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Review de Just Cause 2 para X360 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Just Cause 2 é uma sequência que conseguiu acertar na receita corrigindo diversos erros que o antecessor tinha e, de quebra, entrou bem na nova geração, recebendo uma boa reformulação gráfica e um mundo amplo e vasto. A sensação de adrenalina foi tão bem representada no jogo da Avalanche Studios que, após desligar o console, o jogador terá vontade de saltar de pára-quedas, pilotar aviões e enfrentar sozinho a governos opressores.

Do Caribe para o Pacífico
Rico Rodriguez, protagonista e agente secreto radical, estava curtindo suas férias merecidas após o primeiro título quando sua recebe uma nova missão na fictícia ilha de Panau. Como de costume, Rico precisa livrar a ilha de um governo corrupto e violento lutando sozinho. Surreal demais? Acredite: esta é a parte menos absurda do jogo.

A história é muito supérflua e nem um pouco interessante. Just Cause 2 não quer ser original neste aspecto. Na verdade, quem o joga notará que a desenvolvedora se preocupou tanto em passar uma ação frenética que enxugou ao máximo a trama, na tentativa de não quebrar o clima. No final, eles até tentaram fazer algo mais empolgante, mas tarde demais. Tudo tinha esfriado e quem chegou até os créditos já parou de prestar a atenção no jogo há horas.

As missões são dadas pela CIA, agência à qual Rico pertence e que empurra a narrativa para frente quando o jogador está perdido sem saber o que fazer. Embora importantes de serem cumpridas, não são a única fonte de divertimento do jogo. Quando explode um carro, destrói um prédio ou faz qualquer coisa que deixa os pequenos vilarejos em meio ao caos, o jogador ganha Chaos Points. Estes pontos servem para abrir novas missões vindas de outras agências e lojas do mercado negro onde se pode comprar de tudo. São mais ou menos como os personagens secundários do GTA com suas side-quests que ajudam a enriquecer, e muito, o jogo. As missões são muito variadas, entretanto, muitas vezes são difíceis demais, forçando o jogador a refazê-las inúmeras vezes, frustrando-o. Todas elas facilmente contornadas, bastando apenas abandoná-las e as deixando de lado. O problema é quando elas fazem parte da história principal e se depende delas para abrir uma nova área ou dar continuidade a trama.

Certamente o que surpreenderá muitos é o tamanho da ilha. Panau é grande e com uma flora diversa. Enquanto uma região é totalmente desértica (visto no demo), outros lugares são tropicais, de mata densa, com montanhas altas cobertas de neve e não são locais sem civilização. Ao longo de toda a ilha, pequenos vilarejos fazem parte da paisagem e muitos deles têm um perfil diferente dos outros, seja com estátuas ou pelo tipo de construção. Ao descobri-las o jogador pode começar a espalhar o caos até libertar as pessoas da tirania do ditador. Isto faz parte do jogo.

Esqueça a realidade
Se a pessoa busca uma física real, um herói humano e nada muito impossível de acontecer na vida real, pode esquecer Just Cause 2. Rodriguez faz James Bond parecer uma criança da pré-escola. Ele salta de avião, cai de grandes alturas, abre o pára-quedas quantas vezes quiser e ainda tem a ajuda de um gancho biônico.

O gancho é tão importante que é possível dizer que, em muitos momentos, ele é o protagonista da série. Qualquer coisa em um raio de dez metros pode ser puxado por ele, e o herói também pode usá-lo para se locomover instantaneamente pelo cenário, lançando o gancho e sendo puxado por ele para qualquer lugar. Tudo pode ser feito com o auxilio da corda presa ao gancho e, neste ponto, os produtores criaram verdadeiras surpresas que vão sendo descobertas enquanto se joga quase como mágica, como o caso de tentar subir em um carro e, por engano, prender o veículo em movimento a uma árvore. Isto acontece com mais frenquência do que se imagina e mostra como o gancho é mais importante que as armas que tem no jogo. Acredite: o arsenal é bastante completo.

Toda a manobra radical que só um super-herói consegue fazer tem a ajuda das próprias loucuras da ilha como os tanques de propano espalhados. Onde mais a pessoa encontraria tanques de propano espalhados a cada esquina? Só em Panau. E eles são utilizados para tudo, desde granadas gigantes a foguetes capazes de lançar os inimigos para o espaço. A combinação deles com as armas e o gancho é o que dá mais estratégia e muito mais diversão ao jogo, fazendo o jogador perder horas brincando, esquecendo-se de avançar na história, como se fazia no GTA IV. As possibilidades do que é possível inventar com o utensílio são tão variadas que todos os dias novos vídeos brotam em sites como o Youtube, com jogadores divulgando suas loucuras.

Uma pena que pequenos bugs passaram batidos ou foram esquecidos propositalmente pelos programadores. Quando cai de uma altura muito grande, Rico morre instantaneamente ao atingir o solo, contudo, se durante a queda o jogador usar o gancho contra o chão, ou seja, aumentar a velocidade do encontro entre o protagonista e o solo, nada acontece. Fica a dica: sempre que a morte parecer eminente e o pára-quedas não for a melhor opção é só pensar na forma mais provável de se matar.

Talvez nenhum problema comentado até agora seja pior do que a ausência do multiplayer. Tudo em Just Cause 2 parece que foi planejado para brincar depois com os amigos online assim como é possível no Grand Thief Auto IV. Magnus Nedfors, diretor do projeto, anunciou recentemente que não haverá DLC adicionando multiplayer online, decepcionando muitos jogadores que esperavam ansiosos pela possibilidade. Uma pena. Faz uma falta imensa para quem gosta do estilo.

Conclusão
A Avalanche conseguiu novamente. Just Cause 2 é divertido e bom para aquelas pessoas que não querem pensar muito. Dá tranquilamente para sentar na poltrona e perder horas apenas explorando e brincando em Panau. A história é fraquíssima e alguns bugs na jogabilidade estragam um pouco um jogo que tinha tudo para ameaçar GTA. Mas não foi desta vez. Quem sabe em um terceiro episódio a desenvolvedora não coloque ao menos um multiplayer, que teria muito potencial.

Prós:
  1. Ação frenética do início ao fim;
  2. Panau é grande e bela;
  3. O gancho é uma das armas mais divertidas que já criaram.


Contras:
  1. História fraquíssima;
  2. Bugs na jogabilidade;
  3. Ausência de multiplayer.



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