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Review de Pokémon HeartGold Version para DS de Eurogamer

por Giordano Trabach, fonte Eurogamer, data  editar remover


Pokémon é já uma série de culto, não só por todas as gerações pelas quais passou ??? já a caminho da quinta ??? mas também pela forma como sempre tem agradado os fãs. As versões originais Gold e Silver foram já uma revolução na altura em que saíram. Aliás, a estreia de cada nova geração de Pokémon na consolas portáteis da Nintendo têm assinalado uma revolução na série. Tal acontece desde as versões Red e Blue lançadas no original Game Boy, e só agora com os novos Pokémon Black e White vamos pela primeira vez assistir ao lançamento de duas gerações consecutivas na mesma consola, a Nintendo DS. A notícia irá certamente agradar aos muitos que não pretendem investir num novo sistema de jogos, mas é certo que também terá deixado muitos de pé atrás. Para o bem ou para o mal, Pokémon é uma série muito agarrada às suas origens e esta nova versão apenas vem prolongar a espera daqueles que anseiam por ver algo completamente novo na série.

Esta era, pelo menos, a minha opinião após o anuncio dos novos jogos da quinta geração. Mas agora que foram divulgados os primeiros Scans das versões a serem lançadas ainda este ano no Japão, esta realidade ficou um tanto distorcida. As primeiras imagens indicam para a tão esperada revolução na série já nesta geração e, para tudo o que vale, Pokémon HeartGold e SoulSilver podem bem ter sido as últimas versões criadas dentro do modelo que conhecemos. E, sob esta perspectiva, este parece ser um acabar em beleza, pois nestes moldes este é simplesmente o ponto mais alto da série até ao momento. Não descorando, é claro, o facto de que já os originais Gold e Silver tinham sido também umas das melhores, senão mesmo as melhores de todas as versões.

Esta versão é então uma espécie de versão de transição. Algo dentro dos moldes da série Diamond e Pearl, principalmente no que toca à utilização de um motor 3D, sempre respeitando o passado da série, mas também um produto no qual se nota uma clara evolução. ?? mais ambicioso. Se em Diamond e Pearl o motor 3D vivia acanhado, só raras vezes acordando para dizer um ???olá??? através de pequenos relances que provavam a sua existência, agora temos um motor mais desinibido e que não tem medo de mostrar o que vale. Existem mais estruturas em 3D no decorrer do jogo, e tudo isto é aplicado de uma forma bastante balançada.

Não vem revolucionar nada, mas consegue conquistar aqueles que acompanham desde sempre a série através de pormenores mínimos. Esta utilização é bem notória principalmente no interior dos ginásios, nos quais existem por vezes puzzles a desvendar e este motor dá um ar da sua graça através da utilização de várias plataformas, e estende-se até, por exemplo, ao menu de Items, que utiliza um modelo 3D do vosso personagem para mostrar as diversas secções da mala. Mas os pormenores mais deliciosos a nível do motor 3D são os edifícios. Não a estrutura em si, que já na versões anteriores apresentavam designs todos pomposos, mas sim nas possibilidades apresentadas uma vez dentro do edifício. Em certas situações é possível aceder a terraços e observar uma série de perspectivas novas à série, como paisagens ou as nuvens em movimento. ?? um novo tipo de interactividade.

A estrutura do jogo dispensa apresentações. Naturalmente ser-vos-ão apresentados os 3 Pokémons iniciais, e a partir daí tudo gira em volta da evolução dos monstros de bolso até à chegada à Poké League, e daí em diante. Pelo meio terão, naturalmente, uma série de aventuras que envolvem, por exemplo, batalhas com os Team Rocket ou os episódios referentes aos Pokémons lendários. Na versão SoulSilver poderão apanhar o Lugia e em HeartGold o Ho-oh, cada um deles dando acesso a um tipo de mitologia diferente. Pelo meio terão ainda o episódio dos 3 cães lendários que oferece acesso à uma busca incasável por cada um deles, de uma forma que ainda hoje é única na série.

