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Review de Naughty Bear para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Até aonde se sabe, ursos de pelúcia não têm a intenção de causar medo em ninguém. Na verdade, quando criança, muita gente teve um felpudo companheiro para se sentir seguro enquanto dormia. Agora a desenvolvedora 505 (um estúdio pouco conhecido e responsável por dezenas de títulos para meninas) resolveu mudar esse estereótipo e criou um jogo cheio de ursos coloridos, violentos e sanguinários.

Antes da estreia, vários trailers promoviam Naughty Bear como algo original e bem humorado, mas a boa impressão causada por esses vídeos termina ao joga-lo e perceber que as boas ideias não foram acompanhadas de um bom jogo.

A vingança de Pimpão
Existe uma terra distante onde os ursos de pelúcia, fofinhos e felizes vivem. Lá tudo é mágico: as plantas são coloridas e sempre tem uma festinha acontecendo, não importa a hora do dia. Já no início, o jogador se depara com esse clima surreal e vê que quase todos os ursos estão se divertindo enquanto se preparam para o aniversário de um de seus amigos peludos. Todos, menos o mal cuidado urso marrom. Não se sabe se o antigo dono era relapso ou se ele já sofreu muito na vida, mas o urso marrom é particularmente sofrido, com as orelhas cortadas e costas remendadas. Infelizmente parece que os outros ursos não gostam muito da aparência deste felpudo e resolvem não convidá-lo para a festa. Para piorar ainda ficam tirando sarro da situação, deixando-o muito aborrecido. Claro que o pobre coitado acaba perdendo a paciência e tem o seu dia de fúria, e aí chega a hora de todos os outros pagarem da pior forma por tais injustiças. Este é o divertido enredo que dá inicio as aventuras do urso devasso e uma das poucas coisas boas que o jogo pode oferecer.

Apesar da ideia promissora, com o tempo nota-se que as fases ocorrem em poucos e repetitivos cenários onde as mudanças são mais cosméticas do que qualquer outra coisa: muda-se apenas a posição das casas, o desenho de alguns móveis e olhe lá. O jogo inteiro se passa em três míseros ambientes, dois maiores (mas longe de serem considerados grandes como uma sandbox) com uma pequena floresta, meia dúzia de casinhas e a cabana do próprio protagonista. A maior parte do tempo o jogador ficará correndo em meio a um cenário que, embora colorido, tem tons de laranja predominantes.

Os gráficos não são o melhor exemplo de uso da técnica cel-shade já visto. E os ambientes são pequenos, o que faz tudo perder ainda mais a graça, afinal, cenários apertados, paleta de cores limitada e muitos objetos e texturas repetitivos acabam decepcionando porque dão a impressão de que sempre se está na mesma fase.

Quem precisa de sangue quando se tem flocos de espuma?
A violência gratuita e excessiva é a principal característica de Naughty Bear. O fato dos ursos serem de espuma por dentro e não espirrarem sangue na cara de todos permite até ir um pouco além do que é comum ver de carnificina em um jogo. Derrubar um inimigo no chão e acertar inúmeras vezes a cabeça dele com um taco de baseball a ponto de deformar seu crânio fica mais aceitável quando flocos de espuma, e não miolos, voam pela tela.

As possibilidades de finalizar seu adversário dão mais graça a uma boa quantidade de armas e equipamentos. Pistolas, bastões, espadas e facões são alguns breves exemplos de armas disponíveis e largadas pelo chão de todas as fases. Além desses itens, ainda existe a interação com o ambiente, como empurrar o adversário na fogueira ou fechar a porta do carro contra a cabeça do ursinho. As possibilidades são muitas e o jogo esbanja mortes dignas de filmes como Jogos Mortais, porém todas as ???finalizações??? aparecem logo nas primeiras fases, fazendo com que o jogador perca o interesse após algum tempo. Para piorar, cada arma tem apenas uma finalização, e ainda que isso tenha sido pensado como um diferencial, o jogador provavelmente terá preguiça de ficar caçando novas armas pelo cenário e acabará repetindo incansavelmente a mesma forma de matar. Chatíssimo!

