GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Dead to Rights: Retribution para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O primeiro Dead to Rights, thriller policial lançado em 2002 para Xbox, conseguiu atingir boas críticas na mídia especializada ganhando adaptações para Playstation 2, GameCube e PC. Três anos mais tarde, seus desenvolvedores resolveram apostar novamente na série trazendo a decepcionante sequência Dead to Rights: Reckoning. A péssima qualidade gráfica e jogabilidade ruim garantiram seu fracasso.

Agora, oito anos após o inicio da série, Dead to Rights: Retribution chega sem muito estardalhaço, tentando não só adaptar a franquia para a nova geração como agradar os fãs que o haviam esquecido. O resultado é bem claro: a Namco Bandai pode desistir de uma vez da franquia, pois ninguém vai sentir saudades.

Não espere uma grande história
O policial Jack Slate e seu cachorro Shadow voltam a andar pelas ruas de Grand City tentando restabelecer a segurança para moradores que enfrentam uma onda de violência. Sem profundidade, longas explicações ou vilões memoráveis, Retribution é um jogo bem comum. Possui um roteiro batido, com situações previsíveis e cenários que são figurinhas carimbadas dos jogos de policiais: ruas imundas, esgotos e estações de trens.

Se não bastasse a onda de clichês, os gráficos também não são a desculpa necessária para, quem sabe, desembolsar os reais necessários para a aquisição do jogo, pois tudo parece feito às pressas. Efeitos de luzes estranhos que saem da boca dos bueiros ou das frestas de paredes parecem irreais, os cenários e principalmente as texturas são repetidas a exaustão e o conjunto visual acaba enojando e eliminando qualquer vontade de prosseguir as longas, tortuosas e recorrentes fases.

Dificuldades gráficas não se restringem aos cenários e efeitos de ambiente: os personagens também não receberam o tratamento que mereciam, possuindo uma aparência pobre e mal acabada, como é o caso do cão Shadow, que deveria ser um husky siberiano mas mal parece um vira-latas. As mortes violentíssimas que tanto agradam quem jogou algum Dead to Rights perdem totalmente a graça por culpa da baixa qualidade gráfica. Elas continuam violentas, explosivas e carregadas de ódio, contudo os esguichos de sangue, a leveza dos inimigos e a física precária tiram grande parte do efeito positivo que o primeiro jogo trazia. Soma-se isso aos diversos problemas de jogabilidade que dificultam as execuções e o jogador vai se perguntar o que irá salvar o jogo. Bem, a trilha e os efeitos sonoros são ótimos e não desgrudam da cabeça, mesmo depois de se ter desligado o console. A composição das músicas passa a tensão necessária quando se está em meio à batalha e o nervosismo da furtividade quando se joga com o cachorro. Se há alguém competente na Volatile Games, desenvolvedora da série, esta pessoa é o compositor.

A desgraça começa no controle e acaba na câmera
Definitivamente a desgraça está reunida na jogabilidade. Claro que os gráficos decepcionam e eles pesam na escolha de um jogo, mas existem raros títulos que se salvam graças a uma trama consistente e a uma jogabilidade única e divertida. Dead to Rights: Retribution errou no enredo, nos gráficos e na jogabilidade.

Os controles são simples e bem semelhante aos encontrados em diversos outros third person shooters: esconda-se, mire e atire. Um diferencial deveria ser as batalhas corpo a corpo com mortes violentas e empolgantes, porém na prática as coisas são mais complicadas do que parecem. Quem cansou de tiro na cara e bala no peito pode largar tudo e sair em busca de diversão espalhando socos para todos os lados e usando uma simples combinação conhecida de ataque fraco, golpe forte e defesa. Sem a possibilidade de travar a câmera em um inimigo, as batalhas parecem um baile de carnaval do inferno. Os combos que deveriam sair facilmente, nocauteando os adversários, acabam saindo tortos e raramente finalizados por culpa de um passo para o lado ou um toque errôneo no controle que muda a direção de Jack. Como grande parte das batalhas ocorre entre o protagonista e, no mínimo, dois ou três inimigos simultâneos, na maioria das vezes, enquanto se dá um soco em um, os outros dois já estão te batendo e o personagem acaba sempre apanhando de todo mundo.

Não satisfeitos em destruir os controles do jogo, ainda conseguiram acrescentar a câmera burra que tem o bizarro desejo de nunca focar na ação. Esta só pode ser a explicação para a câmera nunca querer apontar para o lado certo, deixando, geralmente, algum meliante fora da tela, o que vai gerar problemas. Não é uma ou duas vezes, são dezenas de tentativas onde o jogador está concentrado tentando eliminar o máximo de inimigos e, como um passe de mágica, um surge pelas costas, no ponto cego de quem joga, segura Jack deixando que todos os outros soquem incessantemente o pobre protagonista.

O jogo conta com um sistema estilo bullet-time, onde o tempo anda em câmera lenta, permitindo executar tiros certeiros ou esquivas insanas, mas este detalhe não chega a chamar a atenção. As mortes valem mais a pena e divertem mais quem joga. Entrar em um corpo-a-corpo, por mais problemático que seja ainda é mais divertido do que sair atirando a esmo.

O mais impressionante em todo o jogo é perceber que os combates têm, lá no fundo, um pitaco de diversão. Existem diversas formas de se matar um simples guarda, seja tocando-o contra uma cerca elétrica ou derrubando o adversário no chão enquanto se atira contra a cara do sujeito. Contudo, a matança poderia ser melhor se tudo funcionasse corretamente.

Dá para jogar só com o cão?
Se existe alguma coisa que presta neste título ela é o Shadow, o cachorro divertido e mal utilizado. Ninguém sentirá grande falta dele até as fases em que se é, efetivamente, o cão. Shadow morde, mata, busca, puxa, enfim, se comporta realmente como o melhor amigo do homem. Grande parte do tempo ele passa ali no cantinho sem muito que fazer. Late para um, corre atrás de outro e ajuda com pequenas informações como ???sentir??? o inimigo que está logo ali, do outro lado da rua. A aventura desenfreada passa para um sistema de furtividade onde Shadow pode esgueirar-se pelo cenário vendo inimigos através da parede, atacando o adversário e arrastando-o para lugares escuros para evitar que sejam vistos por outros guardas.

Uma pena notar que essas fases são raríssimas, pois entretém o jogador pelas diferentes possibilidades que se abrem. Ao final, quando se volta a jogar com o Jack, Shadow tem sua função básica restabelecida e apenas morde um guarda ou busca determinado item graças ao comando do policial. Neste momento é possível notar como o jogo poderia ter sido mais bem explorado se apenas Shadow fosse o protagonista.

Conclusão:
Dead to Rights: Retribution pode tranquilamente passar batido como o antecessor, graças a uma combinação de gráficos horrorosos com uma jogabilidade fraca. A série entrou na nova geração pela porta errada, embora deixe uma lição a seus desenvolvedores: poderiam investir em um spin-off da franquia colocando Shadow como protagonista, pois a jogabilidade com o mal-desenhado cão é a única coisa que funcionou desta vez.

Prós:
  1. O cão é a parte mais divertida do jogo;
  2. Trilha sonora excelente.


Contras:
  1. Gráficos ultrapassados;
  2. Câmera nada funcional;
  3. História fraquíssima;



Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
4/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

7.5 / 10
GameTV
©2016 GameVicio