GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Metroid: Other M para Wii de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


O início de Metroid: Other M prenuncia que estamos face a um Metroid muito diferente daquele que nos tem acompanhado ao longo dos anos. Ao fim de alguns minutos de jogo já ouvimos Samus discorrer acerca do que a rodeia mais do que a ouvimos falar na totalidade da maioria dos jogos da saga.

?? um reflexo directo do singular foco deste título, que tem como missão principal contar-nos a história da protagonista, os eventos que levaram a rapariga a ser uma solitária caçadora de recompensas.

A aposta na narrativa é aparente, estando o jogo polvilhado com inúmeras sequências em CG que se mesclam na perfeição com a acção. Infelizmente, todo o guião é demasiado palavroso, dando azo a sequências desnecessariamente longas. Uma maleita que é compensada pelas gratificantes sequências que incluem acção intensa e que realmente ajudam à imersão no jogo.

Não só pelo perfeccionismo da transição entre essas sequências e o devolver do controlo ao jogador, mas também pela forma como o complementam. Enquanto jogo de acção em três dimensões, Other M muitas vezes pisca o olho às suas origens, com uma câmara que, em ambientes mais fechados, por vezes anda em ângulos reminiscentes de um jogo a duas dimensões.

O controlo de Samus fica reduzido apenas ao Wii Remote, uma tarefa hercúlea tendo em conta o reduzido número de botões. Ainda assim, o resultado final é competente, e as ajudas que o jogo sub-repticiamente dá ao jogador conseguem anular o sentimento inicial de que estamos limitados.

Samus aponta automaticamente para qualquer inimigo que esteja na direcção geral para que ela se encontra voltada e dentro do seu alcance. ?? um processo que se entranha e que dá azo a um ritmo de combate muito rápido, embora também implique que a generalidade dos inimigos são eliminados sem qualquer esforço.

Felizmente, não faltam inimigos mais poderosos e até alguns chefes de grande porte, que demonstram a solidez do sistema e, ao mesmo tempo, a variedade que permite, fazendo esquecer as limitações no número de botões. Muitos inimigos exigem que se recorra alternadamente à mobilidade da visão de terceira pessoa em conjunção com o poderio dos mísseis - um elemento clássico da saga - que podemos disparar unicamente na visão de primeira pessoa.

Para recorrer à visão em primeira pessoa basta apontar o comando para o ecrã, numa perspectiva equiparável à da saga Prime. No entanto, neste jogo a visão de primeira pessoa está reduzida a um uso esporádico, seja para disparar mísseis contra alvos específicos num curto espaço de tempo, seja para explorar o que nos rodeia. Isto pois, nesta visão, Samus fica completamente imóvel e vulnerável aos ataques dos inimigos.

No entanto, muito se tem a ganhar com a sua inclusão. A característica componente de exploração marca presença não só na quantidade de vezes que ao longo do jogo atravessamos os mesmos cenários com diferentes propósitos, mas também na forma como muitos segredos estão espalhados pelos mesmos.

Em geral, descobrir esses segredos apenas exige alguma atenção da parte do jogador. Ainda assim, muitas vezes temos de recorrer a um ponto de vista alternativo para vislumbrar estes elementos secretos. Seja no combate, seja na exploração, a inclusão da vista em primeira pessoa vem trazer alguma variedade ao jogo.

Do ponto de vista técnico, Metroid: Other M ombreia com o melhor que já se tem visto na consola da Nintendo, existindo uma boa diversidade de localizações e ambientes, servindo a "Nave Garrafa" de desculpa narrativa para colocar Samus em localizações positivamente reminiscentes das que visita na generalidade dos jogos da franquia. Também a banda sonora consegue não só criar um ambiente adequado como aproveita para introduzir alguns temas clássicos da franquia em pontos-chave.

Muitos olhos se devem ter revirado quando Yoshio Sakamoto decidiu que a mais recente entrada na franquia Metroid seria jogada apenas com o Wii Remote. Verdade seja dita, um jogo a três dimensões que apenas oferece como método de controlo um d-pad, está ligeiramente perdido no tempo e nas convenções que os anos e os avanços tecnológicos impuseram.

Olhando para a variedade de acções e habilidade que Samus detém, a quantidade obriga-nos a questionar se tudo não seria mais simples se o Nunchuk estivesse ligado. Dito isto, é preciso perguntar se a iniciativa não é de louvar. Quando o objectivo é oferecer ao jogador um jogo de acção a três dimensões e o fazemos com uma auto-imposta limitação, aquilo que unicamente importa é saber se o jogo sofre por isso.

A verdade é que, apesar de algumas mecânicas exigirem habituação, qualquer pessoa será capaz de completar este jogo sem nunca parar para pensar exactamente em que botão é que se activava esta ou aquela habilidade.

Tudo é fluído e óbvio; outra forma de dizer que o jogo faz a maior parte do trabalho pelo jogador. Por vezes, é certo, diminuindo o desafio. Olhando, nomeadamente, para o longo intervalo de tempo que nos é dado para activar a esquiva a um ataque inimigo. Já quando, na visão de primeira pessoa, o botão para disparar misseis contra um alvo ou o botão para largar um disparo carregado é o mesmo, sendo a decisão da munição a usar feita pelo jogo conforme o alvo, apercebemo-nos de que a decisão de tornar o jogo controlável apenas com o Remote vai de encontro à vontade de o tornar acessível ao maior espectro possível de pessoas.

Sabendo a dificuldade que a franquia tem tido em encontrar verdadeiro sucesso comercial, e olhando para o esforço que foi feito de estabelecer o passado da sua protagonista, é de louvar a iniciativa de largar certas convenções (quer do género, quer da própria saga Metroid) e fazer algo diferente com o mesmo material de base.

?? portanto inesperado que a maior falhar de Metroid: Other M surja no departamento narrativo, na forma pouco natural como a história e os sentimentos ou opiniões de Samus nos são transmitidos. Enquanto jogo de acção cumpre aquilo a que se propõe e acaba por ser revelar uma proposta muito atraente para os possuidores de uma Nintendo Wii.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Eurogamer
8/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

©2016 GameVicio