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Review de Metal Gear Solid: Peace Walker para PSP de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Metal Gear Solid não é uma série qualquer, longe disso. ?? uma série extremamente rica e complexa da qual muito foi contado mas tal é a sua escala que muito mais ainda permanece por contar. Por entre toda uma enorme rede de eventos interligados e cujas repercussões são um dos maiores espantos de ver desenrolar, existe ainda um vibrante leque de personagens que protagonizam este universo e entre eles está Big Boss que não é um personagem qualquer, longe disso. ?? um dos mais adorados personagens da série, o mais adorado a nível pessoal, e quando foi anunciado que mais eventos directamente ligados a Snake Eater, aquele que ainda hoje é o meu jogo favorito de todos os tempos, iam ser contados, estava dado o mote para uma enorme ansiedade patrocinado por um potencial como poucos na indústria.

Dito isto temos então a série Metal Gear Solid de regresso à portátil Sony com Peace Walker e a equipa da Kojima Productions na Konami encheu-se de força para provar mais uma vez a razão do sucesso por detrás da série de Hideo Kojima. A escolha da PSP como plataforma para o jogo pode não ter sido a mais popular entre os fãs que esperavam para descobrir o que a equipa ia fazer depois de Guns of the Patriots mas neste recuperar da mítica personagem Big Boss como figura central mostra toda uma convicção para mostrar que esta é uma plataforma tão válida quanto qualquer outra, especialmente no Japão onde goza de imenso sucesso. ?? aqui que reside um dos pontos mais fortes do jogo, a capacidade que a equipa teve em moldar a série consoante a realidade da plataforma que recebe o jogo e a adaptar para que esta reforçasse as suas forças e contornasse as suas fraquezas.

Mas antes de passar para o esquema e estrutura adoptados, vamos começar primeiro pela história. Peace Walker decorre 10 anos após Snake Eater, quatro anos após Portable Ops e vai-nos dar a conhecer a nova missão de Big Boss que agora é o líder de uma organização chamada Militaires Sans Frontières e que aqui dá início a Outer Haven. A base argumentativa de Peace Walker é toda ela uma intrigante amostra de valor e potencial, não fosse esta uma série que primou por tal. Nada vou contar que possa comprometer uma componente deliciosa desta experiência, apenas que apesar de uma estranha sensação de Déjà vu, os eventos aqui contados encaixam perfeitamente em todo o universo da série e criam situações dignas de um jogo de consola caseira em toda a sua glória. Não é por acaso que este poderia ter sido Metal Gear Solid 5 tal a força e escala do argumento. A assinalar o regresso do artista Ashley Wood para as sequências em jeito de banda desenhada que nos contam os principais, e espantosos, eventos principais. Outro dos pontos que parece ter sido alvo de atenção foi mesmo o conciliar do método tradicional de contar a história ao bom jeito Metal Gear Solid, apesar das adaptações como visto em Portable Ops, feito para que todos os fãs tenham elementos familiares que só eles vão perceber em toda a sua plenitude mas também tudo está feito de forma a que um novato possa pegar no jogo e desfrutar como uma experiência única e ???desligada??? de todo o universo.

Como referido, a experiência Metal Gear Solid foi moldada para se adaptar à nova plataforma e toda a estrutura de jogo está feita de acordo com a realidade de uma portátil. Novos elementos foram acrescentados e outros moldados e todo o conteúdo existente no pacote é colossal e digno da série. Com um grupo de soldados sem país a quem obedecer, Big Boss decide criar uma ???casa??? para todos os que acreditam que existe mais do que obedecer cegamente a ordens em cuja maior parte não acreditámos. Esta é uma das bases de todo o esquema de jogo pois leva-nos para a Mother Base, que como o nome indica, é a nossa base de operações. Para se adaptar às limitações da portátil, Peace Walker está dividido por missões e nos intervalos entre cada, somos levados para o menu da nossa base no qual vamos ter que gerir as nossas tropas e outros elementos. Com toda uma equipa em apoio, e crescente pois podemos recrutar soldados durante as missões, Big Boss não vai encontrar armas espalhadas pela selva ou pelas bases que percorre, como tradicionalmente, aqui são os soldados na base que descobrem novas armas e que as desenvolvem.

Com o nível necessário, a nossa equipa de desenvolvimento e pesquisa (uma entre cinco das equipas presentes na base) desenvolve novos pedaços de equipamento que se tornam imprescindíveis de missão para missão. Outras equipas como a equipa médica ou de combate cumprem os seus específicos propósitos e criam toda uma coesa sensação de gestão e manutenção de um exército ao serviço de Big Boss. ?? um elemento novo e apresentado de forma coerente pois ao contrário dos outros jogos da série, não temos mais o solitário soldado frente às adversidades.

Para patrocinar as pesquisas de novos utensílios que por seu lado facilitam a nossa missão, temos a oportunidade de jogar não só as missões de história mas também missões extra, opcionais, que nos dão muitos pontos para manter a pesquisa activa. Ao mesmo tempo a equipa vai subtilmente convidando o jogador a gerir todo este sistema mantendo-o na mesma a jogar o jogo na sua forma tradicional. Enquanto o faz, vai também ensinando o jogador a jogar e a habituar-se aos controlos numa portátil que tantas vezes viu o género ser criticado face a questões de ergonomia.

