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Review de Singularity para X360 de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Quantos de vós nunca desejou que o tempo voltasse para trás? Se tivéssemos controlo do tempo, certamente que iríamos querer corrigir os erros cometidos durante a nossa vida, ou simplesmente talvez experimentar uma nova perspectiva das coisas. O tempo é subjectivo, padronizado pela sociedade e cronometrado ao ínfimo espaço. Existe porque lhe damos valor, e sem ele certamente tudo seria mais complicado de gerir. Podemos resumir com a música imortalizada por António Mourão - "Oh Tempo Volta Para Trás".

Esta pequena premissa, espelha bem o conceito que permeia todo o jogo Singularity, a última obra do histórico estúdio Raven Software. Já muitos outros jogos nos ofereceram possibilidade de viajarmos no tempo, ou até mesmo de o alterar em tempo real. Isto abre-nos para possibilidades de narrativas infinitas, vejam o exemplo da série Lost. Trabalhar com questões de tempo é extremamente complicado, pois iremos sempre deixar portas em aberto, ou questões por explicar, tais como, "E se isto fosse X?", "Mas Y não deveria ter provocado Z?". Sobre este respeito, Singularity tem um comportamento mais linear, não deixando muita margem para este tipo de questões.

O jogo tem início com a chegada de tropas americanas, a uma ilha Russa chamada de "Katorga-12", outrora usada pelo exército Russo para experiências científicas. Nesse local, foi descoberto em 1955 um elemento chamado de "E99", que contém um poder enorme, mas as coisas não correram como o esperado e após uma catástrofe, chamada de "Singularity" tudo é escondido pelo governo Russo. ?? neste ponto, passados mais de 55 anos, que chega ao local Nate Renko, para uma patrulha de reconhecimento, pois foram informados que houve actividades electromagnéticas no local. Uma patrulha de reconhecimento que veio a tornar-se numa viagem para salvar o mundo.

Esta catástrofe "Singularity" provocou a mutação de diversos humanos, bem como a devastação de grande parte das construções na ilha. Mas o poder de todas as descobertas ainda reside no local, e Renko irá se colocar no meio da acção que envolve constantes recuos no tempo, quer para resolver pequenas questões, bem como para alterar o rumo da história. Por isso, poderão contar com constantes recuos no tempo, quer de forma involuntária, devido à instabilidade do local, mas também por criação de buracos de tempo. O elemento E99 é considerado o culpado de toda esta instabilidade, que fará com que não seja apenas Renko a poder viajar e estar em universos paralelos, mas também como os inimigos-mutantes poderem saltar entre o tempo.

Este factor de alteração do tempo é extremamente interessante, e tem um impacto tremendo na jogabilidade. Para permitir alterarmos o tempo, ou fazer com que certo objecto envelheça ou rejuvenesça, temos que adquirir o TMD (Time Manipulation Device). Um aparelho, colocado na mão esquerda, criado pelo cientista Victor Barisov em 1955. Para além do TMD teremos acesso a diversas armas, desde snipers, caçadeiras, armas automáticas, lança-misseis, e até uma em que podemos telecomandar a bala. Uma das minhas preferidas.

O jogo tem um sistema interessante de progressão das armas. O elemento E99 que vamos apanhando pelo caminho, permite alterar, em postos localizados no jogo, as suas características. Obtemos assim créditos para efectuar upgrades às armas, sendo que apenas são actualizações de características e não visíveis. Para além disso, ainda podemos usar o E99 para colocarmos perks nas nossas armas, tendo um número limitado de slots. Podemos também melhorar as nossas habilidades, quer de defesa, ataque ou o número de pontos ou energia que recebemos ao matar cada inimigo. Também neste sistema é permitido alterar a nossa barra de energia e de E99, o "combustível" do TMD. Não é nada de novo, mas que confere uma mais valia a um FPS que vive muito da acção, mas que consegue assim ter pequenos e bons pormenores de gestão de recursos.

