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Review de Front Mission Evolved para X360 de GameTV

por Raziel619, fonte GameTV, data  editar remover




Há algum tempo a palavra de ordem entre as grandes produtoras japonesas vem sendo ???marche para o Oeste???. Deixar de olhar só para o mercado local e explorar novos horizontes para tentar se renovar perante os olhos do mundo. Junto com a Capcom, a Square Enix foi uma das primeiras casas de jogos orientais a entrar de cabeça nessa história, executando ações como a compra da Eidos e a distribuição de Supreme Commander 2, por exemplo.

Não contentes, porém, decidiram que seria uma boa ideia passar um dos seus próprios jogos para as mãos de um estúdio ocidental que, em tese, o adaptaria para os gostos dos jogadores do nosso lado do mundo. O que não seria grande problema, não tivessem transformado uma excelente série de estratégia em mais um jogo de tiro sem a menor graça.

Tanque Ambulante

Front Mission Evolved conta a história de Dylan Ramsey, piloto de testes de uma empresa bélica que, durante um ataque terrorista à Manhattan, rouba o protótipo no qual está trabalhando para proteger a cidade e salvar seu pai. Depois de trocar alguns tiros, ele acaba se juntando ao exército e participando do novo conflito entre as duas principais facções do mundo: a USN, formada pelas Américas, e a OCU, composta pelo Japão, Oceania e alguns países do leste asiático.

Um dos pontos principais da trama, porém, é o sistema E.D.G.E. - programa especial que apenas alguns pilotos ???escolhidos??? podem usar. Ao ser ativado, ele aumenta os reflexos do usuário e o transforma em uma espécie de arma definitiva... ao custo de sérios danos psicológicos.

Saem as tramas militares e políticas, entra uma história sobre robôs com superpoderes. Nada animador para os fãs da série ou para quem busca um game com roteiro e personagens minimamente interessantes - diferente do general que pilota de terno e sobretudo e a vilã que faz questão de mostrar a língua e o decote a cada três segundos.

Mesmo o jogo por si só, sem considerar o legado da franquia, não se segura muito bem em cima das suas pernas robóticas.

Evolved funciona como qualquer outro game de tiro em terceira pessoa: visão pelas costas, retícula (grande até demais) na tela, ???ande do ponto A ao ponto B atirando em tudo que se mexer???. Por esse lado o jogo poderia ser, ao menos, inofensivo. O problema está justamente quando os conceitos dos originais de estratégia começam a ser aplicados.



A começar pelo dano localizado. Um aspecto muito importante dos Front Mission tradicionais era que os robôs tinham partes definidas: tronco, braços e pernas. Dano no tronco compromete a estrutura principal, braços danificados são incapazes de usar armas e pernas destruídas limitam a movimentação. Tudo foi transportado perfeitamente para a nova versão 3D... mas quem se importa em mirar em uma parte de um robô quando 15 atiram em você ao mesmo tempo - e é mais fácil simplesmente fuzilar mísseis? Ou um rifle de assalto, que destrói qualquer unidade inimiga com dois ou três tiros, efetivamente quebrando o jogo.

Isso sem contar, claro, as batalhas imensamente entediantes contra os chefes. Você contra mais um (ou mais) em uma arena fechada com caixas de munição e vida por toda parte, reaparecendo pouco tempo depois de você pegá-las. Não existe desafio, emoção ou satisfação em derrotar um inimigo maior: é só atirar, tomar algumas balas, pegar o item e repetir o processo. Um processo meramente burocrático.

Outro problema não tão grave vem no sistema de personalização dos Wanzers. Assim como antes, entre uma missão e outra é possível trocar peças, armas e até a pintura do robô no hangar do exército. As opções são suficientemente vastas (inclusive com alguns modelos prontos para ninguém se perder) e relativamente claras, apesar dos menus terem apenas nomes e números, às vezes difíceis de distinguir.

Mas infelizmente não há muita necessidade de variar e experimentar, já que qualquer configuração de parâmetros mais altos serve, dada a abundância de itens de recuperação nas fases. Além disso, não há inventário: você só pode trocar uma peça por outra, sem fazer estoque e sem fazer sentido também.

Por fim, seus companheiros. Via de regra Dylan terá sempre um ou mais companheiros em cada fase... todos eles completamente inúteis. ?? como se, enquanto você enfrenta um exército sozinho, sua própria equipe estivesse atirando na parede ou jogando cartas. O que é triste, já que antes a coordenação do time era vital para sobreviver a cada batalha.

A grande novidade de Evolved, porém, é a possibilidade de enfrentar os terroristas a pé, fora do seu robô - uma experiência ainda mais genérica e sem inspiração. Três variações de armas, granadas, fases labirínticas e inimigos todos clones uns dos outros. Há também um modo multiplayer, com os mesmos elementos da jogabilidade da campanha principal e modalidades como deathmatch, deathmatch em equipes e controle de pontos, mas nada digno de nota - a não ser a dificuldade de se enfrentar oponentes muito melhor equipados na mesma arena.

Front Mission Evolved é um poço de oportunidades mal aproveitadas. De ressucitar uma série querida, de conquistar novos fãs ou, no mínimo, criar um jogo de tiro divertido. Se ocidentalizar é preciso, que esse fique sendo um exemplo do que não fazer.


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