Na verdade a Kojima Productions consegue ser ainda mais inteligente na sua lide da plataforma. Todos sabemos que apesar de se inserir num género de acção, a palavra furtivo sempre foi de valor supremo em Metal Gear Solid e a KP preferiu melhorar e valorizar a experiência por uma via tão natural quanto salientar que o ser furtivo é a melhor recompensa. Com esquemas de controlos para todo o tipo de jogadores, é pedido de forma subliminar ao jogador que elimine o menor número possível de soldados. Por um lado porque mais vale recorrer a armas para os adormecer e assim capturar novos membros para a equipa e por outro lado promove toda uma forma mais pausada e cautelosa de actuar. Os ???amigos do gatilho fácil??? são convidados a viver a experiência furtiva que caracterizou a série e aqui temos um elemento que está ao nível do que vimos em Snake Eater.

Toda a estrutura do jogo é altamente sólida no equilíbrio entre o uso da plataforma e as características que definiram e marcaram a série e provavelmente o único defeito que podemos apontar está ligado à falta de personagens icónicas como adversários. A série Metal Gear Solid sempre nos apresentou personagens altamente memoráveis e cativantes do outro lado da barreira enquanto que Peace Walker opta por nos colocar face a enormes bestas mecânicas, o que pode ser encarado tanto como uma forma de lidar com as limitações da plataforma como também de a adaptar a uma das maiores e mais apetecíveis novidades, o modo cooperativo.

Se por um lado diversas personagens ricas e profundas cada uma com a sua história para conhecer iria forçar a mais diálogos e a mais sequências cinematográficas numa plataforma cujas limitações de espaço não se comparam a plataformas caseiras, o uso de bestas mecânicas está não só ligado ao enredo como também patrocinam e convidam ao uso do modo cooperativo. Big Boss tem agora todo um exército ao seu comando e sempre que quiserem podem entrar em modo cooperativo para encontrar jogadores para em conjunto enfrentar as adversidades. A grande parte das missões pode ser jogada desta forma e muitas delas está mesmo estruturada para que assim seja feito. O nível de dificuldade de algumas a solo pode ser frustrante, especialmente face às já referidas bestas mecânicas. Jogadas ao lado de outros jogadores são momentos na mesma épicos e divertidos. A interactividade e conectividade entre jogadores é um dos maiores apelos do jogo e entre cooperar ou combater contra outros jogadores, podemos ainda trocar itens e até soldados.

Caso optem, ou sejam forçados a jogar em modo solitário também não vão ter as expectativas defraudadas, bem longe disso. O jogo coloca todos os seus elementos em bela sintonia entre si debaixo de toda uma coesa e intrigante estrutura para que o jogador tenha um apelo ao jogo em mútuo apoio. Se chegarem a uma missão que não conseguem passar, o jogo dá-vos a oportunidade de, como anteriormente referido, jogar missões extra e assim ganhar pontos para permitir novas pesquisas e desta forma ganhar armas/itens que podem ajudar na actual missão. O jogo vai subindo de dificuldade de forma coerente e crescente, dando sempre ao jogador livre controlo de como quer prosseguir, na medida em que se quiser facilitar a experiência vai ter na mesma que a jogar.

Peace Walker é sem dúvida alguma um dos produtos mais completos e mais espantosos de ver na PSP. Tecnicamente está entre o que de melhor foi feito até hoje na plataforma e provavelmente muitos vão argumentar que é mesmo o melhor visto na portátil Sony. Visualmente consegue momentos arrebatadores e dentro das suas limitações apresenta um mundo convincente que em nada retira primor às bases qualitativas da série. Este é um pequeno grande Metal Gear Solid em todos os aspectos. A portátil forçou a que os locais estejam divididos em pequenas zonas separadas por ecrãs de carregamento, provavelmente o único problema do jogo, mas alguns podem mesmo ficar gravados na mente do jogador. A isto devemos adicionar as sequências de história que regressam no seu tom de banda desenhada e ainda uma envolvente banda sonora que também ela mantém toda a qualidade a que a série nos habituou.

Com uma experiência a solo digna da série que a alberga, com o modo cooperativo e com o convite à interactividade entre jogadores, com o seu subtil sistema de gestão que nada mais faz do que fornecer à jogabilidade um elemento extra sustentado no argumento, Peace Walker é jogo que pode durar muito para lá das cem horas de jogo, caso assim o queiram. ?? mesmo extraordinário como o jogo pode deixar vontade de jogar mais e mais e se tiverem amigos, então tudo fica ainda melhor.

Metal Gear Solid: Peace Walker é um pacote altamente completo e recomendado sem reservas não só a fãs das obras de Hideo mas também a qualquer um com uma PSP. O tamanho do que é oferecido é enorme mas sem qualquer vontade de estragar quaisquer surpresas é preferível apenas efectuar um convite e deixar que descubram por vocês próprios o quanto é oferecido aqui. São horas e horas de jogo como raramente visto na plataforma e se são fãs de Metal Gear Solid nem precisam de recomendação.


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