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Review de StarCraft II: Wings of Liberty para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Muito antes de World of Warcraft, a Blizzard já fazia jogos que envolviam qualquer um por completo, como os memoráveis WarCraft II, The Lost Vikings e Diablo. Mas, mesmo em um catálogo de tantos bons jogos, StarCraft, lançado em 1998, se destacou pela jogabilidade equilibrada, enredo e, principalmente, um multiplayer competitivo cativante.

Mesmo amparada por um único jogo, uma legião de fãs cultuou e jogou StarCraft pelo passar dos anos, inabalável, mesmo com o lançamento de outros RTS com recursos mais modernos e visuais avançados. E é por essa expectativa e por respeito à tradição que StarCraft II chega com o mesmo conceito do jogo da década passada, sem grandes alterações na essência, mas provido de todos os avanços tecnológicos possíveis.

Zergs, Protoss e Terrans
Um dos pontos polêmicos de StarCraft II é que nesta edição (Wings of Liberty) só é possível jogar a campanha dos Terrans, um dos três povos de StarCraft. As campanhas para os Zergs e Protoss serão lançadas em expansões futuras, uma a cada ano. A estratégia caça-níquel seria revoltante, pois parece que apenas dividiram um 'must buy' em três. Mas a verdade é que a campanha de Wings of Liberty é tão boa que a ausência dos outros dois exércitos no singleplayer se torna perdoável.

Quem não jogou o primeiro StarCraft e a sua expansão Brood War (algo lamentável, o jogo é de 1998!) pode ficar um pouco perdido com o enredo, assim como boa parte das pessoas que encerrou a campanha mais de uma década atrás. Mas um resumo da Blizzard durante a instalação contextualiza bem o jogador na história de Jim Raynor, um Terran que comanda uma espécie de guerrilha contra Mengsk, o imperador de um governo chamado Supremacia, que traiu Sarah Kerrigan, uma ex-companheira do herói.

Sarah foi abandonada por Mengsk em um planeta tomado por Zergs - alienígenas isectoídes extremamente agressivos que se estruturam como em um colméia. Irônicamente, ela estava lá para facilitar a invasão deles, lutando contra os Protoss, um povo de tecnologia avançada e habilidades psiônicas que estava ajudando a Confederação dos Terrans a se defender dos Zergs. Só que Sarah não morreu na invasão: foi tomada e corrompida pela colméia, se tornando a rainha das lâminas e comandando o enxame Zerg.

Na campanha de StarCraft II, temos Jim Raynor de volta comandando rebeldes contra a confederação, os Zergs de Sarah Keirrigan e os Protoss. O enredo da campanha é bem envolvente, mas ainda mais interessante é o design de fases e jogabilidade. Os mapas envolvem objetivos parecidos com os que conhecemos de qualquer outro jogo do gênero, tais como defender uma posição por tempo determinado contra hordas de inimigos, destruir estruturas específicas marcadas no mapa, entre outros. Mas isso sempre é executado de forma criativa e desafiadora na jogabilidade, o que faz com que as missões sejam únicas e bem envolventes.

E além de objetivos principais, sempre existem metas extras que podem ser concluídas. Além da sensação de trabalho bem feito, concluir estas também dá recompensas que podem ser usadas durante toda a campanha -- recuperar partes de carcaças de Zergs, por exemplo, pode dar pontos de pesquisa ao jogador, que são usados nos momentos entre as missões para destravar novas habilidades e unidades. Vencer as fases também rende créditos, que são usados para basicamente a mesma coisa.

Esse momento entre as missões é outro ponto positivo da campanha de StarCraft II. Nele, o jogador, como Jim Raynor, pode conversar e interagir com outros personagens, jogar um mini-game arcade de naves com o nome Lost Viking (referência óbvia), gastar os tais pontos de objetivo e, basicamente, se envolver no enredo. São como cenas cinematográficas interativas que dão bastante profundidade para a história. E, claro, além desta temos as cenas cinematográficas propriamente ditas, todas de altíssima qualidade.

Rush de zerglings
Não é exagero dizer que o modo multiplayer de StarCraft II é um jogo à parte, muito diferente da campanha, inclusive com unidades diferentes e um jeito novo de se pensar a estratégia. Nos modos de jogo multiplayer, a jogabilidade é completamente equilibrada entre as três raças, algo que foi afinado durante a longa fase beta.

E mais que isso, a Blizzard se esforçou ao máximo para que esse seja um jogo competitivo em qualquer nível ou modo. Isso se deve ao fato de que os jogadores são divididos em ligas e divisões para cada modo em que estão jogando. Logo no começo, o jogador é convidado a realizar 50 partidas para aprendizado antes de ser ranqueado. Parece muito, e é muito, mas é extremamente recomendado para novatos, principalmente aqueles que não tiveram a chance de aprender no primeiro StarCraft.

Depois das partidas de aprendizado, ainda é preciso jogar cinco partidas classificatórias, que definirão a Liga e Divisão do jogador. Funciona da seguinte forma: as divisões são definidas pelo nível de habilidade do jogador, como ouro, prata ou bronze. Já as ligas são grupos de 100 jogadores em um ranking. Isso é uma forma interessante de dividir a comunidade, visto que torna o objetivo de alcançar a primeira posição de uma liga algo mais palpável, no lugar do que seria uma meta surreal em um ranking imenso em que o jogador é o 124.084º colocado.

