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Review de LEGO Harry Potter: Years 1-4 para X360 de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Depois de aplicar o tratamento LEGO a míticas séries e figuras como A Guerra das Estrelas, Batman ou Indiana Jones, Harry Potter é o senhor que se segue na lista de trabalhos da Traveller???s Talles. Depois de ter conquistado com mérito o reconhecimento da crítica e do público com os anteriores trabalhos, a expectativa para com este novo jogo era elevada e mesmo sabendo que a fórmula estava testada, comprovada e aclamada, o interesse estava em descobrir como esta foi moldada para dar vida a este universo que tantos fãs conquistou ao longo destes 13 anos nos livros e ao longo de nove anos no cinema. As adaptações directas para videojogos raramente conseguem oferecer uma experiência a par do que vemos no cinema e tal já foi largamente discutido e após jogar este jogo apenas posso afirmar que tal não se aplica aqui.

Aliar grandes series ao formato LEGO provou ser algo irreverente, dinâmico e bem disposto. Exactamente o que temos aqui mas agora no universo de Harry Potter. Como o nome do jogo indica, vamos viver as aventuras do personagem ao longo dos seus primeiros quatro anos na escola de magia de Hogwarts mas se muito é fiel, outro tanto é uma livre adaptação do material que serviu de inspiração. Tal como nos anteriores jogos LEGO, a Traveller???s Tales apostou, e bem, em conferir um elemento de destaque ao humor criando assim situações diferentes e ligeiras de acontecimentos que conhecemos como dramáticos e até tensos. ?? uma espécie de sátira de si mesmo mas que apenas o favorece.


Partindo do óbvio e necessário pressuposto que quem o vai jogar é um fã ou dos livros ou dos filmes, ou até de ambos, a Traveller???s Tales conta-nos a história de Harry Potter desde os primeiros passos de Dumbledore em direcção ao número 4 de Private Drive passando pela luta contra Tom Riddle, pela engenhosa viagem no tempo dos protagonistas até ao Torneio dos Três Feiticeiros. Convém notar que o estúdio preferiu manter-se fiel à narrativa segundo os filmes mantendo assim um ritmo mais dinâmico e mais de encontro ao que a maioria provavelmente conhece, ao invés de optar por contar eventos descritos apenas nos livros. Claro que o que conta aqui é a boa disposição e a dose é enorme e bem-vinda. Os eventos que conhecemos não são recriados necessariamente com o tom sério e temos versões diferentes e altamente engraçadas dos momentos mais marcantes de cada filme durante as sequências não jogáveis que impulsionam a narrativa.

Desde que assumimos o controlo do pequeno Harry ao lado de Hagrid, enquanto caminhámos pela primeira vez em direcção ao muro que nos separa de Diagon Alley, que se torna aparente que tudo é altamente simples com vista a reforçar a diversão e a servir uma das limitações das personagens, a sua incapacidade de falar. Os bonecos LEGO não falam, apenas emitem sons e como tal não é oferecido ao jogador durante as sequências quaisquer elementos que o possam guiar. Mesmo presumindo que conhecem a história até ao ínfimo pormenor, estamos perante uma adaptação, uma visão de terceiras pessoas e para isso foi preciso implementar alguns elementos orientadores. Com uma estrutura de níveis altamente simples, o espaço de jogo torna-se óbvio pelas visíveis limitações ou até pela única direcção de progressão quando esta é horizontal. Já em Hogwarts temos sempre o fantasma do ???Nearly Headless Nick??? a indicar-nos o caminho ou então a presença de uma seta sobre a porta para a qual nos devemos dirigir.


Este simples elemento é na verdade uma das pedras base da experiência pois impede quaisquer frustrações relativas à progressão de jogo e pode tornar tudo demasiadamente fácil para os mais crescidos pois retira quaisquer elementos que forcem à exploração pelo menos no sentido da narrativa. Esses estão relacionados com outra famosa característica dos anteriores jogos LEGO e com um elemento bem famoso de todo este universo. Por parte do primeiro temos o recolher dos parafusos LEGO que são parte fulcral de toda a experiência e por parte do segundo temos os feitiços de magia que Harry e amigos vão ter que aprender.

O apresentar permanente do caminho a seguir não impede que se instale uma verdadeira obsessão em explorar todos os cantos dos locais pois temos os parafusos LEGO para recolher e temos toda uma estrutura de progressão e solução de puzzles assente nos feitiços que aprendemos e cuja aplicação vai sendo progressivamente requisitada para que os novos caminhos se desbloqueiem. ?? certo que alguns feitiços são permanentemente requisitados enquanto outros apenas o são esporadicamente mas a facilidade inicial vai sendo gradualmente substituída por um obrigatório alternar e aplicar de feitiços diferentes tanto para abrir caminho como para solucionar puzzles e até derrotar inimigos.

