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Review de Alpha Protocol para PC de Eurogamer

por Raziel619, fonte Eurogamer, data  editar remover


Sempre gostei de um bom agente secreto, principalmente aquele que sabe que é bom no que faz, bem como age com estilo e de certa forma com algum grau de ética. Num filme, o guião ditará que tipo de agente secreto é o protagonista, num videojogo temos a possibilidade de o moldar à nossa forma. Uma pitada de charme, outra pitada de arrogância. Em Alpha Protocol, o protagonista Michael Thornton, ou simplesmente Mike, poderá ser aquilo que quisermos que seja, embora em termos de personalização muito limitado. Eu escolhi quase um "macho" assumido.

Alpha Protocol é a mais recente criação dos estúdios da Obsidian, onde encarnamos a personagem Michael Thornton, um agente secreto, que trabalha para o governo dos EUA, debaixo do Alpha Protocol. Como bom enredo de espionagem que é, tudo aquilo que conhecemos em filmes como James Bond, Jason Bourne, Missão Impossível e séries como 24, está incluído no pacote. Gadgets tecnológicos, espiões, bares, conflitos mundiais, traidores, chefes de grupos armados, meninas perigosas e muita boa dose de humor refinado. Não deixando claro os fatos a rigor, e as casas secretas para descanso do guerreiro.

Michael Thornton vê-se envolvido numa trama que no decorrer do jogo iremos nos aperceber que poderá estar fora do nosso controlo, principalmente por ser de magnitude mundial. Embora não seja baseado numa história verídica, Alpha Protocol retrata um mundo actual, onde os grupos armados, e principalmente o comercial mundial de armas dita o desenrolar da humanidade. O mundo não é um lugar seguro, e muitas vezes a informação é mais valiosa do que qualquer arma apontada. Vivem-se dias de conflitos internos, de manobras de bastidores, onde muitas vezes não sabemos o que é correcto e eticamente aceitável. A linha que separa dois mundos parece cada vez mais ténue, e Michael Thornton apesar de ser um agente bem preparado, terá que muitas vezes tomar decisões de carácter moral.
'Alpha Protocol' Screenshot 1

James... James Soares.

?? indiscutível a semelhança de Alpha Protocol com Mass Effect. Desde os menus de interrogatório, às escolhas de armamento e até mesmo aos diversos aparelhos para desbloquear e descodificar, bem como parte da sua jogabilidade. Mas apesar das semelhanças, Alpha Protocol não perde a sua identidade, sendo completamente diferente na temática e design do jogo. Embora seja um RPG, a acção é o que mais podemos destacar no jogo. Tudo o que fazemos irá nos recompensar com pontos de consecução, que permitirá subirmos os níveis desejados em determinada característica. Queremos aperfeiçoar o combate corpo a corpo? Então investimos os pontos ganhos nessa qualidade. Isto também no manuseamento de cada arma, ou maior facilidade de desbloquear dispositivos. Estas opções são extremamente importantes na forma com que lidámos com desenrolar do jogo. Alguns bosses serão extremamente difíceis de vencer de não estivermos bem artilhados e com as nossas habilidade sempre actualizadas.

Michael Thornton irá percorrer um pouco pelo mundo. Em cada país temos acesso a uma casa de segurança, pertencente ao Alpha Protocol. As coisas não correm bem na primeira missão, e Michael Thornton vê-se fora do Alpha Protocol começando a trabalhar por conta própria. Alguém tentou matar Michael Thornton na primeira missão, e o que à partida parecia uma simples missão, torna-se rapidamente num conflito mundial de interesses económicos e políticos. Apesar de estarmos fora do Alpha Protocol, ainda temos acesso a todo o sistema, incluindo acesso a armamento, fundos e as casas de segurança. Isto devido a conhecimentos dentro da própria agência, que acima de tudo querem servir o seu país e não apenas a um organismo. A busca pela descoberta da tentativa de assassinato leva Michael Thornton a se confrontar com as mais perigosas personagens mundiais, quer dentro dos meandros do crime, que nas mais altas patentes políticas.

