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Review de Darksiders para PS3 de GameTV

por Raziel619, fonte GameTV, data  editar remover


Joe Madureira é um dos maiores desenhistas do ramo dos quadrinhos. Com seu traço que lembra muito os mangás, ele fez sua carreira crescer de forma meteórica. Tanto que foi o artista responsável pelos traços de X-Men entre 1994 e 1997, considerada uma das melhores eras da editora Marvel Comics. Depois dos quadrinhos, Madureira começou a trabalhar na indústria dos games, sendo que seu último trabalho, Darksiders, é o motivo desta análise.

A história mostra como War, um cavaleiro do apocalipse, inicia prematuramente o juízo final, fazendo com que os anjos e demônios entrem em guerra bem aqui, o
???terceiro reino???. Cem anos se passam desde o início da guerra do céu contra o inferno e War volta para restabelecer a ordem, mesmo que para isso seja necessário matar todos que estiverem em seu caminho.

Aqui vemos que o War é um herói, mesmo que ele tenha uma quedinha por sangue, ele quer fazer o bem, resgatar a humanidade, consertar os seus erros e, claro, ter sua vida de volta. Nem parece que ele é a personificação da palavra ???Guerra???, aquilo divide famílias, espalha a morte e a destruição por todos os lados.

Darksiders é um jogo violento. Dá para ver nitidamente que God of War foi uma das fontes inspiradoras da Vigil Games. A forma caótica que os estágios são montados, as execuções brutais de War, os combos que devem ser feitos no tempo exato para manter o contador subido, os monstros desfigurados e muitas outras referências. Sangue e ódio fazem parte do café da manhã do cavaleiro.

Para fazer você entrar neste mundo de destruição, Mad fez questão de estar presente em todos os aspectos gráficos do jogo. O traço dele está em todos os cantos, do desenho dos prédios ao enquadramento das cenas em CG. Ele teve a ideia do enredo e dos personagens e conduz a história de uma maneira interessante, hora usando clichês, hora tendo aqueles brilhos geniais e empolgantes.

Mas Darksiders também tem um quê de outros jogos, principalmente em sua estrutura à lá The Legend of Zelda. War geralmente tem que ir a um local para conseguir um item que vai ajudar em sua missão. Quer um exemplo? No início do game ele tem que derrotar Tiamath, um demônio voador que fica em um local inacessível para quem anda à pé. Então o cavaleiro tem que encontrar um meio de chegar lá voando.

Depois de passar por uma caverna infestada de seres maléficos, ele consegue uma montaria que os anjos usam e o leva para frente do prédio onde o demônio vive. Mas para chegar ao ninho do dragão ele terá que conseguir uma chave. Para isso o cavaleiro do apocalipse terá que passar por um imenso calabouço, resolvendo diversos enigmas, encontrar uma arma secreta, um mapa e um item que mostra todos os baús da área e só depois ir para o encontro com o ser nefasto. Não parece com uma descrição geral de uma dungeon que Link deve percorrer?

Até mesmo os upgrades têm inspiração no jogo do moleque de roupas verdes. Para aumentar a energia é necessário juntar as quatro partes de um item. Para guardar poções de cura é necessário um recipiente vazio. Só faltaram fadinhas voando em cavernas escondidas atrás de cachoeiras.

No combate vemos uma miríade de junções, como as combinações de comandos de God of War e comandos de botões para execuções sanguinolentas. Só que aqui não é necessário ter reflexos de lince, pois os comandos ficam na tela por vários segundos até que você decida dar cabo da pobre alma penada. As execuções não têm noção de maldade: War corta, empala, parte ao meio, arranca asas, cabeças, braços... pensou em dor ele faz. No caso dos inimigos existe uma execução para cada tipo: nos anjos é uma, nos guerreiros outra e assim por diante. Os chefes recebem os golpes fatais mais excruciantes ??? o que mostra o porquê este cavaleiro do apocalipse é um dos mais temidos.

Em determinadas partes, o combate parte para cima de uma montaria alada, o que lembra muito o sistema de controle de Panzer Dragon Orta. Enquanto montado em uma fera alada, o protagonista consegue fazer manobras, atirar e tirar da frente seus inimigos. Quando em terra, War pode pegar armas que alguns anjos deixam cair e que se parecem com as gigantescas metralhadoras giratórias de Gears of War 2 ou Uncharted 2. O peso é tanto que o poderoso representante da guerra mal consegue carregá-la.

Mas todos esses reaproveitamentos foram bem feitos e são aceitáveis. Esses sistemas não são jogados de qualquer forma no enredo e se encaixam perfeitamente no que os produtores querem apresentar para o jogador. Pode não ser original, mas é divertido e ninguém pode contestar.

Para variar um pouco o combate, War pode usar poderes especiais, como fazer espinhos saírem do chão ou se transformar em uma besta gigante. Ele também conta com diversos upgrades que podem ser adquiridos por itens ou comprando com um mercador dos infernos.

Mas Darksiders também agride o jogador. Problemas técnicos existem a rodo. O primeiro deles é a sincronia vertical (ou v-sync, para os técnicos de plantão). Conforme você move a câmera, consegue ver que a tela está dividida de três a seis partes. Sem falar que o jogo parece ser bipolar: as animações rodam suavemente a 60 quadros por segundo e, do nada, caem para 15 ou menos. Parece até que o apocalipse está passando não na tela, mas sim dentro dos circuitos internos do console.

Os contadores de combos também têm um sério problema de inconsistência. Por vezes ele simplesmente para de contar, mesmo que você esteja descendo o sarrafo em uma legião de seres infernais. Em outras, você dá uma espadada em uma pedra e lá mostra que você fez 10 combos. Não que isso interfira em sua aventura ??? você não ganha nada com isso ???, mas é meio triste ver que seu multiplicador voltou à estaca zero sem mais nem menos.

Esses problemas técnicos não tiram o mérito do jogo ser muito bonito. Na verdade é até uma surpresa ver que um estúdio desconhecido tenha feito algo tão caprichado. E talvez seja esse o motivo para que existam tantos problemas na parte técnica. As animações, pro exemplo são perfeitas. Elas fluem naturalmente quando não existem tantos objetos na tela, mas são prejudicadas de vez e quando.

Para completar a experiência de jogo ouça a trilha sonora no último volume. O tom epopéico com toques neoclássicos que encaixam perfeitamente com o clima do jogo. Tem uma pegada de (de novo) God of War. Mas isso acontece porque um dos compositores do jogo é Cris Velasco, que também trabalhou no game de Kratos. Além de serem emocionantes, as músicas passam a sensação que se nada for feito, o mundo vai acabar agora.

Ainda na parte sonora, vemos um belo trabalho de dublagem que parecem ter vindo diretamente de páginas de revistas em quadrinhos. Algumas falas são de impacto, em outras os personagens falam uma língua que nem existe, mas dá a impressão de que ela existe de verdade.

Darksiders é um bom trabalho feito pela equipe da Vigil Games, mas existem problemas demais na parte técnica. Ele também não é original, no entanto absorveu fórmulas bem sucedidas em diversos jogos e que deu um bom resultado na parte mecânica da jogabilidade. Jogue se conseguir alugar, mas não pense que este será jogo épico, porém é bom saber que também não é um sinal do Apocalipse como imaginávamos há alguns meses.


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