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Review de Skate 3 para PS3 de E-Zine/MyGames

por Giordano Trabach, fonte E-Zine/MyGames, data  editar remover


Apenas um ano depois de Skate 2, eis que nos chega Skate 3 às mãos. Tendo o exemplo da série Tony Hawk Pro Skater, compreendemos a necessidade de ter títulos espaçados, com o seguinte apresentando um grau de inovação palpável. A pergunta que nos é posta é se Skate 3 é um título original ou apenas Skate 2 numa nova cidade. A resposta é longa e está sujeita ao gosto e padrões pessoais.

Começemos pela história e enquadramento. Skate 3 separa-se dramaticamente de Skate 2 com Port Carverton. Ao contrário de New San Vanelone, Port Carverton é o paraíso dos skaters, não pela sua construção mas pelo ambiente vivido nesta nova metropolis da série. Não há qualquer zona interdita ou guardada por seguranças com a mentalidade de um pitbull. Ao invés de um sentimento claustrofóbico de um regime anti-skaters sentimos um mundo aberto onde os desportistas ou artistas, dependendo da nossa visão pela cultura, têm todas as ferramentas à sua disposição que poderiam vir a precisar.

Quase toda a gente que aparece em Skate 3 é skater e, assim como Skate 2 surgiu no seguimento de Skate, Skate 3 é-nos apresentado como uma sequela de Skate 2. Uma lenda viva do desporto, resta-nos criar a nossa marca de pranchas. Contudo, o enredo serve de pouco ou nada para mudar a estrutura do jogo em relação aos títulos anteriores. A diferença é que em vez de dinheiro ganhamos vendas de pranchas, vendas estas que nos vão desbloquear roupa nova e abrir espaço na nossa equipa.

Para recrutarmos novos skaters para a nossa equipa temos que completar um certo número de desafios que englobam concursos de street e vert, corridas downhill, tirar fotografias para capa de revistas e filmar pequenas promos, com um ou dois novos. Onde Skate 3 diverge dos anteriores é na inclusão de desafios de equipa. No entanto, a estrutura não nos dará uma sensação de novidade, talvez a novidade que muitos fãs da série esperavam que viesse com este título.

Tirando desde já os gráficos e o som do caminho, podem esperar nestes campos o mesmo que viram em Skate 2. Durante o jogo não é incomodativo mas nas cutscenes as capacidades técnicas visuais mostram a idade, enquanto o som continua tão bom como sempre. Por alguma razão, todavia, Skate 3 sofre de problemas no framerate, complicando por vezes as manobras.

Passando para a jogabilidade, Skate 3 é praticamente idêntico a Skate 2 com o acréscimo de modos de dificuldade. De forma a ser mais versátil e englobar um público maior, agora temos três níveis de dificuldade: Easy, Normal e Hardcore. Na dificuldade Normal sentir-se-ão em casa com as mesmas dificuldades e facilidades físicas. Em Easy o jogo será muito mais condescendente, perdoando más aterragens e alinhamento de corrimões e parapeitos. Na dificuldade Hardcore a física aproxima-se do realismo de uma forma quase cruel requerendo constante concentração. Por um lado o desafio é maior e puxará pelos veteranos da série mas, por outro, as manobras, em especial os grinds, tornam-se quase demasiado difíceis de executar erradicando a descontracção tão simbiótica do jogo.

Não obstante, Skate 3 mantém a característica mais importante dos anteriores. Horas passam sem que façamos um único evento para avançar no jogo e a diversão não pára. Com os modos online competitivo e cooperativo bem integrados, a simples liberdade de andar por Port Caverton é a melhor parte de Skate 3.

