições ao radar. Já em "Aliança" três equipas de dois jogadores tem que procurar e assassinar uma outra equipa em específico, criando uma espécie de jogo do rato e do gato enquanto caça e ao mesmo tempo foge. Por último temos o modo de "Caça ao Homem" no qual duas equipas de quatro são colocadas em jogo enquanto uma foge da outra. São diferentes modos que usam a temática das lutas entre assassinos e templários para colocarem o jogador a lutar contra amigos e desta forma levar a série para os jogos para vários jogadores. Uma necessidade que cada vez mais preocupa os jogadores e que a longo prazo pode ditar o interesse no jogo. ?? precisamente o seu propósito em Brotherhood, oferecer a jogabilidade Assassin's Creed em modos contra vários jogadores que se tornam mais divertidos quanto mais novas habilidades desbloqueamos e mais aprendemos a empregar melhor as técnicas. ?? o testar da nossa destreza face ao mundo.

Assassin's Creed: Brotherhood pode não conter alguns elementos base da já conhecida experiência da nova série coqueluche da Ubisoft mas colocado na balança, é muito mais o que ganha do que perde. ?? um jogo altamente competente que tem como maior mérito conseguir ser digno de envergar o nome da série e de estar à altura dos títulos numerados, algo que os anteriores não conseguiram completamente. A história envolvente é interessante até ao fim se bem que mais curta do que o tradicional. A Ubisoft assegurou que existe muito para fazer para lá da história principal e também aqui a quantidade de conteúdos e segredos pode surpreender os mais desprevenidos. A isto adicionamos a obrigatoriedade da era moderna que se parece ter tornado os modos para vários jogadores e temos um produto altamente competente.

De forma alguma Brotherhood veio para revolucionar a indústria mas sem dúvidas que veio revolucionar a série. Se o II já o tinha insinuado, agora fica confirmado, está mais seguro de si, cresceu e colmata as poucas lacunas que lhe restavam, se bem que por natureza abriu outras. De carácter forte e cada vez mais destemido, quando for contada a história de como Assassin's Creed cresceu e evoluiu, certamente o nome de Brotherhood vai figurar aí.


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