Para reforçar ainda o sentimento de que estamos perante um jogo acessível e possível de ser recomendado a qualquer um, desde os que vão jogar entre família como os que apenas se querem divertir ao lado dos amigos, também a estrutura dos níveis exige que o jogador alterne entre os personagens à disposição e temos de novo um outro elemento que destaca este dos demais jogos Harry Potter. O forçoso respeitar da recriação da película inspiradora, faz com que algumas restrições ou limitações sejam naturais mas tal não se aplica aqui. Em LEGO Harry Potter não vamos jogar somente com o protagonista que confere o nome ao universo, vamos poder jogar com praticamente todas as figuras conhecidas dos livros e filmes. Desde Hermione ou Ron, vamos ser autenticamente convidados a jogar de novo os níveis com outras personagens como Sirius Black, Hagrid, Malfoy, Severus Snape ou até mesmo o cão Fang para descobrir como podemos explorar novos locais e desbloquear novas acções e partes dos cenários.

A construção de níveis e puzzles apela ainda mais ao sentido de jogo para a família no sentido em que podemos jogar com amigos em modo cooperativo e dinamizar ainda mais uma experiência que mesmo assim não causa qualquer transtorno ao jogador solitário. Isto porque se não tivermos um amigo ou familiar a pegar num possível segundo comando, podemos a qualquer momento alternar entre as personagens em acção e assim desbravar caminho em alternância quando assim exigido. Ao leme de controlos altamente intuitivos e bem apresentados, fruto de um trabalho que já havia sido aclamado, vamos ter uma nova perspectiva sobre a aprendizagem dos feitiços e ainda dos grandes confrontos vistos na série.

Os feitiços são a base da progressão.

Após acessíveis, o seu uso é automaticamente intuitivo pois para além do conhecimento prévio do universo, as divertidas aulas são ao mesmo tempo um recriar de momentos conhecidos da série como também são autênticos tutoriais disfarçados. Ao evoluir no jogo e seguindo fiel à história desbloqueando novos feitiços, tanto o jogador como o jogo são recompensados. Novos feitiços significam novos desafios e maior exigência enquanto que pelo seu lado, o jogo vai abrindo novas áreas e os puzzles tornam-se mais diversificados. No entanto reside aqui um dos principais elementos com o qual vamos ter que forçosamente lidar. Apesar de intuitivo, toda a simplicidade pode remeter o jogador mais habituado para processos demasiadamente simples que se quedam em repetitivos. O jogador mais novo pode não sentir tais fragilidades enquanto desbloqueia mais um novo momento do seu universo favorito mas outros podem correr o risco de a meio sentir que o jogo já nada mais de novo tem a oferecer para além do que já viu.


Especialmente conforme caminhámos para os eventos relativos a ???O Cálice de Fogo???, o jogo denota elevada vontade de recuperar fôlego tanto pela apresentação de situações mais difíceis como pela crescente dificuldade de alguns puzzles, especialmente pela perda do factor óbvio na maioria deles. Mas enquanto tal acompanha o que vemos no universo, não deixámos de sentir que a Hogwarts que cresce à nossa frente vibrante com novos desafios pouco ou nada de realmente novo ou intrigante já nos vai oferecer. Esse é um sentimento ambíguo pois terminar o jogo representa uma fatia muito pequena da experiência, cerca de 35% consoante a insistência em alguns níveis.

Completar a restante percentagem vai exigir muito tempo e dedicação que se pede divertida, mas não o vai ser para todos. As viagens a Diagon Alley para comprar extras vai permitir que o jogador possa abordar de forma diferente a experiência, tal como referido, e se tiverem disposição então vão ter mesmo muito com que se entreter, pena que não seja tanto em variedade quanto em quantidade. Se o jogo vos conseguir captar um dos principais responsáveis para além da simples e cativante jogabilidade vai mesmo ser a componente visual. Já todos sabemos o que o tratamento LEGO fez a outras séries mas em Harry Potter tudo parece ter subido um ou dois degraus e temos uma recriação fantástica e espantosa dos principais e mais memoráveis locais vistos nos filmes. ?? de realçar o mérito com que a Traveller???s Tales tratou esta série, com o respeito que ela merece, conseguindo aliar a boa disposição e o humor inteligente a uma sensação de magia e até a alguma nostalgia que nos pede para correr-mos a ver os filmes novamente.

LEGO Harry Potter corre o risco de surpreender os mais desprevenidos e faz tal com todo o mérito. Os seus maiores valores são também as suas maiores fraquezas a longo prazo se bem que o peso na balança não chega para sequer deitar abaixo toda uma experiência que nada mais faz do que honrar e celebrar todo este universo que nos encanta há tantos anos.

Este é um jogo altamente inteligente em tudo o que faz e até a sua simplicidade propositada o denota. Para os mais pequenos é de enorme atracção para os mais crescidos tem algumas reservas mas o meio termo encontrado é de louvar. Pequenos e graúdos vão ter visões diferentes mas nenhum deles foi esquecido.


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