Os controles são simples ao extremo: direcional para andar, um botão bate, outro pega coisas e pouca coisa é mais complicada do que isso. Não demora nada para dominar os controles e agir instintivamente na caça aos felizes inimigos, o que é um ponto positivo para um jogo que permite criar algumas rápidas e funcionais estratégias.

A pontuação funciona através de uma equação simples: quanto mais sofrimento, mais pontos ganhos. Um urso pode morrer rapidamente com meia dúzia de pauladas na cabeça, entretanto, se ir com calma, criando estratégias, aparecem multiplicadores que aumentam ainda mais o placar. Colocar uma armadilha, assustar o urso preso ou sabotar uma máquina que ele irá usar aumentará muito os multiplicadores. Com sorte, ele pode até enlouquecer e acabar se suicidando, finalizando a sequência com uma pontuação excelente. São estratégias fáceis e que muitas vezes dependem mais de sorte do que técnica. Sabotar uma geladeira, por exemplo, pode ser inútil se nenhum urso tentar usá-la.

Existem sete diferentes desafios que começam com um simples ???mate todos os fofinhos??? e outras diferentes variações da mesma coisa, ou seja, ???mate sem ser visto???, ???elimine-os sem tomar nenhum dano??? ou ???mate sem tocá-los???. Essas metas vão estar presentes em todos os cenários e quanto maior a pontuação, melhores são as recompensas como roupas que dão mais agilidade, força ou vida para o urso. A dificuldade de cada um dos desafios é sempre a mesma, o que significa que se o jogador dominar bem a estratégia de matar todos os ursos sem ser visto, por exemplo, facilmente repetirá a mesma façanha e pontuação na próxima fase.

Rápido, faça um multiplayer!
O multiplayer encontrado em Naughty Bear é tão irritante que merece meia dúzia de linhas aqui. A sensação que se tem é que quando os desenvolvedores achavam que tinham terminado o jogo alguém se deu conta que faltava um multiplayer e já não havia tempo suficiente para fazê-lo. Ele conta com apenas três variações, onde os coloridos e enfurecidos ursos brigam por pedaço de bolo, uma arma super poderosa ou por coisa alguma no clássico modo deathmatch. O principal problema é que a jogabilidade do singleplayer foi portada sem nenhuma alteração para o online e o resultado final é que todos farão a mesma coisa que fizeram quando jogavam sozinhos: apenas correr atrás de outro urso e sair socando o botão de ataque até que alguém seja eliminado. Se quiser aumentar um pouco mais a estratégia aqui é só apertar esquiva e o jogo se transforma em um Tekken enfraquecido, onde só se soca e defende. Péssimo, chato, fraco e dispensável.

Conclusão:
São poucos os motivos para se dar uma chance a Naughty Bear. O sadismo extremo nas dezenas de diferentes mortes somado ao bom humor em transformar um bichinho infantil em um serial-killer até agradam, mas estão longe de realmente entreter o jogador por horas. Tirando os pouquíssimos pontos positivos que de nada contribuem na jogabilidade, sobram gráficos ultrapassados, cenários repetitivos, claustrofóbicos e monótonos unidos a um multiplayer totalmente dispensável. A 505 tentou inovar trazendo um título que ela julgava possuir um sarcasmo criativo que agradaria ao público adulto, mas pelo que se pode notar, eles têm mesmo é que continuar fazendo títulos para menininhas.

Prós:
  1. Bom humor e criatividade do enredo;
  2. Mortes sádicas e extremas.


Contras:
  1. Gráficos fracos;
  2. Multiplayer desprezível;
  3. Pouca variedade de texturas;
  4. As fases não possuem uma variedade significativa.



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