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Review de Lost Planet 2 para PC de Eurogamer

por William TK, fonte Eurogamer, data  editar remover


Na passagem de Lost Planet: Extreme Condition para Lost Planet 2, a imediata sequela anunciada em Fevereiro de 2009, um dos registos alterados tem que ver com Wayne Holden, a personagem principal do jogo de abertura da franquia modelado a partir de Byung-hun Lee, um conhecido actor de cinema sul coreano, que entrou num processo de congelamento após os acontecimentos finais de Lost Planet. Bem, isso não traduz um processo de conservação radical de um ser humano no meio do gelo à espera de resgate findos mil anos, já que a intenção da Capcom foi outra; arredar alguns aspectos do conteúdo original deveras assentes num planeta coberto de neve do princípio ao fim e injectar uma série de novos protagonistas, mas sobretudo mais conteúdo na senda do ???bigger and better???.

Se o timbre e ritmo de Lost Planet: EC de imediato o associaram à toma dos ???third person shooters??? ocidentais, nomeadamente a escala épica e dramática dos confrontos em Gears of War, a Capcom foi persistente na ideia de voltar a reunir um acervo de metas capazes de completar e propiciar uma nova cena jogável conciliável com as preferências dos ocidentais. Contudo e nessa demanda, os produtores acabaram por descurar o argumento que se pretendia minimamente coeso e equilibrado, capaz de agarrar o jogador ao longo de perto de uma dezena de horas, ao mesmo tempo que assegurava uma co-operação tentacular em rede no combate dos Akrid, num regresso das criaturas colossais autóctones do planeta fictício E.D.N III que marcaram no episódio inaugural.

A mudança para Lost Planet 2 significou uma alteração na escala e dimensão dos cenários, apesar daquele sentido por demais evidente de uma qualquer arena de um jogo ???multiplayer??? cada vez que os quatro enviados para o terreno completam a missão e ficam retidos diante de portas invisíveis, aguardando em contagem decrescente para a missão seguinte. No entanto, ainda partem para a aventura debaixo de um forte nevão nas altas montanhas numa transição oferecida para garantir uma melhor entrada no novo ambiente. Ainda serão convidados a percorrer dois segmentos do prólogo completados de forma diferente (por ar ou por terra abusando dos mechs), mas logo que se afastam do clima gelado a selva oferece-se como novo território hostil. Não é cenário único e a diversidade daí para a frente só favorece.
'Lost Planet 2' Screenshot 1

Dez anos depois do final de EC o planeta está coberto de florestas, mas as inimizades mantêm-se.

Lost Planet 2 proporciona uma expansão notável quanto às áreas, pondo em primeira linha as possibilidades de exploração e acesso aos objectivos feitas de forma complementar em perfeita sintonia com a componente de co-operação entre quatro jogadores. Sobram locais distantes que reservam algumas surpresas como armamento suplementar e que acabam por servir de garagem para os famosos ???mechs???, enquanto que os inimigos vos dirigem a ponta dos canos a partir de qualquer ponto. A variedade é aprazível, pelo que não só a selva do primeiro capítulo completa uma sensação de novidade para a série como as outras áreas, nomeadamente secções industriais com todo o núcleo de corredores e complexos internos (voltam a encontrar comboios para percorrer) deixarão os enviados para o terreno em permanente exploração pelos cenários.

Enquanto a Capcom deu passos conscientes ao perfilar uma sequela voltada para a cooperação através de vários jogadores no modo campanha, ou seja, reunindo elementos que funcionam e têm guarida junto dos adeptos ocidentais, por outro lado a produtora não renunciou à dificuldade na progressão da aventura, algo particularmente notório a partir do fim do segundo capítulo mesmo na dificuldade estabelecida por definição. Não é que isto seja uma surpresa para quem batalhou em Lost Planet: EC. Já nessa altura derrotar alguns akrids mais avançados não era pêra doce. Persistência e uma dose avantajada de paciência para aguardar pelo momento certo para atacar as zonas desprotegidas e acumuladas de energia eram os principais ingredientes para ter sucesso e nem a com a utilização dos ???mechs??? deixava de persistir uma espécie de luta desequilibrada como a que opôs David a Golias.
'Lost Planet 2' Screenshot 2

Wesker parece preparado para o concurso do tiro à garrafa.

As coisas agora estão ordenadas de uma forma um pouco diferente, menos na dimensão e carácter assustador das criaturas. Provavelmente mais assustadoras e dominantes, o filão de bestas volta a demonstrar quão determinada continua a Capcom em não abdicar de uma categoria de desafios ???hardcore???, como sempre foi apanágio da esmagadora maioria das suas franquias, já que sentirão uma espécie de dever cumprido cada vez que tomba, reduzida a cinzas, uma imponente criatura.

No entanto e progredindo pela campanha esta não chega ao fim com a perda de energia de algum dos grandes quatro. Ao ter implementado um novo sistema de pontos, cada vida gasta desconta uma parcela (500 pontos) variável desse total, sendo possível fazer ???respawn??? em qualquer um ponto de dados das redondezas que tenha sido previamente desbloqueado. Mas assim que ficarem sem pontos de batalha terão ???game over??? e serão reconduzidos ao começo capítulo, algo deveras frustrante, especialmente se não tiverem jogado com outros colegas em rede e gravado num momento oportuno.