O enredo é um dos melhores aspectos de Alpha Protocol. Temos poder de decisão, principalmente se queremos fazer isto e aquilo e que tipo de relações manter. Alguém poderá ser meu amigo, mas quererá sempre algo em troca, ou simplesmente mantemos o estado da relação no fio da navalha. Este aspecto faz com que existam diversas formas de encarar cada situação, sendo que cada uma tem um resultado inesperado. Houve alturas em que parecia que estava a conduzir bem a conversa, mas nem sempre é óbvio aquilo que as outras personagens querem ou aceitam, sendo que saltei logo para um confronto directo por julgar mal a pessoal. Presente está também a questão básica da ética. Matar ou não matar? Que resultado terá? Irá haver uma vingança? Irá se voltar contra mim?

Também interessante é o surgimento de flashforwards, que por sua vez nos dão flashbacks do que ocorreu, mas que no presente do jogo ainda irá ocorrer. Como o jogo vive da história é muito importante mantermos a par dos acontecimentos e não apenas saltar diálogos (podemos puxar à frente). O texto está muito bem construído, ficámos presos ao jogo pelo enredo e nas voltas que o jogo dá. Mas nem tudo são rosas.

Existem espinhos em Alpha Protocol, e dos grandes. A primeira coisa que posso dizer é que é extremamente evidente a falta de polimento do jogo. Para além dos gráficos muito datados e uma jogabilidade extremamente errada e muito presa. Alpha Protocol vive de dois picos, um enredo que nos prende e uma jogabilidade e um visual que nos retira todo o prazer de jogar. Existem certas zonas que o jogo desce a um patamar demasiado baixo para os padrões actuais. Aliás, o jogo parece que ficou parado no tempo. Para piorar ainda mais, temos um jogo que embora não seja pobre graficamente, a taxa de frames desce para valores abaixo do aceitável. Principalmente em lutas com mais de 4 soldados ao mesmo tempo.
'Alpha Protocol' Screenshot 2

Adepto de Portugal?

A progressão é feita de forma linear, sendo demasiado presa num conceito de que temos que carregar num botão, num local especifico para saltar ou descer plataformas. Não se compreende como um jogo que usa a acção como estandarte, obriga alguém a estar em determinada zona de um caixote para descer, e não poder descer de qualquer lado. Isto cria uma frustração enorme. Para além disso, o jogo parece não ter sido acabado, pois existe zonas em que falta determinados objectos, ou coisas simplesmente fora do contexto. Não queria deixar de dizer que acho a forma de Mike andar aninhado como uma das coisas mais cómicas que vi num videojogo. Não que isso seja em si algo de mau, mas que simplesmente parece que anda mais aos saltos do que em modo stealth.

As lutas contra os bosses são interessantes, fazendo lembrar um Metal Gear Solid, pois temos uma espécie de arena com o oponente de frente, onde faz diversas investidas pré-definidas. Podemos vencer de duas formas, ou com sorte ou se já viermos muito bem apetrechados. Se entrarmos numa zona final, e não soubermos, podemos ter que recomeçar um nível inteiro, pois se tiveres pouca "vida", nunca irás poder passar, pois não existe muita margem de manobra. Alguns poderão achar isto excelente, mas outros demasiado frustrante. Seja qual for a vossa abordagem, uma coisa é certa. Irão morrer imensas vezes.

Alpha Protocol embora seja um jogo interessante como história, peca por ser demasiado fora do tempo. Gráficos datados, jogabilidade presa e inconstante, pequenos erros de polimento final e muita coisa ainda por ser feita. Se colocarmos tudo isso de lado e assumirmos que o jogo tem esses erros e quisermos viver com eles, no final é um jogo gratificante.


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