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Review de Supreme Commander 2 para PC de E-Zine/MyGames

por Hayashii, fonte E-Zine/MyGames, data  editar remover


Em 2007, a Gas Powered Games lançava Supreme Commander, um real-time strategy game que prometia uma experiência complexa, um campo de batalha gigante, e uma sensação de guerra massiva e de verdadeira gestão táctica de unidades. O jogo, da autoria de Chris Taylor, talvez tenha passado um pouco despercebido, mas não deixou de ser um sucesso no mundo dos jogos de estratégia.

Em 2010, surge-nos Supreme Commander 2, a sequela directa do jogo supramencionado, que vem introduzir algumas melhorias muito bem-vindas em relação ao título anterior; mais organização, maiores e melhores combates de larga escala, ou uma jogabilidade mais intuitiva são apenas algumas das novidades.



Em primeiro lugar, há que dizer que esta sequela não tem propriamente uma forte componente narrativa, e parece faltar "sal" à sua história, ainda que tivesse tudo para dar certo: um universo por explorar, três facções em confronto, ideologias diferentes, hierarquias militares e o típico ambiente de ficção científica. Não obstante, Supreme Commander 2 compensa em outros aspectos que vão deixar os fãs da série agradados, assim como novos jogadores.

Aqui, a acção é retomada 25 anos depois de Supreme Commander: Forged Alliance, uma expansão standalone do primeiro jogo, numa altura em que as três facções voltaram a abrir hostilidades. Essas facções são já nossas conhecidas de títulos anteriores, nomeadamente, os UEF (United Earth Federation), os Cybrans e os Aeon Illuminate.

Independentemente da facção que se escolhe, o jogo baseia-se no tradicional conceito de "extrair recursos, construir um exército, atacar o inimigo". A diferença é que, em Supreme Commander 2, isto acontece de uma forma muito mais complexa e massiva do que outro qualquer RTS.

Aqui, quando se diz que as coisas são grandes é porque são realmente grandes. Os mapas do primeiro título eram de duas a oito vezes maiores do que os de um Age of Empires, e os deste segundo jogo seguem pelo mesmo caminho. Para além disso, é literalmente possível ter centenas e centenas de unidades no mapa, sejam elas terrestres, aéreas ou navais. Isto faz do território uma zona tão extensa e imensamente povoada que é humanamente impossível acompanhar de perto o desenrolar da acção. Com isso em mente, existem duas formas de visualizar o jogo: a Tactical View, uma câmara mais aproximada que nos permite ver os detalhes do cenários, mas que é praticamente inútil para outra coisa que não seja contemplar a imponência da nossa base; e o Strategic Mode, uma vista bastante afastada que nos mostra o mapa na sua vertente estratégica e cartográfica, onde as unidades e edifícios aparecem como pequenos ícones.

Se jogaram algum dos jogos anteriores, sabem que os recursos se dividem essencialmente em dois campos: a Mass e a Energy. Resumidamente, esta "massa" é a base de tudo aquilo que pode ser construído, enquanto a energia é o recurso que mantém tudo o resto a funcionar. Por essa razão, teremos de construir as infraestruturas necessárias ao bom balanço da economia, numa lógica de "quanto mais, melhor". Para os que nunca jogaram, a Mass vai ser extraída através de estruturas próprias, construídas em locais específicos onde esta matéria se encontra, e a Energy vai ser produzida em geradores próprios para o efeito.

?? essencial manter um bom income de qualquer uma das duas, de forma a construir uma base sustentável e a aumentar os números do nosso exército. A falta de energia pode ser particularmente devastadora, visto que pára o funcionamento dos edifícios e desactiva as nossas eventuais medidas de segurança (turrets, misséis anti-aéreos, escudos protectores, etc.).



Um pormenor agradável, em Supreme Commander 2, é que as nossas fábricas de produção (Factories) estão agora dotadas de mecanismos de defesa (chamados Add-Ons), tais como Tactical Missile Launchers e Shield Generators, o que lhes garante um maior grau de independência, ainda que estes não sejam tão poderosos como os dispositivos próprios para o efeito.

Uma das maiores vantagens desta sequela é, sem dúvida, o sistema de Research, isto é, um conjunto de upgrades e avanços tecnológicos que nos vão garantir acesso a novas unidades ou a melhoramentos para as antigas. Veja-se o exemplo dado no tutorial, onde um tanque, antigamente normal, duplica ou triplica a sua eficácia em combate graças à instalação de um terceiro canhão e de um sistema anti-aéreo.

Tudo isto é levado a cabo através dos Research Points, os quais podem ser ganhos em combate ou pelas Research Stations (espécie de geradores de energia, mas que produzem estes "pontos de pesquisa"). Quanto mais estações tivermos, mais depressa os pontos serão gerados, mais depressa desbloquearemos os melhoramentos na árvore de skills específica para o efeito, e mais depressa teremos superioridade sob os nossos inimigos.

