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Review de Enslaved: Odyssey to the West para PS3 de GameTV

por Raziel619, fonte GameTV, data  editar remover




A parte mais difícil de escrever um texto sobre Enslaved é descobrir para qual lado a balança deve pender: Seria um bom filme interativo ou um jogo com um roteiro entrelaçado de forma impecável com seu sistema de combate, upgrades e progressão da história? Entre altos e baixos, principalmente se comparado com seu sucesso anterior, Heavenly Sword, a Ninja Theory evoluiu bastante.

Para o Oeste

Enslaved: Odissey to the West é inspirado em um conto chinês de mais de 400 anos, sendo considerado um dos Quatro Grandes Contos Clássicos da literatura chinesa. Você conhece parte dele em obras consagradas do universo pop japonês, como Dragon Ball e Saiyuki, de filmes americanos - o recente O Reino Proibido, com Jackie Chan e Jet Li - e até mesmo em jogos - o Infernape, de Pokémon é um bom exemplo.

A Ninja Theory criou sua própria versão da obra, em um mundo pós apocalíptico, passado há 150 anos no futuro, totalmente desolado em que humanos são capturados e postos como escravos para o bem de uma entidade chamada de Pyramid. Nesse contexto, Tripitaka é uma rebelde recém capturada, mas que consegue fugir do seu cativeiro e ainda "resgata" um único passageiro, Monkey - que não é nenhum Toddynho, mas será seu companheiro de aventuras.

A escola Uncharted 2 de cenários exuberantes foi bem aplicada aqui. Tudo é grandioso, as paisagens conceituais (afinal, trata-se do futuro) ficaram bem condizentes com a situação "Os humanos deixaram de dominar o planeta", com a natureza retomando seu lugar por direito. Tudo melhora quando a câmera age por conta própria, colocando sombras contra um pôr-do-sol desanuviado e bastante aprazível aos sentidos.

Os personagens são o destaque da aventura, no entanto. Trip e Monkey mantém uma similaridade com seus dubladores, o que facilita a aceitação dos modelos 3D como reais. Andy Serkis, o pitoresco King Bohan (Heavenly Sword) - e que também dá vida ao personagem Gollum, de Senhor dos Anéis -, retorna sempre genial aos microfones de dublagem. Sua parceira é a novata (no mundo gamer) Lindsey Shaw, mas que não fica atrás do seu veterano. Ambos intepretam os personagens principais, Monkey e Trip.



Como os inimigos dessa vez são máquinas, os holofotes ficam em cima dos dois o tempo todo. E não precisamos de muito para simpatizarmos com a jovem hacker fugitiva e seu protetor de pouco assunto. ?? interessante notar em detalhes que fazem com que os personagens se pareçam com suas contrapartes orientais. Monkey, usa uma tiara e veste um cinto que deixa um filete de sobra, lembrando um rabo de macaco. Trip chega com seu cabelo amarrado num coque que remete um pouco ao adereço que sua versão japonesa usa na série clássica de televisão dos anos 70.

A tiara que Monkey usa na cabeça, funciona exatamente como no original. Serve para manter o guerreiro sob o controle de da garotinha. Assim, caso ele se distancie demais dela, ou Trip venha a morrer em combate, Monkey também dá adeus à vida, tendo seu cérebro derretido.

A famosa nuvem dourada de Dragon Ball, que leva Goku para todos os lados e que é parte importantíssima da história, também faz a sua ponta. E seguindo a roupagem de Enslaved, surge na forma de um aparato tecnológico e místico - apenas para Monkey, porque Trip saca na hora qual é a do veículo e tenta, em vão, explicar ao seu companheiro. ?? interessante surfar em cima da 'Cloud'. Os movimentos são rápidos e precisos, e a qualquer momento, podemos saltar dela e correr em terra firme.

