GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Medal of Honor (2010) para X360 de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Após uma ausência de três anos, Medal of Honor está de volta. Esta nova entrada é uma volta de 180 graus na série, um reiniciar, daí o nome ser somente Medal of Honor, sem nenhum subtítulo. Sendo a Segunda Grande Guerra um tema já muito explorado no género dos first-person shooters, aconteceu algo semelhante ao que aconteceu com Call of Duty 4. As guerras modernas são o foco dos grandes jogos deste género nesta geração, e como tal, Medal of Honor seguiu a "onda". Mas Medal of Honor foi mais longe e decidiu pegar num conflito actual e centrar-se nele, a guerra no Afeganistão.

Duas coisas rodeiam o lançamento de Medal of Honor, sendo elas o hype, é o regresso de uma grande série que já vem do tempo da primeira PlayStation e que nos habituou a jogos de grande qualidade, e a segunda é a controvérsia. Primeiramente o jogo começou por ser banido pelas lojas GameStop instaladas na bases militares Norte-Americanas, e mais recentemente, os talibãs mudaram de nome na componente multijogador para Opposing Force devido ao desconforto de algumas famílias e soldados. A meu ver, esta medida não muda nada, o jogo continua a retratar a guerra no Afeganistão e os talibãs estão presentes na campanha (e também no multijogador, afinal apenas mudaram de nome).

A finalidade da campanha é mostrar ao jogador a realidade diária dos soldados americanos no Afeganistão. Não vamos controlar somente uma classe ou esquadrão de soldados, mas vários: temos os Seals, os Rangers e o Tier 1. Apesar de serem diferentes, fazemos a mesmas coisas com todos. Com o Tier 1 existem algumas secções de snipping, em que temos de alvejar inimigos a grandes distancias, que fogem ao habitual.

Um dos problemas que afecta a campanha é a sua falta de variedade, foram várias as vezes em que pensei "Eu já não fiz isto antes?". O cenário principal são as montanhas, é o sítio onde decorre cerca de 80 porcento da campanha. Os níveis são sempre a mesma coisa, avançamos em frente e matamos vezes e vezes sem conta talibãs. Algo muito utilizado é o suporte aéreo, onde em quase todos os níveis existe uma parte para seguirmos em frente e temos de assinalar um alvo (normalmente uma arma de grande calibre) para ser bombardeado.

Os talibãs aparentam estar as jogar às escondidas, digo isto porque tudo o que fazem é esconderem-se atrás das rochas. Não há grande dificuldade para avançar-mos em frente, escondemo-nos também atrás das rochas e esperamos que eles metam a cabeça de fora. ?? raro lançarem uma granada contra nós, não tentam avançar em frente no terreno ou flanquear-nos, basicamente, não existe estratégia. A ideia com que fiquei dos talibãs é que só sabem gritar e disparar.

E depois, a história é praticamente inexistente. Saltamos de esquadrão em esquadrão (o jogador, não as personagens) mas não ficamos a saber nada sobre as personagens e nem há interacção entre as mesmas. A campanha resume-se aglomerado de missões com algumas cinemáticas a fazer ligação entre elas. Nota-se que o final da campanha era suposto criar impacto no jogador, mas devido às razões referidas, não consegue criar o efeito desejado.

Embora tenha a falhas, não considero que seja uma campanha má, pode-se classificar de razoável, mas outros jogos já fizeram igual ou melhor, não há nada de novo, e é por isso que não surpreende. Simplesmente havia potencial para muito mais. A guerra no Afeganistão é algo actual e que está na televisão, revistas, jornais e outros meios de comunicação, o que me parece é que a Danger Close não soube aproveitar o que tinha em mãos. A curta duração da campanha também não joga a favor do jogo. Não estive a jogar com um cronómetro ao meu lado, mas diria que a campanha dura umas 4 horas (em dificuldade normal).

