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Review de Fallout: New Vegas para PS3 de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Algo que sempre me atraiu num RPG, ou nas suas actuais múltiplas variações, é a possibilidade de podermos ser quem quisermos. Claro está que poucos jogos conseguem dar esta possibilidade em todo o seu expoente, mas no fundo existe um fascínio de interpretar e progredir como personagem. ?? quase como misturar o actor com realizador, mantendo uma linha mental sobre o que realmente é importante.

Já há algum tempo que não me envolvia a fundo num RPG tão complexo quanto Fallout: New Vegas, e com o tempo a ficar cada vez mais frio, a obrigar estadias para além do trabalho a jogar em casa, a vinda do jogo veio mesmo a calhar. Fallout: New Vegas promete trazer de volta todo o ambiente que premeia os jogos Fallout.

Para os mais distraídos, Fallout: New Vegas não é uma sequela directa do muito galardoado Fallout 3, mas é antes uma produção, que embora não seja "muito diferente" do seu anterior, premeia por uma abordagem mais de acção (já lá vamos). O estúdio de produção é agora a Obsidian Entertainment, que embora não tenha tido o sucesso esperado com Alpha Protocol, consegue redimir-se no novo Fallout.

Um dos aspectos positivos, ou negativos em muitos casos, deste New Vegas, é que não tenta fugir muito ao conceito do anterior jogo. Como referi, embora não sendo uma sequela, é perfeitamente notório toda a sua influência. Neste novo jogo somos um carteiro contratado para levar uma determinada encomenda. Diferente de outros carteiros, aqui o nosso inimigo não é um cão, mas sim um certo individuo, armado em Gigolô barato que nos rouba a encomenda e deixa-nos a morrer. A nossa primeira demanda é ir em busca da encomenda, e poder cumprir com o nosso papel. Mas o que iremos encontrar não é bem o que estávamos à espera, e como em qualquer RPG que se preze, a árvore de "Quests" aumenta de forma desalmada conforme penetramos mais na trama.

Algo estranho nesta onda de RPGs é que o trabalho desempenhado na caracterização da nossa personagem é deitado literalmente ao lixo, pois nem uma única vez consegui vislumbrar a nossa face em qualquer parte do jogo. Sem cut-scenes, sem espelhos, pois com tanta destruição não houve um que tenha aguentado. Após o Fallout 3 de 2008, esperava uma grande mudança neste aspecto, tornar o nosso jogador, o nosso eu virtual mais familiar. Mas tal não acontece.

Desta vez o local de "trabalho" é uma Las Vegas (New Vegas) perdida, e o deserto Mojave, ou Mojave Wasteland como é chamado no jogo, como palco de muitos quilómetros a pé. Estamos em 2281, sendo que é o jogo da série Fallout com data mais afastada da Grande Guerra de 2077. Por esta razão, existe uma sensação no ar de um maior equilíbrio em termos de vegetação, de radioactividade e efeitos da guerra nuclear. Tal poderá ser vislumbrado no jogo através da presença de várias flores ou frutos que poderão ser recolhidos para consumo instantâneo ou para posterior preparação de receitas. Algo que não era possível no anterior, pois não existia vegetação. Diversos nativos foram ao encontro das luzes brilhantes da nova New Vegas, uma nova cidade que prometia um reinício da civilização. De um momento para o outro vemo-nos envolvidos numa guerra e conflito de interesses entre diversas facções.

Esta nossa relação com as diversas facções da Wasteland é um dos pontos altos do jogo. Tudo aquilo que fazemos irá ter repercussões onde menos esperámos. A nossa fama, boa ou má, é rapidamente passada de boca em boca, e não raras são as vezes em que fui confrontado com coisas que tinha feito há mais de 8 horas (reais). Esta ligação, de fazermos bem a estes e mal àqueles, dar-nos-à amigos, mas muitos mais inimigos. Também podemos optar por jogar à defesa, tentar vencer em todas as frentes. Embora pareça impossível, tentei sempre ir por esse caminho, tentando ganhar em todos os lados. Existem, claro, alturas que temos que tomar decisões mais importantes, que ditam o rumo da história, e aí não há nada a fazer.

Devido a esta teia de interesses, é extremamente importante estarmos atentos aos diálogos. Responder ou sermos mal interpretados é comum se não conseguirmos lidar bem com o inglês. Mesmo para quem esteja à vontade com o inglês convém ter alguns apontamentos para conseguirmos tirar o máximo de cada acção, isto claro dentro do jogo.

Uma das facções que mais detestei, e joguei sujo com ela, foi a Legion, liderada claro pelo seu Caesar. Armados em imperialistas, foi com algum gozo que consegui enganar o grande Caesar e sair debaixo de sua guarda sem nenhum arranhão. Este é certamente um dos pontos altos do jogo, a capacidade de podermos mudar, colocar a nossa mente dentro do jogo e ele reagir de acordo com as nossas decisões, tudo bastante credível. Noutras alturas, não consegue atingir este nível de profundidade. Principalmente em algumas personagens, que nos passam pela vista de forma muito estranha.

Se esperam seguir em linha recta a Quest principal, irão deparar-se com enormes dificuldades, senão impossível. A começar logo por determinadas características que precisas de ter para ultrapassar algumas delas. Por um lado compreendo esta opção, por outro, em algumas situações seria mais interessante sermos avisados antes de começar a Quest, pois aconteceu por algumas vezes gastar mais de 3 horas para completar uma, e chegar ao fim e ver que afinal preciso de X Repair para reparar uma máquina. ?? algo compreensível, mas que traz um pouco de frustração ao jogador.

