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Review de Toy Story 3 para PS3 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Com um novo filme de Toy Story à beira de estrear no cinema não podia deixar de chegar ao mercado a versão videojogo através da Disney Interactive Studios. Fica por isso a seguinte salvaguarda: sem filme para ver mas com uma versão PS3 de Toy Story 3 a rodar ficámos com uma clara ideia daquilo que se irá passar nas telas de cinema, sem, no entanto, sabermos até que ponto o fio condutor da narrativa capta de perto o desenrolar do filme. Independentemente disso Toy Story 3 transpõe os padrões correntes em jogos similares, geralmente deveras intrincados e agarrados ao filme. Neste caso o afastamento é razoável e proporciona um naipe de opções e modos de jogo agarrados a outros objectivos, coleccionáveis, enxertando sempre novos motivos a desfrutar para lá do tradicional programa narrativo.

Mas se é evidente uma tentativa de desapegar do conteúdo narrativo e alargar o leque de conteúdos com maior grau de independência e tendentes a aproveitar o suco dos brinquedos protagonistas, a verdade é que a execução e objectivos dos desafios impostos atingem-se com tremenda facilidade. Também não podia deixar de ser outra coisa se considerarmos o público alvo desta obra. Dirigido e claramente apostado para seduzir adeptos integrados numa faixa etária infanto-juvenil há um aspecto positivo que apraz desde logo registar: com uma dificuldade média muito abaixo do que é normal, a longevidade do desafio e diversidade de objectivos a cumprir servem espaço para mais. Tudo depende da dedicação, mas a dada altura relacionei Toy Story 3 com Banjo & Kazzoie Nuts & Bolts. Dirão alguns de vós: são jogos distintos. ?? certo. Contudo, entre eles o que os une é um sentido de dinâmica, de alteração, de partir daqui para acolá no meio de uma cidade agitada.

E não será simples encontrarem motivos para rejeitarem o jogo. ?? fácil gostar-se de Toy Story e não me refiro só para quem seguiu o filme e até é conhecedor da série. Em 1996 já Toy Story causava furor nas antigas plataformas de 16-bit. E jogava-se bem. Porquê? Desde logo as personagens convencem. Há empatia e aquela coesão e parceria que mais não é do que uma verdadeira amizade e espírito de camaradagem foram engenhosamente convertidas para o videojogo.

Todas as características e elementos definidores de cada personagem proporcionam não só uma admirável empatia pelo humor que geralmente as veste como no plano da interactividade os programadores foram hábeis ao ponto de juntarem dois jogadores para que em certos níveis a cooperação local funcione às mil maravilhas.

No primeiro segmento do jogo são atirados literalmente para uma perseguição a um comboio sequestrado. Controlando Woody que segue a cavalo terão de superar e desactivar certos obstáculos e inimigos antes de avançarem para uma batalha do género guerrilha assim que galgam as composições até salvarem todos os reféns. Não há lugar para grandes rendilhados e inovações num jogo que prima pela execução das plataformas. As tarefas a realizar cumprem-se com facilidade; agarrar e atirar os adversários para fora da composição, recolher objectos, desviar dos disparos laser dos ???aliens???, acertar em alvos estrategicamente colocados para abrir novos vagões. A técnica exigida é bastante escassa e para qualquer situação podem sempre recorrer a uma breve explicação, sendo sempre uma opção. No entanto é clara a direcção deste jogo para um público alvo de tenra idade.

Com níveis e secções dirigidos para os três protagonistas em específico, terão no que respeita ao Buzz Lightyear uma espécie de ???shooter??? espacial, deflagrando com todos os meteoritos que se atravessam pelo caminho e desviando das paredes rochosas, antes de usarem a pistola laser na direcção de alguns oponentes à medida que atravessam porções de terra flutuantes.

Noutras ocasiões terão de ultrapassar secções onde impera o dever de espionagem e silêncio cada vez que avançam no terreno. Uma falha soa o alarme e têm de voltar a repetir tudo. Nesses níveis onde actuam as três personagens é importante ressalvar a possibilidade do modo co-operativo. Ou seja, podem ligar um outro comando para um vosso colega e beneficiar das características da personagem por ele seleccionada, sendo mais fácil cumprir o objectivo do que mover para determinado local e de modo independente cada personagem, sempre mais trabalhoso quando já se descobriu o segredo e o que se pretende é avançar depressa. Não é que isso seja particularmente exigente. Aliás, para lá das dicas sempre presentes cada vez que estiverem perante uma situação dúbia, poderão escolher a personagem que vos convier e identificar, pelas suas principais acções, se ela se enquadra na tarefa a desenvolver. Essas secções de jogo serão porventura as mais estimulantes.

O tabuleiro do jogo permite activar as ???zonas de escape???, pois como dissemos atrás Toy Story 3 está longe de se confinar a um jogo conduzido apenas pela narrativa. Interessante e convincente é a caixa de brinquedos (Toy Box). Nela poderão escolher uma personagem e cumprir uma série de objectivos infindáveis dentro de uma pequena cidade à boa moda do velho faroeste. O objectivo é coleccionar moedas e dinheiro para adquirirem novos espaços e atracções que convidem novos residentes e turistas, usando para isso uma série de ferramentas. A todo o instante chegam-vos várias solicitações dos residentes e sendo estas cumpridas ficam desbloqueados mais objectos, úteis para futuras missões. Estas são de todo o tipo imaginário: desde pintar edifícios, caçar larápios e devolvê-los à prisão, erguer uma barbearia, vestir os residentes, encontrar vacas perdidas. ?? impressionante e infindável o número de tarefas que podem cumprir. Mas a qualquer altura podem sair da ???Toy Box???, gravar a progressão e entrar nos níveis do argumento.

Toy Story 3 não impressiona pela criatividade, detalhe e organização das áreas. Geralmente previsível a interactividade prima pela simplicidade onde facilmente se vislumbram os segredos, se resolvem puzzles e se activam mecanismos. Contudo convence especialmente na captação e reprodução do espírito das películas animadas, com vozes extraídas directamente dos actores num registo humorístico e empolgante.

Toy Story 3 revela um inevitável esforço por parte dos produtores em acrescentar mais conteúdos para lá do tradicional peso no argumento ligado ao filme. Embora não se distancie daquilo que é normal encontrar em jogos deste género ao nível da interacção e reprodução de áreas, é igualmente indiscutível o público-alvo deste tipo de iterações e a tentativa de fazer um desafio ajustado. Para os mais pequenos acaba por ser interessante e ainda tem a vantagem de entregar inúmeros desafios e coleccionáveis (para lá do tradicional modo ligado à narrativa) do agrado de quem queira esmiuçar as opções presentes. Apesar da simplicidade nos desafios e processos de interacção ao mais básico consegue convencer na empatia e vocalização das personagens. Para a pequenada uma caixa de brinquedos é sempre uma festa.


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Eurogamer
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