Graficamente, também não surpreende, e mais uma vez, não é nada que não tenhamos visto noutros jogos. Medal of Honor usa dois motores de jogo, um para a campanha e outro para o multijogador, produzido pela DICE a versão do Frostbite Engine. O motor usado na campanha é o Unreal Engine 3 e surgem os habituais atrasos no carregamento das texturas. Em termos de fluidez não tenho nada a apontar, não há quebras na framerate e os loadings passam despercebidos.

Dentro da campanha temos ainda um modo chamado "Tier 1", que vos deixa jogar novamente as missões que já realizaram mas desta vez estão a competir numa leaderboard. Os parâmetros que vão determinar a vossa posição é o número de headshots, mortes com a faca e tempo em que completam a missão. Para além disto, resta-nos uma das coisas mais importantes nos mais recentes FPS, o multijogador.

Se o modo campanha do jogo não traz consigo nenhuma novidade, o mesmo se aplica ao multiplayer. De facto, é muito e até demasiado idêntico a Bad Company (BC). ?? uma desilusão mesmo, pegar num jogo acabado de comprar e verificar que não possui conteúdo próprio, uma marca que desse vontade de o explorar. A colagem é tal que se fecharmos os olhos ficámos com a nítida sensação que estamos a jogar Bad Company MP.

Mas vamos por partes, falemos primeiro das opções deste modo e suas possibilidades. Não há nada de inovador, sendo os seus modos de jogo cópia do outro título da DICE. Temos cinco ao dispor, Sector Control, Combat Mission, Objective Raid e dois tipos de Team Assault, um mais rápido que o outro, sendo o segundo mais exigente e muito mais realista, pois estamos privados de informações tais como a nossa energia e até a mira das armas. Todos estes modos de jogo são familiares, não havendo nada a aprender, a não ser que nunca tenham colocado as mãos em BC.

?? claro que não podiam faltar os diversos unlocks e as tão apetecíveis recompensas. Também aqui nada há de novo, temos que ir progredindo no jogo com cada uma das três classes, Rifleman, Special Ops e Sniper. Todas as classes possuem três tipos de unlocks para as armas designados por slots, que vão desde mais carregadores de munições, novas armas e diversos tipos de acessórios para as mesmas.

Relativamente à jogabilidade em si e ao balanceamento do jogo, que passa pela relação jogo e organização do mesmo no terreno, há muita coisa que merecia mais atenção. Não se compreende como em múltiplas ocasiões somos colocados no terreno de batalha rodeados de inimigos, onde somos apenas "carne para canhão". Outro aspecto incompreensível é o facto de em alguns mapas os snipers têm a possibilidade de atingir o inimigo no local onde este aparece depois de morrer. A construção dos mapas deveria ter sido mais cuidadosa e ter esse pormenor em conta, não tem lógica nem sentido promover o acampamento e dar a "capacidade" aos jogadores de ver o mapa de um lado ao outro.

O modo para múltiplos jogadores de Medal of Honor afasta-se dos seus concorrentes directos, cola-se muito a BC, o que é lamentável, pois não se perdia nada com a tentativa de alguma inovação e até algum risco. Também paira no ar um odor a frustração ao jogar este modo, pois jogadores acabados de chegar, que não têm um ranking elevado e as armas apetrechadas, vão sofrer imenso e a frustração instala-se de tanto morrer. Ranking superior é sinónimo de exagerada superioridade.

Medal of Honor é mais um título que fica aquém das expectativas. Houve uma grande aposta da EA e gerou-se hype em redor do jogo mas isso apenas serviu para que a desilusão fosse maior. A campanha é razoável, mas curta e o multijogador é demasiado parecido com Bad Company. Não que isso seja mau em si, mas que é mais do mesmo. Olhando para isto, os conteúdos para oferecer ao jogador não são muitos. A expressão "Só mais um FPS" serve bem para descrever Medal of Honor.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Eurogamer
7/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Raziel619
©2016 GameVicio