Por esta razão, a procura e vasculhar por coisas no lixo, nas casas, nas gavetas, em caixotes, é de extrema importância para o nosso sucesso. Fallout: New Vegas, como outros RPG mais clássicos, não é para jogadores ávidos de acção, mas sim para quem quiser perder horas e horas em apenas construir a sua personagem. Em New Vegas essa tarefa é facilitada pelas interessantes e desafiadoras Side-quests. Mesmo estas Side-quests terão que ser levadas em conta, pois nem sempre estamos preparados para elas. Mas mesmo que estejamos bem equipados, temos que pensar muito bem contra quem estamos a lutar, pois nem sempre X arma é muito eficaz com X inimigo.

Por isso, nas primeiras horas de jogo há que evitar os montes, e andar sempre pelas estradas. Mas claro, nem só de mutantes e bichos estranhos vive Fallout: New Vegas, as facções e os inimigos mais isolados habitam e fazem emboscadas em certas localidades. Não se admirem que ao passarem por um vale e saírem das pedras diversos inimigos, ou irem pelas ruas e alguém pedir ajuda dentro de um beco e afinal era tudo para te apanhar. Este dinamismo no jogo é extremamente interessante, e existem imensos casos destes. Como também existe de ti para todos, num sentido que possas fazer algo que contribui para a sociedade. Como por exemplo o canibalismo, algo que nós também podemos ser.

Por todas estas razões existe algo que se possa dizer sobre Fallout: New Vegas. ?? enorme. Sim, se não tiverem cuidado, irão estar horas e horas apenas a fazer Side-quests. Quando derem por ela pensarão, "Mas afinal tenho que ir para X lugar, lá é que é importante". Mas no meu caso, a curiosidade é tal, que não consigo resistir em passar numa estrada e ver ao longe uma estação de gasolina ou uma pequena aldeia meio abandonada sem lhes dar uma vista de olhos. O pior, é que quando chego, a árvore deste suposto Side-quest abre-se de tal forma, que volto a esquecer-me que afinal sou um carteiro.

A Obsidian, mais habituada a RPGs de acção, conseguiu implementar ainda mais essa característica no jogo. Embora ainda usemos o sistema V.A.T.S, podemos jogar muito bem apenas com a visão clássica FPS, ou até mesmo em modo de terceira pessoa, sendo que neste último aconselho a arma sem ser de fogo, como bastões, tacos, facas. Agora também temos um sistema de ataques associados, onde até podemos produzir as nossas próprias armas e modificações. Podemos fazer isto em certas bancadas de trabalho, ou pedir a um dos nossos companheiros que viajam connosco e tenham a habilidade de transformar.

Um dos pontos que não abona Fallout: New Vegas, é o seu motor de jogo, principalmente a nível gráfico. Fallout 3 já parecia na altura certo datado, agora em New Vegas, as mudanças não foram significativas, mantendo uma qualidade gráfica bastante baixa para os padrões actuais. Claro que a qualidade gráfica não é tudo num jogo, mas quando conseguimos ter fantásticas vistas de noite sobre uma New Vegas iluminada, e depois quando chegámos ao local, a beleza morre devido à falta de brilho, de cor, e de efeitos.

Os companheiros são outro aspecto que merecia mais cuidado. Embora possamos dar ordens, não raro são as vezes que têm comportamentos estranhos. Desaparecem, não sabemos onde andam, não se encontram no radar, e sem mais nem menos estão ao nosso lado, provocando em algumas situações sustos involuntários. Também neste aspecto começam os muitos bugs que o jogo tem, como por exemplo o companheiro desaparecer por completo, embora as outras personagens digam que ele está connosco, e às vezes dá alguns comentários, certo é que não o vemos nem podemos pedir ajuda. Se não tiverem outro Save do jogo, perderam por completo esse personagem. Passa a ser um fantasma.

Existem outros erros, como por exemplo o não funcionamento de certos triggers, algo extremamente grave para um jogo como Fallout: New Vegas. Se tiverem este azar, que seja um trigger principal, e não tiverem uma gravação anterior mais afastada, poderão deitar a perder tudo o que fizeram. Por essa razão aconselho a irem gravando constantemente em pelo menos três ficheiros, ou em última instância, terem sorte e conseguirem por milagre que o trigger seja accionado.

Para além disso, aconteceu inúmeras vezes o jogo sair para o menu da consola sem mais nem menos, ou começar a disparar sem que eu esteja a fazer algo. Nem mesmo um reinicio da consola e do respectivo jogo salvou esse Save. Tive que recorrer a um dos anteriores.

Fallout: New Vegas é um fantástico jogo, muito dinâmico, que nos dá uma história credível, e acima de tudo que nos fornece ferramentas para moldarmos como a queremos contar. A ligação com as diferentes facções é um dos pontos altos. Para além disso ainda temos o Hardcore Mode, que é o expoente da sobrevivência e do desenrasque em tempos de crise (dava jeito). Não é um modo para todos, pois neste caso somos obrigados a nos embrenhar ainda mais nas modificações, nas criações, na questão da radioactividade, em cozinhados, em arranjar panelas, garfos, facas, etc...

Por último, os diversos erros poderão deitar por terra todo um esforço, quer da equipa de produção quer do jogador. O ambiente em si é credível, mas os gráficos datados tornam muitas vezes a experiência demasiado má à vista, em virtude dos imensos jogos superiores a Fallout: New Vegas, a este respeito. A desculpa de ser um ambiente Sand-box já não pega nos padrões actuais. Mas se estão à procura de um universo repleto de aventuras e desafios, Fallout: New Vegas é vosso jogo, e por muitos mais meses.


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