Isto constitui apenas uma parte do novo sistema de upgrades das nossas estruturas e unidades e substitui maravilhosamente o antigo sistema de Tech's (Tech 1, Tech 2, Tech 3). A vantagem disso é que agora não vamos ficar com os "restos" de unidades mais fracas espalhados pelos cantos, visto que estas vão melhorando consoante as nossas pesquisas.

Como não poderia deixar de ser, as famosas Experimental Units continuam a marcar presença. Estas unidades especiais estão dotadas de um grande poder ofensivo e/ou defensivo e conseguem virar o rumo de um combate em poucos minutos. Obviamente, não são nada que uns 200 ou 300 tanques não deitem abaixo, mas são algo a ter em atenção.



Em termos técnicos, Supreme Commander 2 está bastante agradável. O cenário está bem detalhado, assim como as unidades e as estruturas, mas o que é verdadeiramente bonito de ser ver são os efeitos visuais, tais como as explosões ou as salvas de artilharia pesada, que estão de arregalar a vista. As cinematics podiam estar mais refinadas, mas não isso não é um factor incomodativo.

A juntar-se a isto está uma sonoplastia bem trabalhada. A banda sonora está presente e ajuda a passar um ambiente de guerra; já os efeitos sonoros também estão bons, destacando-se novamente tudo o que envolva tiros, lasers e explosões. As vozes também merecem destaque, com especial atenção para o Q-Vacus, o nosso assistente e computador de bordo, que apresenta uma voz feminina robótica suficientemente carismática ("Quantum Visionworks: Visualizing peace with advanced weapons technology."). A jogabilidade é intuitiva, os loadings são rápidos e o jogo é fluído, o que ajuda a uma melhor apreciação do título.



Por fim, não se pode esquecer o multiplayer. Existem três modos online: Assassination, onde teremos de destruir os ACU (Armored Command Unit) inimigos, ou seja, o "Supremo Comandante"; Supremacy, que nos pede para não só matar o ACU inimigo como para destruir as suas bases; Infinite War, um modo onde não existe propriamente uma vitória e que serve mais para experimentar várias acções antes de nos metermos com jogadores a sério.

Entrei num jogo Assassination 3v3. Nunca tinha jogado Supreme Commander no seu modo online, por isso não sabia muito bem o que esperar numa sessão contra outras pessoas, nesta sequela. Ainda assim, a lógica neste tipo de coisas é construir a base o mais depressa possível. Assim fiz; tratei de construir as fábricas, os extractores de matéria-prima, os geradores de energia, os laboratórios de pesquisa, e comecei a produzir unidades de combate. Depois, instalei os sistemas de defesa nas fábricas e construí os canhões terrestres e anti-aéreos. Quando pensava que já era "perigoso", comecei a ser bombardeado por morteiros vindos sabe-se lá de onde (viria a descobrir que eram canhões de longo alcance que cobriam o mapa quase todo). "OK, altura de construir Shield Generators... montes deles," pensei eu, na minha inocência. Quando os ditos escudos já aguentavam os morteiros, comecei a reconstruir a base, eis senão quando uma ou duas centenas de tanques e robôs de ataque se teletransportaram para zona da minha equipa e começaram a desbastar tudo o que se encontrava nas imediações, incluindo o meu ACU.



Tudo isto para dizer que o multiplayer consegue ser bastante viciante, pois é quase um jogo de pedra-papel-tesoura, sempre baseado na corrida ao armamento. Há que saber utilizar a árvore de upgrades e, como em qualquer multiplayer do género, decidir o tem de ser feito primeiro e o que pode ser feito depois. Supreme Commander 2 pode irritar alguns jogadores devido à presença de armas nucleares, as quais podem ser disparadas na nossa base, depois de pesquisada a tecnologia, e aniquilar uma base inimiga inteira.

Mesmo assim, o modo online é bastante divertido, especialmente quando toda a sessão corre sem lag, sem frame drop e com uma fluidez bastante aceitável, mesmo com centenas de unidades no ecrã. ?? aqui que o jogo nos vai roubar algumas horas, terminado o single-player.

Supreme Commander 2 é um bom jogo, embora possa não agradar a todos aqueles que preferem uma acção mais rápida e mais pequena. Se conhecem a série, esta sequela não vos irá desapontar, trazendo mesmo algumas melhorias; se não conhecem e estão interessados, talvez esta seja uma boa altura para conhecer.

Pontuação final:
Gráficos: 8,0
Jogabilidade: 9,0
Som: 8,5
Valor: 8,5
Pormenores: 8,0
Total: 8,4


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