O sistema de gravação revela-se obsoleto, principalmente porque cada vez que pretendem gravar a progressão no capítulo, o jogo reencaminha-vos para o ecrã principal, supondo que não querem jogar mais e vão desligar o sistema. Desde logo fica inviabilizada qualquer tentativa para gravar uma posição avançada no capítulo, especialmente quando vencem um akrid que não deixou saudades. Imaginem que seguem para a missão e antes de concluírem o capítulo algum dos vossos colegas (humanos) têm o azar de perder os pontos de batalha. O resultado obriga-vos a voltar ao começo do capítulo por terem falhado no decurso da missão.

Tirando esse irritante sistema de gravação, na prática o sistema de pontos de batalha mostra-se funcional, compatível com a dificuldade emergente nos momentos de maior sufoco e adaptado aos moldes de trabalho de equipa, exigindo cooperação e entreajuda entre os membros se quiserem escapar vivos e avançar até à próxima cena animada. Os akrid continuam a ser a maior dor de cabeça, sobretudo pela agilidade de movimentos e volume de danos causados de uma só vez, já que um golpe pode ser suficiente para vos reduzir a energia a zero. No entanto e estando num terreno cujas temperaturas não são negativas podem sempre recuperar da energia retirada aos adversários para restabelecer o vosso índice de saúde (Thermal Energy) à semelhança do jogo anterior.

O melhor de Lost Planet 2 está na progressão da campanha uma vez conectados quatro colegas em rede. ?? dessa forma que se junta a fruta. Não só a experiência individual foi cerceada, ao ponto de serem obrigados a avançar com mais três colegas controlados pelo computador se preferirem afastar-se de uma ligação online, o que constitui um cabo dos trabalhos, pois ficam obrigados a realizar todo o tipo de funções indispensáveis para concluir um capítulo e mais que isso, mais fica a impressão que são a única força em batalha capaz de causar danos visíveis nos akrid.
'Lost Planet 2' Screenshot 3

yeah bring it on sucker, this is my kinda shit.

Ao conjugar esforços entre quatro colegas, o jogo muda de figura e na prática todos os elementos que geraram riqueza no jogo primitivo estão de volta para aumentar a estratégia, alcançando um bom compromisso a partir da utilização ???mechs???, ou mais propriamente, Vital Suits (VS???s), agora com um poiso lateral extra para outro colega e mais facilmente deslocáveis. O arsenal incorpora algumas novidades, havendo armas que utilizam da vossa energia (assim como os VS???s) e munições espalhadas pelo campo de batalha.

Não há aqui qualquer sistema de ???cover??? ou de pontaria automática nos inimigos. Em bom rigor as áreas permitem o recurso a resguardos e flancos de recuperação à medida que a personagem deambula, explorando e servindo-se do gancho para trepar até zonas mais elevadas. Alguns desses refúgios, porém, são passíveis de destruição, nomeadamente pequenos pontos altos que tendem a ser locais altamente privilegiados para abater adversários.

?? um tanto épico, emocionante e admirável engatar nestas batalhas loucas onde caos e esquemas de organização por voz funcionam na mesma folha. Regra geral as diferentes localizações primam pelo detalhe e não há aquele efeito sépia, senão apenas alguns tremores que deixam a imagem turva cada vez que as bestas akrid se irritam ou vociferam labaredas complexas de contornar. Alguns akrid regeneram determinados membros depois de decepados, contudo esse é o objectivo, garantir que ele tombe a partir de fortes ataques laterais, para de seguida os colegas ao meio fustigarem o alvo.
'Lost Planet 2' Screenshot 4

Aqui não passa o Paris-Dakar.

Infelizmente o teor do argumento que nem foi o prato forte em Lost Planet: EC ficou mais desligado na sequela, através de uma série de eventos que se sucedem nem sempre com explicações plausíveis e com diferentes pontos de vista em permanente conjugação, mas pelo menos são suficientes para garantir uma ordenação entre áreas a ultrapassar. ?? natural que depois de uma primeira rodada onde a conversa via ???chat??? sobre os comentários do último akrid abatido prevaleça sobre os curtos segmentos animados que sucedem de imediato, deixando a maioria dos participantes difusos, mas para esses há sempre uma segunda volta à espera.

Ultrapassada a campanha considera-se o multi-jogador até 16 jogadores, em batalhas organizadas a partir dos esquemas tradicionais como: ???Elimination???, ???Team Elimination??? e ???Post Grab???. Ainda que muito deste conteúdo seja familiar e próximo do apresentado em Lost Planet EC, a evolução a partir dos pontos de experiência permite evoluir e adaptar as personagens dentro de uma série de parâmetros, podendo utilizar para os combates alguns modelos bem conhecidos.

Chegados ao final e volvidos vários anos de desenvolvimento depois do original, Lost Planet 2 está onde Jun Takeuchi, o produtor, o quis levar, num estado de perfilhação da vertente cooperativa em rede até quatro jogadores, sendo esta forma a mais competente e capaz já que a narrativa demasiado densa e um avanço na campanha individual pode roçar os limites da frustração se forem parcos em paciência para lidarem com akrids demorados e algo complexos de derrotar, bem como outras dificuldades no sistema de gravação, estas extensíveis também à progressão online. Apesar disso Lost Planet 2 distancia-se bem mais do original em conteúdo; desde áreas, monstros e material bélico à disposição e se a isso associarmos uma boa vertente estratégica e táctica entre os quatro resistentes (humanos), Lost Planet 2 consegue ser uma experiência atractiva, mesmo sem imputar inovações ao género. De resto é notória a aproximação aos mercados europeus e norte-americanos, sem ignorar o mercado japonês num estreitamento de margens com a série Monster Hunter, mas na equiparação com alguns ???shooters??? na terceira pessoa do lado ocidental o jogo de Takeuchi ainda carece de aperfeiçoamento para atacar a liderança.


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