Em relação à expansão da lista de truques temos a estreia do darkslide e dos half flips. ?? excepção destes encontramos os mesmos que encontramos em Skate 2. A grande melhoria não foi tanto na quantidade de truques disponíveis mas na execução destes em Hardcore onde a impulsão conta tanto como na vida real e, na falta desta, o skate não atinge a rotação total, resultando em novas animações de tropeções que podem levar a quedas.
Na apresentação e menus, Skate 3 é igual a Skate 2, com o mesmo sistema de personalização de personagens e prancha. Tendo dois modelos por onde escolher, os de Skate e Skate 2, pessoalmente creio que a decisão da EA Black Box foi a errada. Enquanto em Skate tínhamos um catálogo organizado por acessórios e marcas, em Skate 3, à semelhança do segundo título, temos apenas a divisão do tipo de mercadoria. Para além de termos consideravelmente menos produtos de cada marca individual, temo-los todos juntos, tornando-se caótico.

Como disse anteriormente, Skate 3 foca-se no aspecto da equipa, sendo possível jogar off e online. Como seria de esperar, as duas experiências são completamente diferentes com a online a ser a recomendada. Isto acontece porque a Inteligência Artificial (IA) de Skate 3 não é melhor que a presente em Skate 2. Os peões passeiam-se pelos sítios mais incómodos para os skaters e impensáveis até para os próprios peões. Já os skaters também não são os NPCs mais sensíveis não fazendo qualquer desvio independentemente da nossa rota. Uma óptima e já exigida funcionalidade presente em Skate 3 é o criador de parques. Já no modo carreira podemos invocar peças e plataformas para construir o perfeito spot mas com o Park Creator podemos criar e partilhar o recinto de sonho para os skaters. A partilha e cotação das nossas criações é possível através da activação de um código que vem com o jogo que pode ser redimido uma vez. Se comprarem em segunda mão ou pedirem emprestado a um amigo, nesse caso terão que pagar uma taxa pelo código e consequente activação do serviço. Tirando esta função específica, em primeira ou segunda mão, poderão desfrutar de Skate 3 na sua totalidade. Park Creator é uma das ferramentas deste modesto manifesto de liberdade. ?? simples e prático com as opções que seriam de esperar e algumas mais. Podemos escolher entre várias peças, rodá-las, movimentá-las e ajustá-las conforme a nossa imaginação mandar. ?? no online que Skate 3 se destaca substancialmente dos anteriores com os vários modos melhorados e retocados para encaixar o conceito de equipa. Sem muito para dizer, a experiência online é semelhante à de uma competição offline apenas com concorrência e ajuda inteligentes e à nossa altura.

Skate 3 é um jogo que volta ao estilo descontraído do primeiro mas a meu ver peca por oferecer um argumento tão fraco e pouco relevante. Pode ser um cliché mas o conceito "zero to hero" continua a ser o grande incentivo num jogo de skate. Em Skate sentíamos o peso de cada passo e de cada conquista com as primeiras páginas de revista com os nossos truques. Em Skate 3 é praticamente irrelevante para o jogador ter um ou cinco membros de equipa desde que sejam controlados pela IA. Também sinto que San Vanelona era um colosso quando comparada com Port Caverton que parece irreal, talvez pela estética utópica e paradisíaca.O sentimento de realização sentido em Skate dava-nos a sensação de estarmos na pele de um skater comum que chegava ao topo e conquistava os X-Games. Em Skate 2 e Skate 3 esse sentimento não está lá, talvez por não nos identificarmos com um skater que luta contra o sistema estabelecido ou com um skater "gone commercial".

Em suma Skate 3 é, no que toca à jogabilidade, o melhor título da série até hoje. O sistema de física no jogo está muito mais real, as diferentes dificuldades abrem a entrada a iniciados, não ostraciza os fãs da série e expandem as possibilidades para quem quiser um novo desafio. Contudo, Skate 3 não apresenta tantas inovações que justifiquem uma mudança do segundo título para o terceiro. Para os amantes do desporto que só têm o primeiro ou não têm nenhum, Skate 3 é um óptimo título, talvez mesmo obrigatório, para alimentar a colecção de jogos.

Prós:
  1. Dificuldade Easy para novatos e Hardcore para Veteranos
  2. Nova cidade por descobrir
  3. Park Creator aumenta a longevidade


Contras:
  1. Poucos truques novos
  2. Estrutura demasiado semelhante à dos títulos anteriores



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