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Review de Dynasty Warriors: Strikeforce para X360 de Eurogamer

por Christian Lima, fonte Eurogamer, data  editar remover


Numa indústria com crescentes peculiaridades na qual cada vez mais cada caso é realmente um caso, continuamos a ter exemplos como a série Dynasty Warriors que é toda ela um exemplo interessante. Em praticamente dez anos, praticamente nada de novo foi feito e os jogos da série que vão saindo a um ritmo que, para os que desconhecem as circunstâncias em seu redor, seria verdadeiramente estonteante e inacreditável para a realidade na qual se encontra esta indústria.

Em praticamente dez anos, a série tem permanecido igual a si mesma de uma forma que as novidades são de tal forma ténues, diria mesmo que imperceptíveis para os que não são fãs, que nos fazem ponderar se estamos perante um caso de teimosia ou de simples conformidade, tanto por parte dos fãs como por parte da companhia que o desenvolve. O certo é que a cada nova entrega Dynasty Warriors conquista as tabelas Japonesas para os jogos mais vendidos e chega a gerar furor no seu país de origem. Outra prova do seu sucesso são as junções com séries de banda desenhada/animação Japonesas de grande renome, que mostra bem o respeito e o fenómeno que a série consegue ser.

Dynasty Warriors teima em dar pequenos, preguiçosos, passos de cada vez ao invés de optar por uma corrida frente a algo superior e é isso que nos deixa perante um caso decididamente diferente: Strikeforce. Disponibilizado inicialmente como exclusivo PlayStation Portátil, Strikeforce é fruto do efeito Monster Hunter que varreu, e vai varrendo, o Japão. Quando este colosso da Capcom conquistou tudo e todos nas suas incursões pela portátil Sony no Japão, praticamente todas as companhias decidiram que queriam também lucrar com esse mercado e se a Capcom tinha o referido jogo, se a SEGA optou por recuperar Phantasy Star, se a Namco Bandai decidiu criar God Eater, a Koei inteligentemente decidiu que o melhor seria invocar Dynasty Warriors, série de grande sucesso, e moldar os seus contornos para servir o novo estilo.


O mesmo de sempre mas aqui com algumas minuciosas novidades e com um modo online.

Após iniciado o modo história e escolhido o personagem com que vamos entrar neste mundo dos três reinos em guerra na China Antiga percebemos facilmente que os moldes mudaram. Ao invés da estrutura habitual em que começamos uma missão com um objectivo principal (derrotar general do exército oposto) e com a obrigatoriedade de conquistar pontos específicos pelo caminho aqui temos algo que vai de encontro com o que vemos nos Massive Multiplayer Online. Dentro de uma ???aldeia??? na qual temos várias lojas que nos permitem desde comprar itens a forjar armas ou acessórios, temos aqui o acesso a um quadro que nos apresenta as missões disponíveis. Estas missões devem ser cumpridas para que as missões de história se tornem acessíveis e cada uma tem vários parâmetros, com recompensas adequadas mas que na verdade pouco fazem para disfarçar a sensação de que tudo é exactamente demasiado igual.

A acompanhar a nova estrutura, temos elementos na jogabilidade que sofreram ligeiras alterações e que tornam este produto em algo com contornos diferentes dos antecessores. O número de inimigos no ecrã não é tão grande quanto nos anteriores e temos agora a possibilidade de enfrentar monstros gigantes. Para acompanhar, temos a possibilidade de tornar o nosso guerreiro numa versão super poderosa de si mesmo e assim ganhar acesso a uma invencibilidade temporária.

Tudo isto para servir um ritmo de jogo mais rápido e para permitir que as missões possam ser cumpridas mais rapidamente e para tornar tudo mais frenético. Tal é conseguido em certa medida mas o seu efeito acaba por ser atenuado devido a um controlo do personagem que parece teimar em não querer evoluir. Para um guerreiro super poderoso e altamente ágil, o seu controlo por vezes é "duro" e os seus ataques limitados, e de uma forma incompreensível pouco fluidos. Os diferentes personagens oferecem ligeiras variações na jogabilidade mas nada de verdadeiramente significante. O repetir das mesmas missões para amealhar itens e subir de nível fazem com que o esquema se torne inevitavelmente repetitivo e passar largos espaços de tempo a martelar os mesmos botões faz-nos questionar sobre o porquê de realmente estarmos a jogar.


Monster Hunter assim ditou e o Japão assim assentiu, capturar monstros grandes é a moda.

Outro dos campos onde Strikeforce, e a série Dynasty Warriors no geral, teima em não acompanhar o ritmo da indústria é na sua componente técnica e graficamente estamos perante um produto sem qualquer brilho. De uma forma crua quase que se poderia dizer que estamos perante a versão em alta definição da versão PSP tal é a falta de qualidade com que nos deparamos. Se o valor mais alto é a experiência dada pela jogabilidade, tal não deveria invalidar um melhor cuidado com o visual do jogo que sinceramente é um atentado contra tudo o que a indústria tem aclamado nos últimos anos e com toda a evolução reclamada por praticamente todos os que nela habitam. Tais fracos valores visuais poderiam permitir uma elevada fluidez mas nem isso é conseguido inteiramente o que causa uma sensação realmente estranha. Níveis altamente lineares são a palavra de ordem e a sua componente sonora apenas vai ser saboreada pelos mesmos que conseguiram saborear entregas anteriores.

O maior trunfo de Dynasty Warriors encontra-se mesmo reservado para os mais devotos fãs que vão ser os únicos capazes de compreender na plenitude tudo o que aqui é feito. O manter do espírito e essência da série na adaptação a novas experiências é algo a assinalar mesmo que para tal muito se tenha mantido demasiadamente familiar. A acrescentar a isto temos um modo online que realmente nos transporta para uma sensação mais MMO. Sempre que desejarem, e quando se encontrarem na aldeia, podem alterar para o modo online não sendo necessário qualquer ecrã ou tempo de carregamento. Uma alteração fluída que vai permitir que o jogador procure novas sensações. Completamente obrigatório diria, pois sem o modo online Strikeforce perde o seu encanto e rapidamente se sente que a vertente para um jogador é o treino e preparação para jogar acompanhado. ?? a principal amostra de novidade na série e sendo certo dizer que Strikeforce implementa elementos que vão causar interesse de ver como vão influenciar o futuro da série, a sua quase inexistente evolução em dez anos faz com que as novidades aqui presentes sejam algo demasiadamente relativo para sequer tentar elogiar.

Dynasty Warriors: Strikeforce representa a maior novidade na série em dez anos, nada que deva ser glorificado na verdade, e para os fãs é sem dúvida um caso interessante a investigar, até porque conta com um modo online no qual podem lutar ao lado de quem partilha dos mesmos gostos. Para os comuns mortais, é um produto do qual devem convictamente fugir já que há muito ameaça tornar-se num exercício de masoquismo. As palavras diversão e cativação de uns escassos são frustração, repetição e exaustão para a maioria.


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