Além disso, ao procurar por adversários online o jogador sempre encontrará pessoas do seu nível ou próximas dele. ?? medida em que se acumula vitórias e bons resultados, pode-se até mesmo ser promovido para outra liga e divisão, ou seja, mais incentivo para jogar mais vezes online.

Outro ponto positivo das divisões é que, como StarCraft é extremamente competitivo, existem jogadores bem melhores que os outros e muitos níveis de habilidade. Portanto, tanto quem joga como se fosse SimCity quanto quem sabe todo o jargão de Openings e Builds pode se divertir online com StarCraft II sem muito medo de ser feliz.

"Tá afim de treta muleque?"
O jeito de malandro paulistano dos Soldados (Marines) da versão em português de StarCraft II é engraçado e, até certo ponto, um acerto do trabalho de tradução. O mesmo pode ser dito da dublagem de Jim Raynor e alguns dos personagens principais da campanha. Mas, infelizmente, essas são exceções na localização da Blizzard.

?? realmente louvável que a empresa tenha se dedicado a traduzir completamente StarCraft II ??? isto é, todo tipo de texto ou áudio presente no jogo, mesmo os escritos mais insignificantes no mapa. Mas existe certo constrangimento com a dublagem dos Demolidores (Marauders), que falam coisas como "Kabum, doçura", em uma entonação tão desanimada que não merece nem mesmo um ponto de exclamação quando escrito.

Esse problema nas dublagens acontece na maior parte dos personagens menos importantes, principalmente aqueles encontrados durante as fases da campanha. Mas incomoda muito ter dublagens de qualidade horrenda em um jogo de padrões tão altos.

Se tudo isso desanimou ao ponto de fazer pensar que vale a pena ativar a opção de língua para o inglês e esquecer o PT-BR, a Blizzard guardou mais uma decepção para os jogadores bem aí. Não existe opção para mudar a língua do jogo. Quem comprou em português pode jogar em espanhol se quiser, mas deve baixar tudo novamente e instalar outra vez. Para jogar em inglês? Só comprando de novo, a versão na língua original. E essa nem é a pior limitação da versão brasileira.

Quem não se lembra aquela ideia de com a internet é possível fazer coisas maravilhosas como interagir com pessoas de todo mundo? Esqueça isso. Só é possível jogar StarCraft II com pessoas da América Latina com a edição da América Latina. Só é possível enfrentar coreanos com a versão coreana e norte-americanos com a versão norte-americana.

Não importa se a desculpa da Blizzard é impedir problemas de conexão, que não aconteceram durante o beta mundial, ou formar comunidades locais, mesmo porque no Brasil nem se fala a mesma língua que no México. ?? uma decisão péssima limitar o jogo dessa forma por milhares de outros motivos.

E essa não é a única decisão ruim da Blizzard que prejudica severamente StarCraft II. Quem jogou o beta e agora está com a versão traduzida teve a desagradável surpresa de descobrir que as hotkeys foram completamente traduzidas - e não apenas para 'teclas de atalho' - Para criar SCVs antes se usava a tecla S. Os TCEs - sigla em português para os mesmos caras - usam a tecla T. Além de exigir que o jogador estique mais os dedos para alcançar a nova letra, a mudança obriga a pessoa a aprender como se joga de novo, já que a importância delas neste RTS é bem grande.

Mas além dos problemas da localização, existem falhas globais em StarCraft II, que felizmente não afetam a jogabilidade em si, mas incomodam. A principal: não é possível jogar nem mesmo a campanha sem estar conectado com a internet. Isso quer dizer que quem levar o notebook para uma viagem em uma fazenda isolada, com a esperança de escapar um pouco da natureza com StarCraft II, terá que se contentar jogando paciência e campo minado, a não ser que encontre uma conexão sobrando.

E para completar a polêmica, não é possível jogar em modo LAN, mesmo porque não é possível jogar sem conexão com a a internet de maneira alguma. Para muitos a perda de um dos modos de jogo mais populares do primeiro StarCraft é algo a se lamentar, ainda que a jogatina em internet tenha se tornado bem mais comum.

Conclusão:
?? realmente difícil encontrar defeitos em um jogo como StarCraft II. E, de fato, são muitas qualidades para serem listadas: a jogabilidade como RTS é perfeita, os visuais são bem adequados, a campanha é brilhante em roteiro e level design e o multiplayer é completamente envolvente, competitivo e viciante, como em qualquer jogo da Blizzard. Mas o embate entre Zergs, Terrans e Protoss fica prejudicado principalmente por decisões ruins da localização para a América Latina, como alterar as teclas de atalho, a impossibilidade de jogar com pessoas do resto do mundo e a dublagem às vezes constrangedora.

Prós:
  1. Multiplayer excelente, competitivo e envolvente;
  2. Campanha para um jogador é quase perfeita, tanto no enredo quanto nas próprias fases;
  3. Sistema de ligas online funciona muito bem;
  4. R$ 49 por um jogo AAA.


Contras:
  1. Impossível jogar com pessoas fora da América Latina;
  2. Impossível jogar modo campanha offline;
  3. Sem o tradicional jogo em LAN;
  4. Dublagem às vezes constrangedora.



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