Sobre a história, seria totalmente injusto da minha parte contar pormenores sobre ela, ainda mais quando estamos a falar de viagens no tempo com alteração da história associada. Mas poderão contar com finais diferentes, envolvendo decisões que tomaram no jogo. Este tipo de enredo, como referi, é sempre problemático, principalmente pelos buracos que poderá deixar. Pessoalmente, diferente certamente das intenções da Raven, não me senti totalmente envolvido nas mudanças da história. Embora o sistema de alteração dos materiais esteja fantástico, tudo me pareceu extremamente linear, sendo a alteração do tempo e materiais como um pretexto.

Com isto não quero dizer que o jogo não tenha a sua novidade e inovação. Pois o tem. A mais valia é certamente o uso do TMD, que nos confere uma jogabilidade divertida, inovadora e acima de tudo diversificada. Com ele podemos usar o poder chamado de Age Revert, onde certos materiais envolvidos com o E99 possam envelhecer ou rejuvenescer. Este poder é importante para ultrapassar diversos obstáculos e puzzles. Um interessante é o de envelhecer um caixote metálico (fica todo rebaixado) para o colocar debaixo de um portão e voltar a rejuvenescer e elevar o portão. Depois de perceber a mecânica, daremos uso constante ao Age Revert, para criar pontes, destruir protecções inimigas, ou até mesmo manipular os inimigos por os envelhecer.

O TMD também dá-nos a possibilidade de elevar objectos, muito útil para ultrapassarmos certos locais e puzzles. Mas a cereja em cima do bolo é certamente a conjugação do TMD com as armas "normais". Principalmente com o uso do poder Deadlock. Este poder é um campo de energia que faz com que tudo que esteja dentro pare no tempo, menos nós. ??til para bloquear uns irritantes bichos que explodem ao chegar perto de nós. Na verdade, só com o uso do Deadlock é que consegui ultrapassar certos níveis.

Para além disso, podemos criar o campo de energia em volta dos inimigos, e entrar dentro dele sem qualquer problema. Como eles estão parados, podemos andar à volta deles, e então podemos disparar contra eles em segurança. Mas como o tempo está parado, tudo fica em standby até a energia acabar. Quando acaba é ver todos os inimigos e mutantes a morrer ao mesmo tempo. O Deadlock poderá assim ser usado para bloquear dentro inimigos, mas também para nos proteger. Não raras foram as vezes em que criei o campo à minha volta e as balas e misseis ao entrar reduziam a velocidade drasticamente. Boa oportunidade para arremessar de volta um míssil.

Graficamente o jogo cumpre muito bem com o seu papel, sendo que é fruto do motor de jogo da Epic, o Unreal Engine 3. Existem locais com detalhes e pormenores superiores a outros, denotando maior preocupação principalmente com os locais interiores. O jogo corre extremamente bem, mesmo em locais mais povoados. Os bosses estão muito bem recriados, bem como todo o ambiente em geral. Os materiais alteram-se em tempo real, conferindo um realismo enorme ao factor desgaste do tempo. Depois ainda temos os modos multijogador, que embora sejam sempre uma boa adição a qualquer jogo, em nada elevam a sua qualidade. Temos apenas dois modos de jogo, o Extermination e o Creatures vs. Soldiers. Também existe um ranking mundial, onde podemos ver a tabela geral e de amigos. Muito pouco para modos multijogador.

Singularity foi uma agradável surpresa. ?? um FPS sólido, onde a acção é constante. Mas para além disso, consegue oferecer um enorme divertimento, principalmente devido à tecnologia de mudança do tempo e materiais. A história não é extremamente detalhada e confusa, como poderia ser num enredo destes. ?? linear na forma, mas que resulta num plano geral. Um jogo onde se derem uma oportunidade irá proporcionar um bom divertimento.


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Eurogamer
8/ 10
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