O jogo é bastante desafiante. Não só os treinadores principais dos ginásios estão mais inteligentes na forma como actuam, mas também a quantidade de treinadores com Pokémons de níveis elevados permite uma evolução constante ao longo de todo o jogo. E o jogo é enorme. Depois de explorarem a cidade de Johto de canto a canto, e uma vez que tenham vencido a Poké League, existe ainda a possibilidade de viajar para Kanto ??? cidade do primeiro jogo da série ??? e coleccionar 8 novos crachás, perfazendo um total de 16.

Isto torna-se particularmente interessado pois a forma como viajam por Kanto é, em grande parte, da forma que voz apetece. Existem certas restrições, mas a liberdade aqui é definitivamente maior. A nova cidade tem uma série de novos segredos, e tudo isto faz com que consigam alcançar facilmente as 40/50 horas, sem qualquer dificuldade.

Pelo meio têm ainda as possibilidades Online, como o Global Trade Center que vos permite trocar Pokémons com pessoas de todo o mundo, ou ainda a possibilidade de combater Online e gravar os vossos combates. Todos os combates podem ainda ser vistos Online numa lista que vos mostra os melhores e mais recentes vídeos. Esta possibilidade estende-se também, como é habitual, aos vossos amigos, possibilitando que o façam através da ligação sem fios. Outra característica nova em relação ao original é a possibilidade de tirar fotografias em pontos-chave do jogo, permitindo que as gravem e mais tarde as vejam no computador. O mesmo se aplica às maquilhagens e efeitos para alterar o aspecto dos Pokémons.

Outra novidade é a Maratona de Pokémons, uma zona no jogo que vos permite vestir um fato de treino e ir para a pista treinar os vossos amigos preferidos. Existem uma série de provas dedicadas a determinados atributos, como velocidade, resistência ou saltos. Para isso devem escolher os Pokémons adequados para cada estilo. Na prática isto é uma secção com uma série de mini-jogos que vos permitem utilizar o stylus para passar algum tempo e até se divertirem. Ao participarem ganham que pontos que podem trocar por uma série de prémios.

Mas a, por assim dizer, mais sonante novidade é mesmo o PokéWalker. O dispositivo em forma de PokéBola é inicialmente um acessório que parece estranho e pouco interessante, mas as suas possibilidade no contexto do jogo tornam este periférico algo realmente valioso. Tem tanto de acessível como de familiar, não só pelo ecrã que faz lembrar o tipo de acção dos tempos do Gambe Boy, mas porque é tão simples que até dá vontade de passar mais algum tempo em redor deste mundo. Através do jogo podem passar qualquer Pokémon para o dispositivo e, a partir daí, para qualquer lado que vão este irá contar os vossos passos.

Os passos são convertidos em Watts a uma determinada escala e podem assim entrar em combates para derrotar ou capturar Pokémons ou ainda procurar Items. Além disso o Pokémon com o qual andam poderá encontrar Items raros a qualquer momento. No final da jornada, e ao passaram o Pokémon para a DS, será apresentado um resumo de tudo aquilo que fizeram. Isto não só aumenta o nível de amizade com o Pokémon como podem ainda ganhar experiência. Os Watts não utilizados servem no jogo para desbloquear novos cenários para passarem com o PokéWalker.

No contexto do jogo esta relação com o Pokémon tem uma faceta bastante interessante, pois pela primeira vez poderão andar com qualquer Pokémon atrás do jogador. Isto transmite uma real noção do tamanho das criaturas, algo que ainda não tinha sido alcançado na série. Por outro lado estas marcam a sua presença em campo aos descobrirem Items enquanto por elas acompanhados.

HeartGold e SoulSilver são Remakes, é verdade, mas a qualidade aqui presente é tanto capaz de impressionar aqueles que jogaram o original como os que pela primeira vez entram neste mundo. ?? simples, é aquilo que sempre gostaram e vos fez voltar por mais, mas ainda um pouco mais. Não é a revolução que muitos desejam, mas também não era isso que se pedia. No dia em que essa revolução chegar terão aqui o derradeiro exemplo daquilo que Pokémon era nos seus moldes originais. Tem pormenores únicos na série e que vão certamente agradar aqueles que há muito esperam por algo diferente. Se há Remakes que valem a pena este é um deles. Não porque a evolução tecnológica assim o justificasse, mas porque se esta é a única forma do jogo chegar a uma maior plateia, então corram atrás dele.


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