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Review de Silent Hunter 5: Battle of the Atlantic para PC de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Ultimamente tem-me calhado a tarefa de analisar jogos que requerem uma ligação à internet permanente, e ao parece que as coisas vão continuar assim por algum tempo. Desta vez o jogo escolhido é Silent Hunter 5, um simulador de submarinos a cargo da Ubisoft. ?? um pouco chato ser obrigado a ter a ligação sempre activa, ainda por cima no dia em que recebi o jogo fiquei sem internet, e estive dois dias sem o conseguir jogar. Este é apenas um exemplo de como este DRM implementado pela Ubisoft pode ser frustrante.

Este jogo leva a simulação a patamares bem elevados, podemos configurar diversas opções que definem o quão realista queremos que o jogo seja. O tempo das reparações, limite de oxigénio, e até limitar o combustível disponível, que são determinantes para uma melhor experiência de jogo.

O modo carreira coloca-nos no meio da Segunda Guerra Mundial, em que assumimos o papel de Capitão de um U-boat nazi. Existe inicialmente uma espécie de tutorial, muito fraquinho, onde temos que destruir uns alvos nada ameaçadores e deslocarmo-nos até um porto. Muito pouco, principalmente para quem nunca tenha jogado Silent Hunter. Mas com muita dedicação lá se consegue compreender o jogo, e nada melhor que combates reais para aprender os seus segredos.

Como Capitão, temos que cumprir determinada tarefas, missões, que são atribuídas por um superior hierárquico. As missões bem sucedidas irão atribuir pontos que vão sendo acumulados, quando obtemos uma pontuação suficiente, alcançámos a vitória na campanha. A nossa tripulação, e mesmo o U-boat, são susceptíveis de aperfeiçoamentos e influências. No caso da tripulação, esta possui níveis de moral e até são capazes de fazer upgrades ao nosso U-boat, vitais para um melhor desempenho no teatro de guerra.

Os níveis de moral podem ser influenciados pelas conversas que vamos tendo com a tripulação, perguntar pelos seus filhos, esposas, sobre a guerra e até sobre a sua história de vida. Mas esta interacção é algo primária e até um pouco enfadonha, não existindo muita "humanidade" nos diálogos, é tudo muito artificial. Um ponto estranho está relacionado com o facto dos tripulantes não morrerem, independentemente das nossas acções. ?? claro que se o nosso submergível for destruído o jogo termina, mas não existe a possibilidade de perdermos membros da equipa, o que não deixa de ser estranho para um simulador.

Dá para compreender a intenção da Ubisoft, que tentou introduzir outra imersão ao jogador, fazer com que este se sinta parte integrante de uma tripulação. A tentativa foi de criar uma vida própria dentro do U-boat, com as diversas interacções e possibilidades, o que de certa forma até foi conseguido, mas muito superficialmente.

Nós somos um Capitão, mas temos que andar de um lado para o outro, subir escadas, deslocarmo-nos até aos diversos membros e interagir com estes. Chega a um ponto que cansa, não havendo paciência para executar estas acções. A própria jogabilidade do jogo, quando controlamos o nosso personagem em primeira pessoa, é muito estranha, inacreditavelmente nem existe a opção para inverter a visão vertical, que no meu caso é imprescindível. No que estavam a pensar durante o processo de desenvolvimento do jogo, não o testaram? Ninguém sentiu a falta de inverter visão vertical? Aparentemente não.

O controlo do nosso personagem é muito rudimentar, mais parecemos uma pessoa incapacitada a deslocar-se pelo submergível. Subir escadas, seleccionar aparelhos ou mesmo interagir com a tripulação, é uma enorme dor de cabeça. O motor do jogo também não ajuda muito, já que a fluidez é um pouco baixa para tão pouco detalhe gráfico. ?? certo que a recriação dos submergíveis está detalhada, e os oceanos e respectiva ondulação também, mas já o mesmo não se poderá dizer dos personagens que mais parecem robôs. Quando interagimos, é que realmente se constata que o jogo não foi acabado, se o foi não parece, já que a sincronização do que se passa à nossa frente com o áudio está lamentavelmente errado.

A movimentação do U-boat é efectuada com base em pontos que definidos no mapa. Para meu espanto, existem obstáculos que não são muito perceptíveis, não existindo uma adaptação em tempo real da rota, temos que acompanhar toda a progressão e alterar os pontos de deslocação. Não me sai da cabeça quando tentava atracar num porto e fui de encontro a um muro, incrivelmente o U-boat apareceu bem atracado, mas a minha tripulação gritava de desespero pelo embate que tinha acabado de se verificar. ?? mais do que óbvio que se tratou de um erro no jogo, infelizmente são muitos os bugs presentes em Silent Hunter 5, principalmente relacionados com colisões, com acontecimentos inexplicáveis e variadíssimos defeitos sonoros na colocação dos timings.

Depois temos as missões que não ajudam nada em termos de cativar o jogador. ?? verdadeiro que estamos perante um simulador, e que podemos aumentar a velocidade com que o tempo passa, mas missões que duram horas a serem completadas são um autêntico teste à capacidade que o jogador terá para aguentar, é quase uma prova de resistência física.

Silent Hunter 5 é um verdadeiro teste à paciência, o jogo não está acabado, como podem colocar no mercado um jogo recheado de erros, mesmo com as sucessivas actualizações de que já foi alvo. Sabem o que apetece fazer quando nos deparamos com os erros? ?? sair do jogo e nunca mais pegar nele. Para ajudar a tudo isto temos a já referida exigência de uma ligação à Internet contínua, que destrói por completo a vontade de adquirir o jogo.

Sinceramente, se gostam deste género de jogo o melhor é procurarem por Silent Hunter 4, que pode ser adquirido a um óptimo preço, sendo até ao momento a melhor versão. Penso que está na altura da Ubisoft repensarar a estratégia do DRM implementado nos seus mais recentes jogos, é como um tiro no pé. Quem comprará um jogo que poderá não funcionar no momento em que se tem algum tempo para tal?


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