Em relação à trama, existem dois grandes problemas no roteiro escrito por Alex Garland (famoso pela assinatura de Extermínio - 28 Days Later, no original). O primeiro deles é a precariedade com que ele lida a transição da história, seu clímax. Saí de uma jornada cheia de obstáculos para casa e transforma-se num simples ato de vingança. Simples até demais para os padrões do roteirista.

O outro grande problema é a falta de uma personalidade vilanesca para coroar a busca dos heróis. ?? certo que no romance original, Monkey e Tripitaka partem praticamente em uma cruzada religiosa contra os Deuses do Leste (Taoístas), enfrentam demônios e fazem amizades mil, todos repletos de magias e poderes surpreendentes. O que vemos em Enslaved é a sua visão final desse embate celestial, que não harmoniza no contexto de aventura do resto do jogo.



Extra

A pequena ajuda da dupla chega na forma suína de Pigsy (Richard Ridings), outro rebelde que vive em seu pântano querido, a Pigsyland. E ele não poderia ser diferente: xavequeiro, sujo e de cara implica com Monkey. Sua arma preferida é um rifle de precisão e um gancho em forma de mão, que serve para fazê-lo alcançar lugares altos sem longas escaladas.

Reza a lenda que o personagem virá em forma jogável em um futuro DLC de Enslaved.

Mas... e o jogo?

Se o ponto alto de Enslaved são seus gráficos, conceitos visuais e interpretações particulares de cada personagem, encaixando-os de forma perfeita no roteiro, o ponto baixo do jogo mantém-se, infelizmente, na visão da obra como um divertimento tecnológico. Um jogo.

Tudo aqui é simplificado ao extremo, limitando o jogador apenas a acompanhar a história, e de forma descarada. Ganhar pontos de evolução é fácil (até demais). Dá para evoluir apenas seus aspectos físicos (energia e escudos de força) e se dar bem sem uma atualização de combate sequer. Não fará falta alguma.

Buracos não existem, dificilmente você cairá em uma armadilha de cenário, penhascos carregam a clássica parede invisível e você precisa bobear muito para ser derrotado por um inimigo. ?? como se a equipe da Ninja Theory se preocupasse mais em lhe trazer diversão na forma de um roteiro interativo (mas não de livre arbrítio e múltiplos finais) a um jogo desafiador.

Os combates elaborados de Heavenly Sword deram lugar a uma variação de, no máximo, quatro combos distintos. Nada de mil hits com armas variadas. Aqui a ação acontece com um bastão que gera energia magnética e dispara projéteis. Existem certos momentos - indicados com um sinal de '!' na cabeça do inimigo - que Monkey, ao derrotá-lo, ativa uma animação especial que mostra toda a violência do combate. E só. Nada de modo cooperativo também.

A falta de critério na elaboração dos confrontos em Enslaved transforma as lutas numa repetitiva ação que não agrega praticamente nada à trama, fazendo a gente querer evita-los ao máximo.



Matando Gigantes

Os duelos contra os chefes são escassos e repetitivos, mas só pelo fato de não haverem muitos e um deles aparecer mais de uma vez. Os monstrengos gigantes que ditam as perseguições (bastante empolgantes, aliás), são três. Um deles, o cachorrinho simpático do trailer, aparece em duas sequências. E ambos morrem da mesma forma.

Não basta marretar o inimigo até que sua vida desapareça por completo. ?? preciso pensar em uma estratégia e manter-se atento ao tempo do jogo, que como sempre, vai lhe indicar o que fazer.

Enslaved: Odissey to the West é a obra máxima da Ninja Theory. Contudo, deixa brechas imperdoáveis e que precisam ser revistas o quanto antes. A começar pelo direcionamento da própria empresa na concepção de um jogo. O balanço alcançado entre a história passada através dos mecanismos que impulsionam o jogador a jogá-lo de fato, foi perdido. No seu lugar temos algo que incumbe-se, primariamente, de contar uma história da forma mais direta possível, sacrificando toda e qualquer adversidade que o jogador possa vir a encontrar pelo caminho.

Fácil e rápido. Ao mesmo tempo, divertido e gratificante.


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